Fui ao centro de saúde e percebi que estou quase nos trinta!

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Um dia destes dei por mim a pensar, enquanto saía do centro de saúde, que tinha encontrado, num espaço de tempo não superior a 15 minutos, meia dúzia de pessoas que, outrora, fizeram parte da minha em contexto escolar. É certo que não os via há muitos anos – se é certo, também é normal -, pois as vidas seguem os seus caminhos, uns para aqui, outros para ali, mas, e voltando ao início, dei por mim a pensar na fatalidade (será?) que é encontrar, do alto dos meus quase (!) t-r-i-n-t-a anos, antigos colegas só, e exclusivamente, no centro de saúde! No centro de saúde, a sério? Mas agora parece que somos todos uns velhos, que só nos vemos em ocasiões menos boas – até para os jantares de turma do liceu somos só meia dúzia -, e é neste contexto que dou por mim a pensar – bolas! – “já somos adultos!”.

 

 

 

É verdade que os anos passaram muito rapidamente – e passaram para todos, felizmente, que nisso, pelo menos, Deus foi justo e há que lhe dar o devido valor -, e depois temos epifanias, como ainda ontem à noite, num jantar, uma amiga me dizia que a filha já estava no 9.º ano e eu retorqui, muito indignado, “mas tens a certeza? ainda ontem ela era tão pequenina!”. Pois é, está mesmo no 9.º ano, e eu olho para mim – para o cabelo e para a barba, concretamente – e vejo-me já com brancas, o que, para uns é sexy, para outros é sinal de estarem a envelhecer muito rapidamente. Porém, atenção!, não me faz qualquer espécie ter já cabelos brancos, vou mais pela primeira opção, de que é uma coisa “sexy”, dá-nos um ar de maturidade e sabedoria (!) do alto de quem ainda nem aos trinta chegou mas já parece – e pelo menos aos olhos dos mais novos – ter à volta de uns “cinquenta anos” ou, pela boca de outros mais ‘corajosos’, “sessenta, de certeza, porque tens cabelos brancos”.

 

 

 

Bom, mas para nos focarmos no essencial, que é por isso que aqui estamos, e já se sabe que toda a gente tem uma vida muito ocupada, cada segundo longe dos instagrams e facebooks desta vida vale por uma década, foi giro constatar ontem, no dito jantar, já depois daquela epifania, que numa mesa de doze pessoas éramos vinte e quatro! Não parece fazível, bem sei, mas foi, e eu próprio tenho de me admitir parte desse processo, pois entre o prato da sopa, o prato principal, a sobremesa e o café, os smartphones estiveram sempre presentes. Nalguns casos, mesmo enquanto comíamos, lá estavam os gajos!, luzes sempre acesas, e eu – não me batam que já admiti a mea culpa – também sucumbi à tentação. Podíamos ter falado de coisas tão interessantes mas as redes sociais, o mundo virtual, consomem as nossas energias. E é isso, a juntar ao facto de só encontrar as pessoas “do antigamente” (que expressão supimpa!) nos centros de saúde ou farmácias, que me faz perceber que em vinte anos, sim, leram bem, vinte anos, as coisas mudaram. Para melhor e para pior, atenção.

 

 

 

Não sou radical ao ponto de achar que tudo é mau e que tudo é bom. Todo eu sou dos maiores adeptos das novas funcionalidades dos iPhones e iPads desta vida – oh, soubessem vocês o quanto torna a minha vida no dia-a-dia mais fácil, e vai na volta até sabem, se calhar as vossas também são facilitadas por estes aparelhos -, mas acho que estou viciado nestas coisas, que perdi aquele «saber estar» sem desbloquear constantemente o telefone só para confirmar se não tenho nenhuma notificação nova, e isso grassa, especialmente, entre os mais novos. É apavorante ver que, nem há duas décadas, brincávamos com um “carroço” feito com um cabo de vassoura, umas laranjas a fazer de rodas e um volante como se fôssemos uns condutores exímios e hoje em dia os miúdos conduzem (?!?!) nos smartphones! «É um simulador» dizem eles, hum hum, pois. S-ó–q-u-e–n-ã-o, amigos, s-ó–q-u-e–n-ã-o. A vida real não é como a vemos através dos smartphones, não tem os filtros do snapchat (confesso que sou info excluído nesta matéria, não domino o conceito, não sei o que é, e ultrapassa-me…) e as ‘stories’ não se apagam ao fim de vinte e quatro horas.

 

 

 

Isto já vai longo, e em termos de datação temporal das redes sociais (r.S.), já devem ter passado 2000 anos, por isso, e em jeito de conclusão, vou-me obrigar a estar menos dependente das redes sociais e dessa conexão sempre constante e ininterrupta do mundo virtual para ver se me sobra tempo para marcar uns jantares ou, simplesmente, momentos de convívio com amigos, em vez de me cruzar com eles apenas no centro de saúde, que ainda por cima não tem bar nem cafetaria, nem sequer dá para juntar o útil ao agradável…

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Notícia publicada a 15/02/2018


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