Pedro Chagas Freitas: “A obsessão com o foco tornou-se tão ridícula que há quem precise de uma aplicação para respirar”

Pedro Chagas Freitas: “A obsessão com o foco tornou-se tão ridícula que há quem precise de uma aplicação para respirar”, disse.

Pedro Chagas Freitas acaba de lançar mais uma obra literária, já disponível nas principais livrarias e grandes superfícies do país. Como é habitual, o autor recorreu às redes sociais para partilhar com os seus leitores uma amostra do novo livro, gerando desde logo reações intensas.

Num excerto divulgado no Instagram, o escritor levanta uma crítica acutilante ao modo como a sociedade atual encara o foco e a produtividade. “Há cada vez mais nevoeiro no mundo. As pessoas já não se vêem umas às outras. Estão ocupadas a ver-se a si próprias. A obsessão com o foco tornou-se tão ridícula que há quem precise de uma aplicação para respirar, há quem defina objectivos para descansar, há quem só abrace com alarme marcado. Vivemos obcecados com o ‘essencial’: tudo o que dá dinheiro, estatuto, controlo. O resto — o erro, o imprevisto, o silêncio, o aborrecimento — é lixo emocional. Mas há coisas que só conseguimos ver distraídos”, escreveu.

Logo a seguir, o autor desenvolve a sua perspetiva, desafiando o culto moderno da concentração extrema. “Quero que o foco se vá encher de moscas. Quem mudou o mundo não foi quem se manteve focado; foi quem se distraiu melhor. Newton levou com uma maçã; Archimedes foi tomar banho e saiu a gritar ‘Eureka!’ nu pela rua; Fleming esqueceu-se de limpar o laboratório e quando viu bolor nasceu a penicilina; o velcro apareceu porque um suíço foi passear o cão. Gente que se distraiu tão bem que inventou o futuro sem querer. O génio não é o que se concentra; é o que se deixa interromper”, acrescentou.

Por fim, Pedro Chagas Freitas conclui com uma afirmação contundente que resume a essência do novo trabalho. “A produtividade é a nova religião dos ocidentais. Eu, ateu do foco, escolho a deriva, a margem, o pensamento desordenado. Não confio em ninguém que saiba sempre o que está a fazer. A única clareza possível vem da confusão”, rematou.

Assim, considerou Pedro Chagas Freitas: “A obsessão com o foco tornou-se tão ridícula que há quem precise de uma aplicação para respirar”.

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