Pedro Chagas Freitas critica condições das paragens de autocarro: “Criem espaços onde esperar não seja uma humilhação silenciosa”

Pedro Chagas Freitas critica condições das paragens de autocarro: “Criem espaços onde esperar não seja uma humilhação silenciosa”, disse.

Escritor aponta falta de dignidade no espaço público

O Pedro Chagas Freitas voltou a recorrer às redes sociais para partilhar uma reflexão contundente sobre o estado das paragens de autocarro em Portugal.

Num texto marcado por indignação, o autor questiona a forma como as cidades promovem o uso de transportes públicos, mas não garantem condições mínimas a quem os utiliza.

“Há merdas que me tiram do sério; merdas que deviam ser elementares e que ninguém, ou quase ninguém, faz. As paragens de autocarros, por exemplo. Uma sociedade que se gaba de modernidade deixa as pessoas à chuva como cães abandonados. Enche-se a rua de outdoors sobre a necessidade de usar transportes públicos, diz-se que se investe nisso, e as paragens são uma desgraça. É um teatro hipócrita: proclama-se progresso; oferece-se desconforto, abandono, desconsideração, indiferença até.”, escreveu.

“O mínimo de dignidade tornou-se num privilégio”

Além disso, o escritor defende que conforto e proteção deveriam ser prioridades numa sociedade que se apresenta como evoluída.

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“O mínimo de dignidade tornou-se num privilégio. O conforto deveria ser a base de uma civilização que se quer funcional. Ofereçam conforto, ofereçam proteção, ofereçam segurança, ofereçam a certeza de que quem escolhe o autocarro não escolhe automaticamente o sofrimento.”, sublinhou.

De seguida, descreveu o contraste entre o discurso institucional e a realidade vivida por quem depende diariamente do transporte público.

Esperar não pode ser “uma humilhação silenciosa”

Ainda no texto, Pedro Chagas Freitas retrata o cenário enfrentado em dias de chuva e de calor, apontando a falta de respeito como problema central.

“Em dias de chuva, quem quer ir de autocarro está ali, encharcado, a levar com os olhares de desdém e com a água dos automobilistas; em dias de calor, quem quer ir de autocarro fica a tostar. Depois apontam o dedo, espantam-se que ninguém queira mudar de hábitos. O problema é a falta de respeito. Invistam no que interessa. Invistam no que faz a diferença, todos os dias. Respeitem quem segura isto tudo, quem acorda cedo, quem trabalha, quem sustenta casas, famílias, cidades inteiras. Criem espaços onde esperar não seja uma humilhação silenciosa.”, apelou.

Por fim, deixou uma mensagem direta às entidades responsáveis.

“Transformem a paragem no primeiro sinal de civilização. Ou assumam, de uma vez, que não a têm.”, concluiu.

Assim, a publicação reacendeu o debate sobre mobilidade urbana e condições das infraestruturas públicas, num momento em que se reforça o apelo à utilização de transportes coletivos nas cidades.

Veja a publicação AQUI.

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