Pedro Chagas Freitas desafia a ideia de “crescer” no seu novo livro: “A vida é um tribunal sem juízes”, disse.
Chegou às grandes superfícies o mais recente livro de Pedro Chagas Freitas, que já está a provocar reflexões profundas entre os leitores. Para marcar a ocasião, o escritor partilhou no Instagram um excerto da obra que está a despertar muita atenção.
Logo no início, o autor afirma: “A vida é um tribunal. Não há juízes; só jurados neuróticos. Julgam tudo: o que dizemos, o que calamos, o que comemos, quem amamos, quantas horas dormimos, se temos filhos, se não temos, se trabalhamos demasiado ou de menos”.
De seguida, Pedro Chagas Freitas questiona o conceito convencional de maturidade, sublinhando: “Nunca conheci ideia mais estúpida do que a de ‘crescer’. A ideia de que há um momento em que deixamos de ser crianças e passamos a ser adultos. Como se a infância fosse uma doença que se cura com boletins de voto e telejornais”.
Além disso, acrescenta: “Crescer é transformar curiosidade em cansaço, desejo em compromisso, perguntas em folhas de Excel. É domesticar o desejo até que ele se transforme em agenda. A filosofia oficial diz que crescer é evoluir. Eu acho que é render-se”.
Por fim, o escritor revela o seu verdadeiro segredo para crescer: “O segredo não é recusar crescer; é crescer como uma erva daninha: sem simetria, sem manual de instruções. Crescer torto, feroz, à margem da civilização emocional. Manter dentro de nós o miúdo sujo, desbocado, que fazia perguntas inconvenientes e ria alto de tudo”.




