Pedro Chagas Freitas elogia momento viral de Bianca Rocha com o pai e deixa apelo emotivo: “É urgente sentir”, disse.
Escritor destaca humanidade no jornalismo e critica frieza das regras sociais
A emoção tomou conta das redes sociais depois de uma reflexão publicada por Pedro Chagas Freitas. O autor comentou um momento protagonizado pela jornalista Bianca Rocha, durante uma entrevista ao próprio pai, em contexto de tragédia.
Desde logo, o escritor afastou rótulos e funções rígidas. Para ele, as pessoas não podem ser reduzidas a cargos ou profissões. Além disso, defendeu que as regras servem apenas para melhorar a convivência, nunca para apagar a dimensão humana.
Assim, escreveu:
“Gosto de pessoas. Não as fecho em profissões. Não as vejo como autómatos de uma qualquer missão, de um livro de regras inflexível. As regras existem para nos ajudar a ser melhores pessoas, só isso. Somos todos pessoas a tentar.”
Um momento de filha, antes de jornalista
Entretanto, o foco do texto recai sobre a postura de Bianca Rocha. No meio da cobertura, a jornalista entrevistou o pai e emocionou-se em direto.
Segundo o autor, a reação revelou algo mais profundo do que o papel profissional.
Como descreveu:
“A Bianca Rocha, no meio da tragédia, entrevistou o pai. Foi tão bonito. Ficou comovida. Disse que era jornalista, mas que também era filha. Disse bem. Eu diria ainda mais fundo, eu diria ainda mais longe: sou filha, e só depois é que sou jornalista.”
Além disso, reforçou a dimensão afetiva do instante:
“Foi isso o que ela foi. Foi uma filha a ver o pai ali, frágil. Ver o nosso pai frágil, olhá-lo assim, querer salvá-lo assim, mexe connosco.”
Memória pessoal e saudade
Por outro lado, Pedro Chagas Freitas cruzou o episódio com a própria história. A recordação do pai surge como marca íntima e dolorosa.
Nesse sentido, confessou:
“Eu tenho tantas saudades de olhar para o meu pai. Tantas, tantas. Queria tanto salvá-lo do que o tirou de mim. Escrevo no começo da lágrima, no interior da saudade. Dava o que tenho para poder olhar outra vez para o meu pai.”
Depois, salientou que a autenticidade do momento acabou por ganhar grande projeção online.
Como referiu:
“A Bianca olhou. Aquele momento ficou viral, como fica tudo o que foge de uma norma cada vez mais maquinal. O amor tornou-se notícia, que desgraça.”
“É urgente sentir”
Finalmente, o escritor deixou uma mensagem dirigida à jornalista, ao pai e a todas as famílias. O apelo centra-se na liberdade de demonstrar emoções, mesmo em contexto profissional.
Dessa forma, concluiu:
“Eu quero aqui enviar um abraço muito grande à Bianca, ao pai dela, a todos os filhos e a todos os pais do mundo que se amam, que se deixam amar, abraçar, sentir. É talvez o mais importante de todos os nossos direitos: sentir. É urgente sentir. Não temos de ter vergonha de sentir; temos de ter vergonha de algum dia pensarmos que pode ser vergonhoso sentir. É urgente sentir. Mesmo que estejamos de microfone na mão. Obrigado, Bianca.”
Em suma, a reflexão coloca a emoção no centro do debate. Num tempo de rotinas mecânicas, Pedro Chagas Freitas defende empatia, proximidade e humanidade. Valores que, para o autor, nunca deveriam sair de cena.
Veja a publicação AQUI.
Foto: Facebook / Pedro Chagas Freitas
