Pedro Chagas Freitas emociona com homenagem aos enfermeiros: “Ali, eles são gigantes”, assinalou.
Pedro Chagas Freitas recorreu às redes sociais para deixar uma homenagem sentida aos enfermeiros, partindo de uma memória vivida no Pediátrico de Coimbra.
Numa publicação carregada de emoção, o escritor recordou uma imagem captada num quarto de hospital, onde a dor deu lugar, por instantes, à criatividade, à ternura e à alegria possível.
Uma gala improvisada num quarto de hospital
A publicação nasce de uma fotografia. Nela, segundo Pedro Chagas Freitas, estavam todos no quarto do hospital, com laços improvisados por uma enfermeira.
“Na imagem, estamos todos no quarto do hospital com lacinhos feitos por uma enfermeira com restos de material hospitalar.”
Depois, o escritor explicou o contexto daquele momento, transformado numa pequena celebração dentro de um espaço marcado pela fragilidade.
“Na imagem, está o começo de uma gala de pândega que inventámos fazer no Pediátrico de Coimbra, com os peluches vestidos a preceito.”
A partir dessa recordação, Pedro Chagas Freitas construiu uma reflexão sobre quem cuida nos momentos mais difíceis.
“Os enfermeiros fazem-me chorar”
No texto partilhado nas redes sociais, o escritor não escondeu a emoção ao falar dos enfermeiros com quem se tem cruzado.
“Na imagem, está representado aquilo que me faz escrever este texto. Os enfermeiros, quase todos (e já foram muitos, muitos), com que me tenho cruzado fazem-me chorar.”
E explicou porquê. Para Pedro Chagas Freitas, a grandeza destes profissionais está no que conseguem criar mesmo quando os recursos são escassos.
“Fazem-me chorar pelo que fazem, pelo que conseguem fazer, com tão pouco. São os maiores criativos de todos, os mais engenhosos criadores, os maiores artistas de todos.”
Entre a dor e o riso
Entretanto, o escritor destacou a capacidade dos enfermeiros para inventarem alegria em lugares onde a angústia está sempre presente.
“Criam, inventam, dançam, diante da dor, diante das dores, entre o começo da lágrima e o começo do riso.”
Na mesma publicação, descreveu estes profissionais como pessoas que trabalham numa fronteira delicada, onde cada gesto tem peso.
“Vivem em cima de uma corda suspensa, a mais importante de todas: a vida.”
Para Pedro Chagas Freitas, há algo de profundamente comovente nesse exercício diário de coragem.
“É comovente sentir o que eles sentem, ver o que eles fazem. É emocionante saber que (ainda) há pessoas assim, coragem assim, amor assim.”
“Fui mais bem tratado do que em muitos hotéis de cinco estrelas”
O escritor recordou também a forma como foi tratado durante o período em que esteve no hospital.
“Fui, quando fiquei ‘hospedado’ no hospital, mais bem tratado do que em muitos hotéis de cinco estrelas. Fui mesmo.”
A gratidão estendeu-se ao cuidado recebido por si e pelo seu “pequeno herói”.
“Empatia, atenção, cuidado, dedicação, amor, carinho: tive, e o meu pequeno herói também, isso tudo.”
Depois, Pedro Chagas Freitas resumiu a importância desses gestos num momento de grande vulnerabilidade.
“Ali, num momento tão delicado, há gestos que não têm preço.”
“Ali, eles são gigantes”
Na parte mais intensa da publicação, o escritor deixou uma das frases mais fortes da homenagem.
“Ali, eles são gigantes, e agigantam-nos nos momentos de maior ansiedade, de maior incerteza, de maior fragilidade.”
Para Pedro Chagas Freitas, a bravura destes profissionais não se aprende apenas em formação técnica. É uma forma de presença que devia ser vista, estudada e repetida.
“Estão lá, inteiros, a sentir, com uma bravura que não se aprende nos livros, mas que devia ser lida, estudada, imitada, todos os dias, a toda a hora, por todos.”
A alegria possível dentro do hospital
No final da reflexão, Pedro Chagas Freitas voltou à imagem que motivou o texto.
“Na imagem, estamos todos com a felicidade maior que pode haver num hospital: a da alegria temporária, como todas, mas ali mais volátil, mais incerta, do que em qualquer outro lugar do mundo.”
O escritor descreveu esse instante como um momento de união, esperança e ternura.
“Nesta imagem, nestes minutos, estávamos profundamente felizes, conectados, unidos por um fio de esperança, de ternura, de fé.”
E, antes de terminar, dividiu o mérito entre o amor da família e o cuidado dos enfermeiros.
“Mérito nosso, que nos amamos como loucos; mas mérito também daqueles enfermeiros, que amam o que fazem (e muitas vezes se sentem loucos).”
A publicação terminou com um agradecimento e um pedido simples:
“Obrigado a todos. Por favor, continuem a amar.”
Com esta homenagem, Pedro Chagas Freitas voltou a transformar uma experiência íntima numa mensagem pública. Desta vez, o centro está nos enfermeiros e na forma como, dentro de um hospital, conseguem abrir espaço para a alegria quando tudo parece mais frágil.
Veja a publicação AQUI.
