Pedro Chagas Freitas reflete sobre amor e egoísmo a partir de uma pergunta do filho

Pedro Chagas Freitas reflete sobre amor e egoísmo a partir de uma pergunta do filho, nas redes sociais.

Texto nas redes sociais questiona a lógica da dor nas relações

O escritor Pedro Chagas Freitas voltou a partilhar uma reflexão nas redes sociais, desta vez inspirada numa conversa com o filho durante a visualização de desenhos animados. A publicação parte de um diálogo simples, mas evolui para uma análise profunda sobre amor, posse e maturidade emocional.

Logo no início, surge a troca de perguntas e respostas que desencadeia toda a reflexão.

**“- Pai, porque é que o vilão raptou o novo namorado dela?

  • Para castigá-la por ela não querer ficar com ele.
  • Mas o vilão não gosta dela?
  • Gosta.
  • Se gosta dela, porque é que quer magoá-la?”**

Uma pergunta que vai além do ecrã

A partir dessa questão, o autor sublinha que os desenhos animados nunca são apenas entretenimento infantil. Pelo contrário, transformam-se em exercícios de interpretação sobre a condição humana.

- Publicidade -

Segundo escreve, estas histórias ultrapassam a divisão simplista entre bem e mal. Tornam-se oportunidades para questionar comportamentos e emoções.

“Os desenhos animados, para ti, nunca são histórias básicas; são sempre questões que vão mais longe do que o simples combate Bem vs Mal, do que a superficial dicotomia Vilão vs Herói. Os desenhos animados , para ti, e para nós, que os vemos contigo, são viagens sobre quem somos. Aprendo tanto a ver desenhos animados contigo.”

A lógica da infância desmonta justificações adultas

Depois, o escritor regressa à pergunta central, reconhecendo a lucidez infantil.

“Se gosta dela, porque é que quer magoá-la?”

E acrescenta:

“Fizeste a pergunta certa, meu filho. Fazes sempre a pergunta certa.”

De seguida, desenvolve a ideia de que a infância tem a capacidade de expor contradições que os adultos tendem a justificar. Orgulho, fragilidade ou trauma deixam de servir como desculpa quando vistos através de um olhar simples.

“A infância remove os pretextos, desmonta, não aceita as nossas teorias falidas sobre orgulho ferido, masculinidade frágil, abandono, trauma. A criança observa a contradição: se amas, porque feres? Se queres bem, porque queres punir?”

Amor ou posse?

Além disso, Pedro Chagas Freitas distingue amor de egoísmo. Para o autor, magoar alguém por rejeição não é uma prova de sentimento.

“Magoar quem amamos porque não somos amados de volta é egoísmo. Não há, nisso, amor; há humilhação, posse. Quem o faz quer dizer isto: “vês o que me fizeste sentir?””

Consequentemente, contrapõe duas visões distintas. A da criança, que associa amor a crescimento, e a do adulto, que muitas vezes transforma o sentimento em domínio.

“O amor, para a criança, é expansivo: quer aumentar o outro, quer que o outro esteja bem. O adulto, muitas vezes, ama para colonizar: para fazer do outro um território seu, para encolher. O amor não é, nunca é, o que serve para nos encolher.”

Um agradecimento final

Por fim, o texto encerra com uma nota íntima e direta.

“Obrigado, meu filho.”

Assim, a publicação transforma um momento familiar numa reflexão mais ampla sobre relações afetivas. Uma pergunta simples revela-se, afinal, um espelho das contradições do mundo adulto.

Veja a publicação AQUI.

- Publicidade -

Destaques

Benfica vence Estoril com estreia de João Palhinha e susto no final

Benfica vence Estoril com estreia de João Palhinha e...

José Mourinho já mudou o Real Madrid, mas o verdadeiro teste começa agora

José Mourinho já mudou o Real Madrid, mas o...

Robbie Williams vestiu o MEO Kalorama de encarnado e rosa choque sob a lua cheia

Robbie Williams vestiu o MEO Kalorama de encarnado e...

MARO, Interpol e Grace Jones mostraram três formas de ocupar o palco no MEO Kalorama

MARO, Interpol e Grace Jones mostraram três formas de...

Faleceu Peter Cullen, a voz lendária de Optimus Prime

Faleceu Peter Cullen, a voz lendária de Optimus Prime,...
- Publicidade -

Reportagens

- Publicidade -

Artigos relacionados