Reportagem: Reina, Talavante e Justo triunfaram na tarde histórica de Almendralejo

Reportagem: Reina, Talavante e Justo triunfaram na tarde histórica de Almendralejo, este sábado.

Reportagem: Reina, Talavante e Justo triunfaram na tarde histórica de Almendralejo

Fotografias: Diogo Nora
Texto: Rui Lavrador

A Praça de Touros de Almendralejo recebeu, este sábado, 1 de Abril, uma corrida goyesca, comemorativa dos 180 anos deste tauródromo sito na Extremadura.

Frente a touros da ganadaria de Juan Pedro Domecq, actuaram os matadores Luís Reina (que regressou às arenas aos 65 anos, para está efeméride do tauródromo da sua terra), Alejandro Talavante e Emílio de Justo.

Após as cortesias, os três toureiros foram chamados a saudar nos tércios, já depois de Luís Reina ter sido homenageado.

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Luís Reina abriu as actuações e esteve estético, tranquilo e a fazer tudo com muita paciência, saber e labor. Recebeu no capote por verónicas e destacou-se por uma larga, já no remate deste tércio, tendo no intermédio brilhado por ‘delantales’. Os bandarilheiros cumpriram com qualidade o tércio seguinte e desmonteraram-se Fernando Sánchez e Juan Luís Moreno. Na muleta, Reina apostou maioritariamente pelo lado direito, pelo qual o touro investiu e humilhou melhor e conseguiu ter séries de muito mérito. Pela esquerda, tentou, mas sem o mesmo brilhantismo. Usou o descabello três vezes, ainda assim foi premiado com duas orelhas após pedido do público ao qual a presidência acedeu. Bonito de cara o primeiro touro, nobre e a humilhar bem, principalmente pelo lado direito.

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Alejandro Talavante teve por diante um touro mais complicado, negro de capa, com investida pouco franca, ensarilhada até, ao qual tentou tapar todos os defeitos. E a verdade é que esteve diversificado no capote, destacando-se por gaoneras, já depois de bonitas verónicas. Seguidamente esteve paciente e com pinceladas de arte na muleta, com momentos de enorme beleza, porém com o touro a vir cada vez a menos, retirando brilho ao seu labor. Com a espada esteve desastroso e perdeu os troféus, após pinchar várias vezes. Foi aplaudido.

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Emílio de Justo começou por receber o touro com o capote, por verónicas, chicuelinas e rematando com uma meia verónica. Na muleta, Justo criou poesia em movimento, com uma faena de grande profundidade, em redondo, por ambos os pitons e com o público a responder com óleos a cada passe. Referir que o vento foi adversário nesta faena, mas com Emilio de Justo a impor-se com poder. Duas orelhas de total mérito, após matar à segunda tentativa efectiva.

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Luís Reina teve por diante um jabonero, manso e perigoso e frente ao qual teve de porfiar muito para conseguir uma faena minimamente ligado e com sentido. Por várias vezes teve de andar atrás do touro, que desistia da luta e refugiava-se em tábuas. Reina fez uso da sua experiência e sabedoria para conseguir tirar a pouca qualidade do oponente. Duas orelhas, após estocada certeira.

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Dom Talavante. O que Alejandro Talavante fez na sua segunda lide roçou o idílico. Fez uma faena de autor, recheada de intuição, técnica, arte e coração. Talavante foi puro na sua actuação, sacando tudo o que este belíssimo touro tinha para dar. Brilhante quer por naturales, quer por derechazos, tudo de forma muito pausada e profunda. Touro e toureiro entregaram-me a esta faena e o resultado foi a melhor actuação desta tarde. Duas orelhas e rabo. Volta ao touro. E público em delírio.

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Justo ‘picou-se’ com o triunfo do colega que o antecedeu e desenhou outra boa actuação, perante um astado com pouca transmissão e que obrigou o toureiro a colocar tudo em dobro. Tudo o que podia ter feito, fê-lo bem. Actuação de grande poder e a certeza de que Justo está de novo na sua melhor forma, após a acidentada temporada transacta, após a colhida em Madrid. Duas orelhas após estocada certeira.

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Os touros de Juan Pedro Domecq cumpriram no geral, destacando-se o 4º como o pior do lote e o 5º como o melhor.

Tarde histórica em Almendralejo com os três toureiros a saírem em ombros e perante gáudio do conclave.

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