Quinta-feira, Agosto 5, 2021

Salame de guerra

A evolução da tecnologia e o acesso à Internet disseminado na palma de nossas mãos, são os fatores para um crescimento estratosférico do número de usuários nas redes sociais. De acordo com o site statista.com, o Facebook supera os dois bilhões de membros, enquanto o Watsap e o Instagram já chegaram a 1 bilhão.

Tanta gente num mesmo lugarzinho, no bolso(a), dependendo da forma como você vai transportar, atraem práticas ilícitas de diversas naturezas, cometidas por indivíduos a espreita da próxima vítima descuidada. O chamado cyberstalking, é um termo inglês utilizado para descrever essas condutas de quem persegue virtualmente alguém. Corremos o risco da sermos caçados eletronicamente, com direito a extorsão e assédio. Isso demonstra a fragilidade desse mundo virtual, e que fugir para ele, não é uma solução de seus problemas do mundo real.

Mas tamanho envolvimento e permanência de tempo lá dentro, fez surgir novas formas de subsistência e relacionamento humano nesse espectro eletrônico. Artistas e produtores de conteúdos digitais estão ganhando destaque ao venderem obras de arte, vídeos e músicas, confeccionadas na tela de seus computadores. A sigla NFT representa um selo de autenticidade digital, e que garante ao comprador a certeza de que aquela obra pertence somente a uma pessoa. Como uma escritura. O artista Beeple leiloou uma obra por R$389 milhões, chamada “Everydays-The First 5000 Days”. Essas obras ficam armazenadas no computador, e você pode olhar enquanto tiver luz ou baterias em seu nobreak. Não pode tocar, tampouco emoldurar e colocar na parede da sala, para suas visitas apreciarem seu bom gosto. Durante uma vida pandêmica como a que nos acomete, que lugar mais saudável para estar, senão nesse meio digital. Lá você anda sem máscara, vai a restaurantes e festas com a família, beija e abraça quem quiser. Um mundo esterilizado, que não necessita vacina, tão pouco distanciamento social.

Podemos ser felizes até o apagar das luzes. Não precisa comer, beber e não vai amontoar lixo de nada lá dentro. É tudo lindo e limpo, como quase nunca fomos aqui fora.

Tento entrar na linha desse trem, mas pra mim acho que não vai dar. Vou esperar minha vacina para destruir o inimigo na guerra contra a peste, e assim ter uma chance de pegar de volta o que me trancaram provisoriamente. O sacrifício vai me recompensar com aquele beijo e abraço de quem me espera ansioso(a). Lembro que na segunda Guerra Mundial, os americanos faziam uma propaganda virtuosa como alento a seus soldados: “Mande um salame para seu filho na guerra!” Sugeriam cartazes nas ruas e nas telas de cinema. O que nos leva a pensar que uma guerra na vida real, se vence não só com bombas e vacinas, mas também com salames. Muitos não se empolgam com a própria vacinação e talvez creiam ser melhor a vida no mundo digital. Por vezes, nos perguntamos de que vale se salvar no meio desse pandemônio? Lembre-se no que fará depois da vacina. Almoçar fora de casa, ir ao cinema, dançar numa festa, abraçar e beijar quem desejar. Todos esses pequenos eventos, são o salame na atual trincheira, que você pode oferecer.

Nota: Texto escrito em português do Brasil.

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