Domingo, Outubro 24, 2021

Santarém: João Ribeiro Telles foi o grande triunfador

Santarém: João Ribeiro Telles foi o grande triunfador

Santarém: João Ribeiro Telles foi o grande triunfador, do mano-a-mano realizado frente a João Moura.

Deu-se este Sábado a primeira corrida da feira de Outono, da Monumental Celestino Graça.

Como cartaz o mano-a-mano entre João Moura e João Ribeiro Telles, duelo inesperado, de duas gerações com uma arte em comum, e que se deu, por motivos menos bons, leia-se, lesões do Mestre António Ribeiro Telles e de João Moura Jr.

No sector das ramagens, e como manda a tradição, pegaram em solitário os amadores de Santarém, capitaneados por João Grave, na época que comemoram o seu 106º aniversário.

Rematou este cartel, um curro de toiros da ganadaria coruchense de Dr. António Silva, toiros com procedência e encaste originário de Pinto Barreiros, tendo atualmente, uma linha Tamaron devido à introdução na ganadaria de sementais de Juan Pedro Domecq e Conde de la Corte.

Para a recolha destes toiros, estiveram em praça, a cavalo, os Campinos João Inácio “Janica” da Casa Dr. António Silva e Mário Oliveira “Café” da Casa Ribeiro Telles, com auxílio dos cabrestos da casa agrícola Dr. António Silva.

Abordando então o espetáculo, iniciou-se com um, merecido, minuto de silêncio em memória de Carlos Empis, antigo ex-Cabo do grupo de Santarém e empresário, a quem foi também prestada homenagem antes da Corrida. Apresentava a Monumental de Santarém uma entrada forte, mas, longe do que se augurava.

Falando agora de arte, para lidar o primeiro Silva da tarde o “cavaleiro afamado” de seu nome João Moura, vestindo casaca azul-escura bordada a oiro, brindou a seu filho esta sua primeira lide.

Diante deste Silva, andou regular o mestre de Monforte, cravando dois compridos sem exuberância, mas de forma competente.  Em curtos, veio de menos a mais, arriscando e tentando retirar o que de melhor tinha este Silva, que se arrancava com genuína facilidade, apesar de na reunião e transmissão, pouco ou nada deixar na memória, lembrando a célebre frase de João Salgueiro era um “nhoc nhoc”.

Esta lide de João Moura foi marcada pela intransigência do público de Santarém, relativamente aos bandarilheiros. Nota para uma colhida sem grande gravidade logo ao primeiro curto, obrigando, no entanto, a mudança de montada.

Para a pega do primeiro da tarde, abriu praça o cabo do Grupo Forcados Amadores de Santarém João Grave. Brindou a pega a todo o público de Santarém. Pega consumada à primeira tentativa, com o toiro a arrancar-se descomposto e a mudar de terrenos já durante o cite, mas, bem a resolver o experiente cabo dos amadores de Santarém e a reunir com galhardia e beleza!

Para levar por diante o segunda da tarde com 625kg, em praça o cavaleiro, João Ribeiro Telles, vestindo casaca vermelha sangue-de-boi, bordada a oiro, vistosa e bonita!

Nesta sua primeira lide da tarde, o cavaleiro coruchense, andou bem, cravando os compridos da ordem, sem destaques de maior. Em curtos, procurou explorar ao máximo este Silva, que já transmitia mais do que o anterior e por isso, entusiasmou mais as bancadas. O cavaleiro soube interpretar o toiro e dando-lhe constantemente vantagens e usando e abusando das batidas ao píton contrário, desenhou uma lide com bonitas e ajustadas reuniões, que pela rapidez e entrada terrenos adentro, nem sempre resultaram em cravagens “como manda a sapatilha”, ainda assim, nota para os dois primeiros curtos de muito boa nota, que colocaram em polvorosa a praça de Santarém.

Em praça, novamente os amadores de Santarém. Frente ao toiro na primeira, segunda e terceira tentativas, esteve bem o forcado de cara, e aguentou “viagens” duríssimas, faltando ajudas e grupo.  Na quarta e derradeira tentativa, já com o grupo carregado e o forcado de cara, claramente sem condições, físicas, de defrontar este Silva, conseguiu o forcado de cara consumar a pega deste toiro, com a Alma… dureza!

Para a terceira lide da tarde, novamente em praça João Moura, perante um Silva com 520kg. Brindou a sua lide a João Telles Jr. Neste seu segundo da tarde, o mestre de Monforte, vinha com ganas e recebeu este Silva, sem qualquer bandarilheiro em praça!

Cumpriu a cravagem da ordem, em compridos e seguiu a sua lide para curtos. Em curtos, andou bem, no entanto, desenhou depressa demais toda a sua lide, não dando tanto tempo, quanto poderia ter dado ao toiro, retirando alguma emoção às sortes, reunindo ainda alguma vezes “ao largo”, ainda assim, uma atuação sem calamidades. No entanto também sem história, tendo custado a chegar ao público a atuação do mestre de Monforte, por culpa do próprio, mas também do Silva que teve em sorte que pouco ou nada se entregou à lide. Na memória o penúltimo curto, que foi dos de verdade. 

Para pegar o terceiro da tarde, em praça o forcado António Goes, que foi dobrado depois de duas tentativas, em que o forcado de cara não conseguiu reunir da melhor forma e acabou sendo derrotado violentamente. Consumou o forcado da dobra à primeira tentativa, citando e reunindo bem, fazendo uma viagem de “cadeirinha” que até fez parecer fácil, um toiro que se via difícil.

Para o quarto da tarde, em praça novamente, o cavaleiro João Telles.
Em compridos andou toureiro, procurando “apalpar” terrenos e perceber o que teria pela frente, bem a preparar as sortes, quase sem necessidade de bandarilheiros.

Arrancou para curtos disposto e com vontade de largar perfume da Torrinha, mostrou equitação, deu tempo ao toiro e desfrutou. Procurou desenhar bem as suas sortes e transmitir o máximo de emoção à praça, tendo talvez a lide mais vistosa da tarde, apesar de o Silva ter vindo de mais a menos e a dificuldade das reuniões com batida ao piton contrário, (ajustar a abertura da espádua e quarteio para permitir a fuga da cara do toiro) nem sempre permitiu reuniões ajustadas e subsequentemente ferros “como mandam os livros” ainda assim, para o olho “nú” a sorte resulta e transmite emoção Q.B.

Nota para os últimos três curtos, em que tudo foi a régua e esquadro e foram de estrondo, sendo um deles ao piton contrário e os dois últimos, uma sorte popular dos primeiros tempos do “Ginja” o afamado Violino, levando a monumental Celestino Graça a aplaudir de pé, João Ribeiro Telles, e a elevar o toureio da tarde!

Para medir forças com este quarto da tarde, em praça o forcado Francisco Graciosa. Consumou à terceira tentativa, depois de duas tentativas em que o forcado de cara reuniu menos bem, não conseguindo suportar as mangadas do toiro. Na sua última, já de ajudas carregadas, resolveu, bem a questão!

Nota para as Duas voltas para João Ribeiro Telles Jr, nesta sua segunda lide da tarde, com o público a corresponder, e bem, à boa atuação e disponibilidade do toureiro!

Para a sua última lide da tarde, em praça o cavaleiro João Moura, para lidar o quinto Silva da tarde com 580Kg.

Em sorte outro Silva que pouco servia, sem transmissão, sem entrega… sem sal, um desalento. O mestre de Monforte, também verdade se diga, refugiou-se nos bandarilheiros, cravou os da ordem, alguns deles de boa nota, devido às reuniões ajustadas e emocionantes, mas… tarde pouco inspirada do mestre, com o sorteio a também não lhe sorrir. Nota para dois curtos de boa nota, mas sem bregas, nem o perfume Mourista.

Para a pega deste quinto da tarde o forcado Salvador Ribeiro de Almeida.
Na sua primeira tentativa esteve bem o forcado da cara, a citar, templar, mandar e após reunir a aguentar mangadas atrás de mangadas… mas… a faltar grupo. Na segunda tentativa, bem o forcado da cara novamente, e apesar do toiro ainda ter fugido ao grupo, bem um segundo ajuda a compensar e a permitir consumar à segunda tentativa.

Em praça para encerrar esta bonita tarde de toiros, novamente, João Ribeiro Telles Jr, perante um silva com 500kg. Brindou esta lide ao seu colega João Moura Jr, que consigo hoje devia dividir cartel.

Tocou o cornetim e o último da tarde saiu à praça, o último Silva de um curro impecável de apresentação e trapio, mas díspar e pecador em disponibilidade, transmissão e bravura…. Saímos com a sensação que faltou toiro em praticamente todas as lides, a dimensão da praça de Santarém também não abona à questão, mas, é verídico.

Na lide deste último da tarde, o cavaleiro a Torrinha não inventou, cumpriu os compridos da ordem, de alto a baixo e ao estribo e seguiu para curtos, hoje vinha inspirado e com ganas e por isso, agradou à monumental Celestino Graça.

Nesta lide desenhou sortes diferentes das até então, procurando citar praça a praça, procurando dar vantagem ao toiro, nem sempre foi possível, reunindo de forma emocionante, cravando à tira de alto a baixo e com o toiro “debaixo da casaca”, rematando com bregas ajustadas.

Soube nesta última da tarde, retirar todo o “sumo” possível a este Silva e tourear de verdade e como mandam as regras. Rematou a tarde com o Ilusionista, com um ferro ao piton contrário de estrondo.

Para a cara do último da tarde, na cara o forcado, Joaquim Grave. Consumou ao primeiro intento esta última da tarde, com o toiro a não se deixar colocar devidamente e a não se parar, mas o forcado bem a resolver a consumar à primeira tentativa.

Nota apenas para a tendência à abertura das sortes, retirando alguma emoção à reunião.

Foi uma tarde agradável, que confirmou o bom momento de João Ribeiro Telles Jr, mas sem história que fique na retina, para o bom e para o mau… Hoje há mais.

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