Sexta-feira, Junho 25, 2021

Sara Correia: “Nunca vou deixar de ser a menina do bairro que canta fado”

Sara Correia: "Nunca vou deixar de ser a menina do bairro que canta fado"

Sara Correia: “Nunca vou deixar de ser a menina do bairro que canta fado”, revelou a fadista em entrevista ao Infocul.pt .

Sara Correia sobe ao palco do Teatro Tivoli BBVA, amanhã, pelas 20:00, para apresentar o mais recente disco ‘Do Coração’.

A fadista já anunciou Luís Trigacheiro e Carolina Deslandes como convidados, estando ainda mais uma surpresa reservada ao público.

A lisboeta esteve à conversa com Rui Lavrador sobre o mais recente disco e também o regresso aos palcos, após desconfinamento.

Senti que houve um rejuvenescimento deste álbum porque, como o álbum saiu o ano passado, eu não tive a oportunidade de mostrar às pessoas, principalmente aqui na minha cidade, Lisboa. Senti que ao longo deste ano foi um caminho muito, muito complicado para toda a gente”, começou por nos referir.

Deu também para pensar imenso sobre o que é que eu queria mostrar às pessoas e como é que eu quero apresentar o ‘Do Coração’ às pessoas”, acrescentou.

A fadista revelou-nos que existiu também uma mudança dentro de si, no seu coração, que automaticamente se reflecte no que canta e na forma como o faz.

Para Sara Correia, “a pandemia trouxe várias coisas e acho que uma delas foi estabelecer o que é que nós queremos realmente na vida”.

Considera que “foi muito complicado para todos nós, e não só para quem para quem canta ou para quem toca ou para quem tem algum tipo de arte, mas também para as pessoas que de alguma forma consumiam o fado”, acrescentando que agora é altura de “voltar aos palcos, voltar às casas de fado e voltar a estar com as pessoas que nós gostamos e admiramos”.

Confiante, acredita “vai ser um ano fantástico, se tudo começar a ficar normal. Eu acredito que este ano vai ser um ano fantástico para todos nós, vamos estar com mais vontade, com mais garra e é isso que eu acho na verdade”.

Sobre o novo disco, começa por explicar que “quando se faz um álbum é como se se começasse um amor novo, porque nós principalmente temos que trabalhar com pessoas que nos conheçam os defeitos e que de alguma maneira se consiga potencializar aquilo, os nossos defeitos, e tentar usufruir deles de certa forma para cantar”.

Assim, “este disco foi muito interessante por isso mesmo, porque são vários autores novos e muita gente que ainda não tinha escrito, por exemplo para fado”.

Assume que neste disco “estou a cantar coisas que não foram feitas para fado. Mas, eu sou Portugal a cantar”, explicando que pretende que a sua música tenha a maior portugalidade possível.

O produtor deste disco é o mesmo do primeiro disco, Diogo Clemente, homem que marca claramente o percurso de Sara Correia.

Sobre Diogo, Sara começa por destacar que tem “muita mestria na produção e consegue-nos guiar de forma que a gente se sinta nas nuvens”, exemplificando que “quando temos dúvidas, deixamos de ter porque o Diogo explica-nos tudo”.

Este disco é essencialmente o amor a falar. Fala de todas as formas do amor, desde o mais bonito ao mais complicado”, resume.

O primeiro single, ‘Chegou tão tarde’, foi um verdadeiro fenómeno mediático e que elevou Sara Correia em termos mediáticos.

Sobre este tema, explicou que ainda não tinha gravado nada do disco, mas quando teve as letras dos temas nas suas mãos, queria muito que este fosse o single. Contudo, ainda sem saber se o seria.

O resto é conhecido, o tema foi single, um verdadeiro sucesso e lançou definitivamente Sara Correia para um percurso que tem vindo a ser cada vez mais ascendente.

Sara Correia começou a cantar muito nova, mostrando desde cedo que era diferente. A voz, o timbre, a alma que emprega nas palavras que canta, mostravam um diamente em bruto.

Nesta conversa, recordámos o primeiro espectáculo que vi dela ao vivo, no Porto, num festival de Fado ali realizado.

Passaram-se alguns (longos) anos e Sara Correia passou de jovem promissora a certeza no Fado. Deixou de ser apenas reconhecida no meio, passando a ser reconhecida a nível nacional.

O que resta dessa menina, na mulher que hoje é, foi a pergunta que lhe fiz, tendo Sara dito que “tudo, eu continuo a sonhar e continuo a cantar com amor, cada vez mais”.

Eu peço, por tudo, para que o fado não me carregue mais. Não me torne uma pessoa infeliz e sem sentir-me esta criança que eu gosto”, disse. Em causa, o facto do peso emocional que o fado carrega.

Uma pessoa com “quem eu me identifiquei, e identifiquei-me muito, que já não está entre nós, mas que de alguma forma era assim: a dona Celeste Rodrigues. Estava sempre bem disposta, sempre alegre e acho que esse é o segredo”.

Sara quer ser sempre a menina feliz, mas que canta Fado. Acredita que é no equilíbrio entre as cores da felicidade e a negrura do Fado, que está o segredo para uma vida preenchida.

A fadista desde sempre se considerou bairrista, “eu nunca vou deixar de ser a menina do bairro que canta fado”, mas sente que tem a “responsabilidade de guiar as pessoas mais jovens”, referindo-se aos factos de os miúdos olharem para ela como uma referência.

Confidenciou-nos que já esteve nesse lugar e que uma das coisas mais importantes é saber ouvir os mais velhos. Considera mesmo que essa é uma das melhores formas de aprendizagem.

Não esconde que pretende deixar a sua marca e que daqui a 100 anos as pessoas cantem os seus fados. Contudo, diz viver tranquila, tentando aproveitar a sua vida ao máximo, com os pés bem assentes na terra, mas com a capacidade de sonhar e de ser cada vez melhor.

Amanhã, pelas 20:00, no Teatro Tivoli BBVA, estará acompanhada por Marino de Freitas, no baixo, Rúben Alves, no piano e acordeão, Ângelo Freire, na guitarra portuguesa, Diogo Clemente, na viola, e Joel, na bateria.

Sobre a sua equipa, considera Diogo muito focado, Marino como um ser bondoso, Ângelo como um amigo de verdade, Rúben como uma pessoa alegre e Joel como confiante.

Uma das artistas que escreveu para este disco de Sara Correia, e que será convidada no Teatro Tivoli BBVA, é Carolina Deslandes.

Habituámo-nos a ver Carolina numa cena mais pop, contudo escreve o ‘Porquê do Fado’ para Sara Correia.

Sobre esse tema, destacou o facto de ambas se conhecerem já há algum tempo, considerando que nesse tema, “a Carolina acaba por fazer uma biografia da minha vida” e mostra-se “completamente grata, porque eu não pedi à Carolina para escrever para mim. Foi ela que quis escrever e acho que o fez com a maior verdade”.

Mostra-se feliz por ter “a Carolina na minha vida e ser minha amiga, sabendo que além de um grande talento, ela é uma grande pessoa”.

Amanhã, promete, será o concerto no qual terá “mais gana de cantar, mostrar ao mundo que quero entregar- me em cada palavra, cada poema, cada tema

Promete dar 1000% e um concerto muito especial, depois de tudo o que aconteceu no último ano.

Os bilhetes estão à venda e podem ser adquiridos AQUI.

Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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