SERÁ UM CESSAR-FOGO REALISTA ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA?

Até pode ser sensato colocar na balança compromissos que possam dar a Putin o tipo de opção que um ditador racional possa ser tentado a aceitar .

A resposta depende do que se passa na mente do Presidente da Federação Russa, Vladimir

Putin, um sitio que ninguém pode perceber sem visitar o universo distante e paralelo em que

parece habitar . Até lá resta-nos perguntar a nós mesmos se Putin tem intenção de usar armas

nucleares, algo que exige que o presidente da Rússia seja irrefletido , irracional e temerário ou

pelo menos que o tenha fingido muito bem . Com ou sem surpresa , penso que é ai que estamos, infelizmente .

Vamos primeiro a uma discussão mais profícua acerca de Zelensky , o líder da Ucrânia que

passou a ser um rosto por todos reconhecido e que rapidamente se tornou um símbolo ou a

personificação da resistência firme . Embora insista na vitória sobre a Rússia e descarte concessões territoriais , Volodymyr parece ajuizado e sensato mesmo com a casa a cair-lhe em cima .

Apesar de ninguém saber em que condições Putin pode aceitar um armistício, para além do próprio ( e talvez o PCP e CDU , esses apostam as fichas todas na paz como solução para o fim da guerra que acreditam não existir ) , o presidente dos EUA parece fazer acreditar que a assistência por parte do ocidente não tem limites , o que vai contra as intenções de Vladimir Putin de fazer do país azul e amarelo um monte de ruínas e dos russos carne para canhão, numa metáfora que já esteve mais longe de se tornar realidade .

Tendo em conta este cenário, é possível que se comecem a ponderar opções de cedência que um ditador dito racional, como Putin, pode ser tentado a aceitar. Significa isto que a Rússia poderá vir a manter o território até agora conquistado à Ucrânia, como a zona mais a leste do país. 

Irrita-me pensar nisto . Recompensar a agressão desmedida a um país democrático e à

democracia ocidental . Mas invevitavelmente o Ocidente tem de ter em conta esta

alternativa, porque comparando-a com uma guerra nuclear gerida por um criminoso de guerra que não parece ter problemas em fazer da Europa uma autoestrada com recurso a meia dúzia de bombas , parece-me uma escolha fácil de fazer .

Parte da equação das transferências de terras não são completamente parolas porque as fronteiras internas da URSS , tornadas internacionais em 1991 , não só eram imperfeitas mas provocatórias pelo modo em que diferentes etnias eram misturadas e onde o conflito se tornava iminente .

Não é obviamente claro que os habitantes destas zona russófona estejam receptivos a receber os invasores russos como o povo da Crimeia aparentemente (ou supostamente) estaria em 2014— porque nos 8 anos desde o acontecimento separatista e desde que Putin se esmerou em exaltar o seu regime autoritário e ditatorial, onde o seu propósito foi além das questões da união de afiliações étnicas entre russos e ucranianos . Quem sabe se os ditos “amantes da liberdade” de Donbass se mudem também para Kharkiv.

Uma outra , diga-se, concessão poderá a meu ver envolver uma espécie de moratória prolongada sobre a adesão da Ucrânia à NATO . Isto é especialmente doloroso de imaginar, dias depois da porta da aliança Atlântica ter sido aberta tão gentilmente aos históricos neutros Suécia e Finlândia que foram prontamente recebidos por Joe Biden na tentativa de alcançar uma resposta positiva à adesão , mas a verdade é que a visita à Casa Branca por parte dos líderes dos países nórdicos não obriga a uma resposta específica . O resto é politiquice.

A verdade é que o famoso Artigo V da NATO vê um ataque a um membro como um ataque a todos, e se a Rússia tiver a pretensão de invadir a Finlândia pode esperar-se que a NATO intervenha – até mesmo antes do processo de adesão estar concluído – pelo menos ao mesmo nível em que os EUA estão a intervir na Ucrânia. O que é certo é que os ´States´ se têm alardeado sobre o seu papel positivo nos sucessos militares da Ucrânia . Não é certo o que mais a NATO faria se a Ucrânia fosse membro . Quero acreditar que mais, mas quem sabe … não necessariamente . Nunca iremos saber .

Francisco Portásio Pedroso

Juventude Popular de Setúbal

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