Quinta-feira, Outubro 21, 2021

Vila Franca: Boa novilhada, muito público e a garantia de futuro

Vila Franca: Boa novilhada, muito público e a garantia de futuro, nesta sexta-feira.

A Praça de Touros Palha Blanco recebeu, esta sexta-feira, o penúltimo festejo da bem organizada Feira Taurina inserida na Feira de Outubro de Vila Franca de Xira.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

Frente a novilhos de Canas Vigouroux, actuaram os cavaleiros praticantes António Núncio, Diogo Oliveira e o cavaleiro amador Francisco Cortes. Pegou, em solitário, o Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira.

O primeiro ponto positivo a destacar deste espectáculo é a extraordinária moldura humana, que esteve na Palha Blanco. Número muito assinalável e elogiável de público para ver alguns dos novos talentos do toureio equestre nacional.

António Núncio teve pela frente um bom novilho, com mobilidade, investida e ao qual soube dar uma boa lide. Actuação em crescendo, numa concepção artística clássica, desenhando as sortes de frente. As reuniões nem sempre foram cingidas, mas o desenho e remate das mesmas foram bons. Alguns toques na montada, durante a brega também retiraram algum brilho, a uma actuação globalmente positiva.

Pega concretizado ao segundo intento, por Lucas Gonçalves.

Diogo Oliveira recebeu o novilho à porta dos curros. Depois de cravar dois ferros compridos em sortes à tira, levou forte toque na montada aquando da cravagem do terceiro. Na série de curtos, Diogo Oliveira esteve francamente bem. Uma brega bem desenhada, as sortes a serem bem delineadas, de frente, dando vantagem ao touro, abrindo quarteio e tentando cravar como mandam as regras de bem tourear. Três ferros de muito boa nota e actuação muito positiva de um jovem que tem estética toureira.

Pega concretizado ao segundo intento, por Vasco Carvalho.

Francisco Cortes, cavaleiro amador, esteve muito bem na lide dada ao novilho que lhe calhou em sorte. Boa postura na equitação, cuidado na forma como bregou e lidou. As sortes foram desenhadas com critério e tentou sempre fazer tudo de forma templada, com rigor. Nem sempre a resultar em pleno, mas actuação muito positiva.

Pega concretizado ao terceiro intento, por Gonçalo Pereira.

Foi na raça que António Núncio conseguiu dar a volta a um complicado novilho, que calhou em sorte para a segunda lide. Distraído, investida nada franca e desde cedo a não empregar-se na lide. O jovem Núncio encarou de frente e foi resolvendo os problemas, umas vezes de frente, noutras a sesgo. Actuação de muita resiliência, mas sem grande estética por falta de matéria prima.

Pega concretizada ao segundo intento, por André Câncio.

Diogo Oliveira começou por brindar a sua actuação à sua equipa. Uma actuação positiva, mas mais trabalhosa e operária do que a primeira. Um novilho exigente, que pedia credenciais ao cavaleiro e não perdoava grandes erros. Diogo esteve bem na brega, a desenhar bem as sortes, mas nem sempre com as reuniões a resultarem tão bem quanto o desejável. Contudo, no cômputo geral, noite bonita de Diogo Oliveira em Vila Franca de Xira, perante um público exigente.

Pega concretizada ao quarto intento efectivo, com João Valença a ser dobrado à segunda tentativa por Diogo Conde, que pegou ao seu segundo intento.

A última actuação da noite, nas lides equestres, esteve a cargo de António Núncio. Uma actuação muito irregular. Uma sorte gaiola que resultou numa cravagem muito traseira e descaída, vários toques na montada e reuniões nem sempre ajustadas, contribuíram para a actuação menos boa da noite. Errar faz parte do percurso de quem quer ser figura do toureio e certamente que António corrigirá estes erros nas próximas actuações.

Pegou ao primeiro intento, Rodrigo Andrade, na melhor execução da noite pelo grupo vilafranquense.

Destacar que o director de corrida premiou o ganadeiro, permitindo volta à arena, pela qualidade do último novilho.

Os novilhos de Canas Vigouroux sairam bem, talvez com o quarto a ser o pior no que a comportamento diz respeito. Novilhos com muito boa apresentação, rematados, de capas distintas. Peso médio acima de 400 Kg e todos eles com 3 anos de idade cumpridos.

Uma noite em que ficou a certeza de que o futuro da tauromaquia está garantido, com três bons valores a demonstrarem as suas qualidades, destacando-se Francisco Cortes na sua actuação pela maturidade e qualidade apresentadas, Diogo Oliveira pela classe, pela estética e por ter já uma identidade muito própria na forma de tourear e Núncio pela garra e pela resiliência.

Esta novilhada foi comemorativa do 89º da fundação do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira (8-10-1932)

Corrida dirigida pelo delegado técnico, Tiago Tavares, assessorado pelo médico veterinário, Jorge Moreira da Silva. José Henriques foi o cornetim. 

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