Segunda-feira, Setembro 27, 2021

Vila Franca: “Toiros e sol… Não há festa como esta”

Vila Franca: “Toiros e sol... Não há festa como esta”

Mais uma tarde de toiros na monumental Palha Blanco, brindada de sol e para não variar uma ligeira aragem ventosa.

Apresentou hoje, nesta feira do Toiro, a empresa vilafranquense um interessante mano a mano dos jovens Luís Rouxinol Jr. e António Prates, dividindo cartel com os Amadores de Montemor e os Amadores de Vila Franca de Xira.

Rematou o cartel desta tarde, um curro toiros da ganadaria Veiga Teixeira, ganadaria de renome e respeito.

Vamos a desfrutar, que já dizia o fado “Toiros e sol não há festa como esta com mais emoção.”.

Abriu praça o cavaleiro Luís Rouxinol Jr. diante de um toiro de 575kg e com o nº671 no dorso. Este primeiro Teixeira, toiro preto, bem rematado e de córnea larga e vistosa…Bonito, rompeu praça desligado do toureiro, ligando-se durante a lide, mas, mostrando-se ainda assim, muito reservado e “matreiro”, apresentando rasgos de mansidão.

Brindou a sua lide ao companheiro de cartel António Prates, dentro de praça, como se brindam os artistas, bem!

Diante do seu primeiro toiro, Rouxinol recebeu o seu oponente sem bandarilheiros em praça, cravando dois compridos de boa nota, rematando as sortes com bregas ajustadas e aguentando o toiro sem medos. Em curtos, não inventou Luís Rouxinol e sacou com o cavalo Amoroso para se pôr diante deste Teixeira. Vinha a andar bem até que, em terrenos de compromisso, se deixou apertar e consentiu uma colhida violenta para o cavalo. Valeu o mestre Luís, pai, que como noutras ocasiões, saiu em defesa e prontamente rabejou sem pudor e em defesa de seu filho e do Amoroso.

 Terminou a sua lide ao som da música e de forma muito positiva, não  deixando que a colhida o afetasse.

Para pegar o primeiro da tarde dos amadores de Montemor, que este ano mudam de cabo, abriu praça o forcado Francisco Borges, brindando a seu pai.

De fronte ao toiro, na sua primeira tentativa, não teve o forcado hipótese de citar como mandam as regras, nem tão pouco de mandar no toiro, arrancando este de largo e na sua vontade, tentando o forcado reunir, mas sem sucesso, valeu pela coragem e raça. Já na sua segunda tentativa, e perante um toiro que já na lide se tinha reservado, soube o forcado citar e estar com o toiro, mas este não se quis arrancar, mesmo quando apertado e acabou o grupo por desfazer a pega. Tentando novamente e após um cite competente o toiro consegue despejar o grupo e o forcado. Consumaram à terceira tentativa, com ajudas carregadas, com destaque para mais uma brilhante ajuda do futuro cabo, António Pena Monteiro, que aguentou o forcado na cara.

Nota para a volta concedida apenas para o cavaleiro de forma incompreensível, é importante distinguir pegar à terceira um toiro digno e um manso, injusto para os amadores de Montemor.

Segundo da tarde com 520kg e o nº678, coube naturalmente ao cavaleiro António Prates. Um toiro de apresentação irrepreensível, mas a romper praça de forma idêntica ao anterior, algo distraído e parado, arrancando-se muito melhor ao capote, do que ao cavalo.

Brindou também António Prates a sua lide ao companheiro de cartel.

Nesta primeira lide do cavaleiro de Vendas Novas, soube arrimar-se e procurar deixar uma boa primeira impressão diante do primeiro da sua ordem, que se mostrou bem mais disponível que o anterior, ainda assim, demorou o cavaleiro a entender o toiro, as distâncias e terrenos que este pedia, ainda assim a cumprir.

Para a pega deste toiro, em praça os amadores de Vila Franca, em fim de semana de compromisso duplo, levando para a cara deste segundo Teixeira, o forcado e cabo do grupo Vasco Pereira, que brindou ao público presente. De frente ao toiro esteve bem o jovem, mas já experiente Vasco, soube citar e templar o toiro, fazendo por mandar no momento do carregar e aguentando bem o toiro, procurando reunir com simplicidade e querer, estando bem o grupo a fechar e a permitir consumar à primeira tentativa.

Novamente em praça o cavaleiro Luís Rouxinol Jr., para lidar o terceiro da tarde com 550kg e o nº708 no dorso, mais um Teixeira de apresentação digna de praça de primeira e desta feita, com um comportamento mais disponível e empregando-se mais que os anteriores, demonstrando mobilidade e vontade nas investidas. Andou bem com este seu segundo da tarde, o ginete de Pegões, mais confiante com o toiro e a procurar entender, desfrutar , tourear e retirar o que de bom havia a retirar, numa lide conseguida.

A pegar este terceiro da tarde, estiveram os amadores de Montemor, para a cara o forcado Francisco Bissaia Barreto. Na sua primeira tentativa, o toiro arrancou para o grupo logo após colocação e não desfazendo a pega, reuniu sem mandar e consequentemente não conseguiu consumar. Já na sua segunda tentativa, com o toiro novamente a arrancar de largo, teve melhor o forcado a aguentar e a gritar para o toiro e a conseguir uma reunião como manda a escola de Montemor e novamente muito bem o grupo a fechar e a consumar ao segundo intento a pega do terceiro da tarde.

Feito hoje um intervalo forçado, para regadio do piso, retomou o espectáculo.

Em praça o cavaleiro António Prates para medir forças com o quarto da tarde, um Teixeira com 560kg. Toiro de comportamento e apresentação idêntica aos anteriores, a humilhar q.b e com vontade de dar-se ao toureiro. Andou bem o cavaleiro, a procurar arrimar-se e sair bem desta sua segunda lide, consentindo um ou outro aperto, mas cumpriu no geral, terminando com um ferro de muito boa nota com batida ao píton contrário e a permitir uma reunião ajustada e de grande emoção.

Para a pega, novamente em praça os amadores de Vila Franca, avançando para a cara o forcado Pedro Silva. Esteve bem de frente ao toiro, alegrando a investida e a reunir bem com um Teixeira que vinha “a apitar”, bem o grupo a ajudar, destaque para uma extraordinária primeira ajuda.

Para a sua última lide da tarde, em praça, novamente, Luís Rouxinol Jr.

Recebeu este quinto da tarde, com 520kg, em solitário sem ninguém na arena, a querer arrimar-se nesta sua última lide. Este quinto da tarde saiu distraído e a apalpar terreno, mas o cavaleiro fez-se a ele e foi tentando tirar o que de melhor tinha o toiro, sacando do já consagrado Douro para abrilhantar a sua passagem por Vila Franca. Conseguiu nesta última lide transmitir um pouco mais, ainda assim, à imagem das atuações anteriores, faltou a explosão que vinha a colocar o ginete nos pícaros. Desculpamos hoje que este curro trouxe pouca transmissão, mas os toiros também se fazem perante os toureiros. Ainda assim, uma atuação bem rematada e a cumprir, nota para os dois últimos curtos que entusiasmaram a Palha Blanco.

Tiveram a sua última pega da tarde, os amadores de Montemor, avançando para a cara o forcado Bernardo Dentinho. Esteve bem na cara do toiro a citar de largo e com o grupo encostado às tábuas, mas a não conseguir reunir como esperado saindo da cara do toiro após o toiro sacudir o forcado antes de chegar ao grupo. Consumou à segunda tentativa igualmente bem com o toiro e a reunir melhor e com novamente uma grande primeira ajuda, fechou a atuação do Grupo de Montemor nesta tarde da Palha Blanco.

Sexto e último da tarde, um Teixeira com 475 kg e o n°691 no dorso, para António Prates. Um Teixeira com mais mobilidade e disponibilidade, permitiu ao ginete de Vendas Novas desenhar uma lide importante, com verdade e ganas de triunfo, sabendo respeitar os tempos do toiro e reunir com ajustadas batidas ao píton contrário, pena apenas para os dois ferros falhados, mas que em nada tiram o brilho desta atuação, talvez a única em que existiu um nítido entendimento e ligação entre o toiro e o cavaleiro.

Para a cara, do último da tarde, fechou praça o grupo da terra com o forcado João Matos, brindando a pega ao ex-forcado Platanito. Esteve bem o forcado de frente, a este último Teixeira, na sua primeira tentativa a aguentar dois derrotes violentos, mas a faltar grupo e a não conseguir consumar à primeira. Na segunda tentativa, esteve novamente bem em todos os momentos da pega, a mandar no toiro, a templar e a alegrar ao carregar trazendo o toiro de largo e numa investida poderosa a reunir aguentando dois derrotes até entrar o grupo e consumar. Bem!

Volta à praça ao último toiro com aclamação da Palha Blanco e  chamada do ganadeiro à praça… Por conta do último toiro?… Ai Portugal.

Fica na história uma lide bem conseguida do cavaleiro António Prates, numa tarde sem sal e que prometia muito, mas rendeu pouco.

Recolheram os toiros desta corrida, a pé, os campinos Zé Luís e Zé Manel Dias.

Texto: Francisco Potier Dias
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

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