Pedro Chagas Freitas admite erros e rejeita ser visto como exemplo: “Não me fizeram guru”, destacou o escritor.
Pedro Chagas Freitas recusou o lugar de alguém que tem respostas para tudo. Num texto publicado no Facebook, o escritor reconheceu que já magoou outras pessoas, falou da dificuldade de lidar com os próprios erros e assumiu que continua a tentar mudar.
“Não me fizeram perfeito. Não me fizeram guru. Por favor, não me vejam assim. Não me procurem para respostas, não me vejam como exemplo do que quer que seja”, escreveu.
A publicação centrou-se na distância entre a imagem que os outros podem construir a seu respeito e a forma como se vê: uma pessoa que falha, se questiona e procura fazer melhor.
“Já magoei muita gente pelos erros que cometi”
Sem identificar episódios ou pessoas, Pedro Chagas Freitas assumiu a responsabilidade por mágoas que provocou.
“Sou uma pessoa, só isso. Às vezes acerto, outras vezes falho. Falho tanto, erro tanto. Já magoei muita gente pelos erros que cometi. Culpo-me, procuro saber de onde veio aquilo, o que poderei fazer para deixar de ser aquilo que não quero ser.”
O escritor associou esse esforço de mudança à sua própria forma de viver a fé.
“Faço por falhar cada vez menos. É a minha forma de fé, também. É o que consigo fazer: ser consistentemente uma pessoa melhor. É pouco.”
Admitiu, ainda, que nem sempre consegue agir de acordo com aquilo que deseja para si.
“Queria tomar sempre as melhores decisões, queria não ceder à tentação fácil, ao momento exacto em que o mal nos acena. O Diabo está sempre nas opções que fazemos, não está? Queria ser muito melhor, mas sou frágil, vulnerável.”
“Não fiquei mais forte”
Na reflexão, Pedro Chagas Freitas afastou também a ideia de que as experiências difíceis o tenham tornado necessariamente mais forte. Sem concretizar o acontecimento a que se referia, escreveu: “Desde que me aconteceu o que me aconteceu, não fiquei mais forte; posso ter ficado mais consciente do que não quero. Já é um começo.”
Essa consciência, acrescentou, permite-lhe reconhecer comportamentos que não quer repetir.
“Sei perfeitamente quem não voltarei a ser, os erros que não voltarei a cometer. Sei o que é mais importante cada vez mais limpidamente. É daí que parto.”
O texto terminou com uma proposta que estendeu aos leitores, mantendo o tom pessoal da partilha: “Se todos partirmos do conhecimento claro de quem não queremos ser, talvez esta porra toda possa ser muito mais habitável do que costuma ser. Tentarei. Eis tudo.”
