Cristina Ferreira recorda a solidão e o cuidado da mãe com a campa da sogra, em recente entrevista num podcast.
Regressar a casa depois de uma conquista profissional e não ter ninguém com quem a celebrar foi uma das situações em que Cristina Ferreira mais sentiu a solidão. A apresentadora recordou esse período no podcast «A Que Sabe o Amor», de Ana Guiomar, onde também falou de um exemplo familiar de dedicação que a acompanha desde a infância.
Entre as ausências que sentiu na vida adulta e o cuidado que viu a mãe manter depois da morte da sogra, Cristina explicou como diferentes formas de presença marcaram a sua relação com o amor.
As conquistas que não tinha com quem partilhar
Durante a conversa, a apresentadora recuou aos anos anteriores ao namoro com João Monteiro.
“Já tive momentos muito tristes e muito sozinhos. Antes de o João aparecer na minha vida, estive sozinha 13 anos e havia dias em que o Tiago estava com o pai. Acontecia-me alguma coisa boa — ou tinha acabado de receber um prémio, ou qualquer coisa do género… Eu ia para casa e não estava lá ninguém”, contou, referindo-se ao filho e a António Casinhas.
O desconforto, explicou, surgia sobretudo quando queria dividir uma alegria com alguém: “Quando estás numa casa, queres partilhar a tua alegria e não está lá ninguém, dói um bocadinho. Foram principalmente esses os momentos em que me senti sozinha.”
Cristina distinguiu esses episódios da forma como vive o tempo consigo própria e revelou uma experiência que ainda gostaria de fazer.
“De resto, não me faz diferença alguma. Estou perfeitamente bem comigo mesma. Só não fiz uma coisa ainda que gostaria de fazer: viajar sozinha. Tenho algum receio. Não sei se vou gostar.”
Uma visita semanal que atravessa décadas
No mesmo podcast, a diretora de Entretenimento e Ficção da TVI contou que a mãe continua a cuidar da campa da sogra, falecida quando Cristina ainda era criança.
“A minha avó morreu quando eu tinha dois anos. Até hoje, a minha mãe vai ao cemitério, religiosamente, todas as semanas, cuidar da campa dela”, afirmou.
Esse hábito contribuiu, nas suas palavras, para criar “uma ligação com a morte de celebração”.
“O amor por esta sogra era tanto que ela não podia falhar-lhe, mesmo depois da morte. Até hoje. Já passaram 46 anos! Não foi uma filha, não foi ninguém que lá foi… Foi a nora que, todas as semanas, foi cuidar-lhe da campa. Acho isto tão bonito! É de um cuidado tão intenso!”, declarou a Ana Guiomar.
