José Castelo Branco: António Leal e Silva recusa ser testemunha e debate sobre Betty divide comentadores

José Castelo Branco: António Leal e Silva recusa ser testemunha e debate sobre Betty divide comentadores no V+Fama.

António Leal e Silva afirmou que recusou ser testemunha de José Castelo Branco no processo de violência doméstica que envolve Betty Grafstein. O comentador explicou no “V+ Fama”, da V+ TVI, que foi contactado pelo próprio socialite, mas decidiu não participar, invocando a amizade que mantém com ambos.

A posição foi apresentada na emissão de quarta-feira, 30 de setembro. No dia seguinte, o assunto voltou ao programa e gerou divergências sobre a leitura dos depoimentos e sobre as dificuldades que podem acompanhar a denúncia de uma relação abusiva.

“Não vou ser testemunha do José Castelo Branco”

António Leal e Silva esclareceu que a recusa foi uma decisão sua.

“Eu não vou, que fique bem claro, eu não vou ser testemunha do José Castelo Branco”, afirmou, explicando que tinha sido “solicitado” pelo socialite. “Achei que não me tenho que meter nisto.”

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O comentador justificou a posição com a vontade de deixar a avaliação para o tribunal.

“Agora é a hora da justiça e a justiça tem que ser feita por quem de direito. Que são juízes. Eu não tenho que estar a puxar nem para um lado nem para o outro. Eu sou amigo dos dois.”

Acrescentou que o caso envolve circunstâncias que não pretende desenvolver publicamente: “Isto tem muita coisa em jogo, tem muito filme em jogo, tem muita gente em jogo, tem muitas histórias em jogo que eu não vou estar a levar aqui.”

Sobre Betty Grafstein, declarou: “Em relação à Betty, eu tenho o maior carinho e admiração por ela, amizade.”

Depoimentos suscitam perguntas no estúdio

Na discussão, Adriano Silva Martins questionou se os elementos apresentados poderiam corresponder a “uma mão cheia de nada”. António Leal e Silva respondeu que cabe ao juiz “analisar se tem [fundamento]” o que foi relatado.

O comentador referiu a existência de posições opostas sobre os depoimentos: “Há uma parte, uma fação que diz que isto é um monte de nada e há outra que diz que isto é muito pé.”

Ao abordar a alegação de Betty de que sofreu violência durante três décadas, perguntou: “Mas não se lembra de quando é que foi?”

Na emissão de 1 de outubro, Adriano voltou à questão da especificidade, referindo-se ao depoimento de Marcela Fernandes: “Ela diz em tribunal que à frente dela nunca viu o José, tirando uma vez que a Betty começa a chorar e o José ralha com ela porque está a estragar a maquilhagem. Tirando isso, não há mais especificidade sobre isto.”

Estas observações correspondem à leitura dos intervenientes no programa, não a conclusões do tribunal sobre a prova.

António Leal e Silva questiona ausência de denúncia anterior

António Leal e Silva voltou a abordar o período referido por Betty Grafstein.

“Não podemos esquecer que a Betty diz que é vítima durante 30 anos. Se foi ou não foi, ela é que sabe.”

O comentador colocou depois uma série de perguntas sobre a vida da norte-americana e sobre o momento em que foram apresentadas as acusações.

“Ela teve um ano por várias vezes sozinha nos Estados Unidos, e há pessoas que levantam essa dúvida. Que havia problemas, porquê que nos Estados Unidos nunca foram levantadas questões nos hospitais? Outra questão. Porquê que ela não denunciou quando esteve sozinha? Outra questão. Porque é que o filho não interviu? Outra questão. Se ela está sozinha nos Estados Unidos, é emancipada, com dinheiro, a casa é dela, é tudo dela, se era maltratada, o que é que o Zé tinha sobre ela? É um poder emocional? Será? Não sei.”

António reiterou que não pretende tomar partido: “Eu já declarei tudo o que tinha que declarar e eu sou amigo dos dois. Claro que tenho mais contacto com o Zé, porque a Betty deixei de ter contacto com ela porque não consigo.”

Adriano Silva Martins indicou estar numa situação semelhante: “Eu também era amigo dos dois, mas agora só tenho contacto com o Zé.”

Isabel Figueira lembra dificuldade em falar sobre relações abusivas

Isabel Figueira introduziu outra perspetiva, começando por defender que o processo está no lugar adequado.

“Realmente está no sítio certo para ser julgado, está no sítio certo para as provas serem apresentadas”, afirmou.

A comentadora questionou depois a associação entre a ausência de uma denúncia anterior e a inexistência de violência: “Quantas mulheres é que vivem um relacionamento abusivo e não demonstram isso cá para fora e não falam?”

Isabel acrescentou que “muitas mulheres é que vivem num relacionamento, psicologicamente não estão preparadas para fazer uma queixa ou para contar aos amigos por vergonha”.

Sobre o que conhecia de José Castelo Branco, observou: “O José Castelo Branco tinha às vezes uma maneira muito peculiar de falar. Que às vezes chegava e não era da forma mais simpática.”

Confrontada por Adriano com o significado dessa observação, esclareceu: “Claro, isso não faz dele um agressor nem nada.”

Declarações de Betty deixam Isabel Figueira apreensiva

Isabel explicou que o relato de Betty Grafstein lhe causa preocupação, sem o apresentar como uma conclusão judicial.

“A mim como mulher custa-me muito ver uma senhora da idade dela a ter este tipo de discurso, porque dá-me a entender que durante anos viveu uma relação abusiva, porque é o que dá a entender neste momento nas suas declarações.”

A comentadora remeteu a avaliação para o processo: “Custa-me várias declarações que ela fez publicamente, se são verdade, se não são, se está a confundir, se não está a confundir, se está a delirar, se não está a delirar. Está no tribunal, está no sítio certo para isso ser avaliado. Com certeza vai ter especialistas, médicos, pessoas que possam avaliar a veracidade.”

Adriano Silva Martins voltou a questionar a falta de referências temporais concretas.

“Durante anos, em praça pública, José Castelo Branco foi completamente assassinado e diziam: lá porque a Betty tem 90 anos, a Betty está muito lúcida”, afirmou. “Então, se a Betty está muito lúcida e eu não tenho porquê de discordar, porquê é que não é capaz de dizer: olha, ano 97, ano 99, 2004, depois dele sair do ‘reality show’?”

António Leal e Silva terminou por insistir que deseja que “se faça justiça, não é a favor do Zé nem da Betty, é a favor da justiça. E que a justiça atue. E eu acredito na justiça portuguesa”.

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