Jorge Jesus abre porta a Ronaldo e Proença pede resolução “dentro de casa”

Jorge Jesus abre porta a Ronaldo e Proença pede resolução “dentro de casa” sobre a situação do capitão nacional.

Depois da vitória sobre a Noruega, o selecionador admitiu convocar o capitão em novembro, caso esteja a jogar e queira regressar. O presidente da FPF classificou o conflito como um mal-entendido, enquanto Jesus rejeitou ter motivos para pedir desculpa.

Jorge Jesus quer voltar a contar com Cristiano Ronaldo, mas colocou no jogador a decisão de regressar à Seleção. Depois do triunfo por 2-1 sobre a Noruega, no domingo, 4 de outubro, o selecionador e Pedro Proença defenderam que o desentendimento deve ser resolvido em conversa.

À RTP, Jesus apresentou a possibilidade de um regresso já na próxima concentração.

“Não sei o que vai acontecer. Por mim, está tudo em aberto. O Cris é que tem de decidir a vida dele. Na próxima convocatória, se o Cris estiver a jogar e quiser estar na Seleção, porque não? Foi um mal-entendido. Na minha opinião é fácil resolver. Não sei quando se vai resolver e vou falar com ele. O jogo acabou e só depois vamos saber como as coisas vão acontecer”, afirmou.

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“Mas é o Cris que vai decidir”

Na conferência de imprensa, o treinador desenvolveu a sua posição e reiterou a autoridade sobre as escolhas desportivas.

“Não sei o que é que o Cris pode decidir. O que tenho para dizer já o disse mas vou acrescentar. Para mim, no princípio nunca foi um caso. Foi uma coisa que achava normal como treinador. Ter um jogador com o símbolo que ele é para o país e para a Seleção… Há princípios como treinador que são inegociáveis, mas como não houve nada de especial em termos do que é a minha autoridade, para mim o Cris na próxima convocatória será, caso esteja a jogar no Al Nassr, um jogador convocável se ele quiser regressar à Seleção”, declarou.

Jesus questionou a dimensão assumida pelo episódio em que Ronaldo aqueceu sem entrar em campo.

“Não pode cobrar, na minha opinião, uma amizade de um ano numa situação que não dá para entender. Só porque foi ele criou-se, e se calhar bem porque é um símbolo, este problema todo de entrar, aquecer, não entrar. Quantos hoje aqueceram e não entraram? Vai haver algum problema? Não. Com o Cris é diferente, é o símbolo. Mas é um problema? Para mim não foi problema”, afirmou.

“Se o Cris quiser e estiver a jogar no Al Nassr, na próxima convocatória vai estar dentro. Falámos antes desta convocatória e podemos falar antes da próxima. Mas é o Cris que vai decidir”, acrescentou.

Selecionador revela que Ronaldo estava previsto para o Dragão

Questionado sobre a possibilidade de uma despedida em ambiente de festa, Jesus concordou com a posição anteriormente expressa por Bruno Fernandes.

“Aquilo que o Bruno Fernandes disse, concordo completamente. Essa também era a minha ideia. Uma das coisas que disse ao Cris era que não podia acabar de jogar na Seleção no Campeonato do Mundo a perder e a chorar. Tinha de acabar na Seleção a jogar. Por isso é que foi jogar no primeiro jogo no Estádio de Alvalade, era para jogar hoje aqui. Mas face ao que aconteceu, tudo foi diferente”, revelou.

O treinador voltou, contudo, a separar esse desejo das decisões técnicas.

“Eu sou selecionador, convoco quem quero. Não pergunto a ninguém quem quer, não pergunto a ninguém quem vai jogar. Há vários momentos e vários princípios que são inegociáveis. Portanto, mais claro do que isto, sei lá, não posso ser”, afirmou.

Sobre a necessidade de resolver o assunto antes da convocatória seguinte, respondeu: “Não passa por mim. Para se ter um acordo com duas pessoas, é preciso as duas pessoas falarem e acordarem. Isso não passa por mim.”

“Jogando ou não jogando, preciso de ti”

Jesus recordou a dimensão de Ronaldo junto dos adeptos mais novos e criticou a intervenção de terceiros na polémica.

“Eu também partilhei ao longo de um ano tudo o que é o símbolo e marca que é o jogador Cristiano, principalmente para as crianças. É uma referência mundial. Por isso é que depois do jogo disse que o Cris só não volta à Seleção se ele não quiser. A mim não se coloca. O tema que houve entre mim e ele foi precipitado. Houve muitas pessoas que se meteram no caso que fizeram que isto parecesse um problema, que não teve problema nenhum”, declarou.

O selecionador reafirmou a vontade de o ter no grupo.

“Um treinador pôr um jogador, e ele é diferente com estatuto, a aquecer e não entrou deu este problema. Acham que é motivo para o símbolo que o Cris é, acabar assim de uma maneira para a outra? Eu quero que ele esteja. Ele sabe que vai acabar, isto não dura para sempre. Mas gostava que ele acabasse na Seleção como ele quer. Ele é que vai decidir. Foi assim que falámos. Na primeira convocatória eu disse-lhe ‘preciso de ti’. Jogando ou não jogando, preciso de ti. E agora é a mesma coisa”, afirmou.

Jesus rejeita pedido de desculpas

Confrontado com o tema de um pedido de desculpas, o treinador foi categórico.

“Não peço desculpas a ninguém. O problema que gerou isto tudo foi o jogador estar a aquecer. Ponho o ónus na decisão e naquilo que aconteceu. Mas pedir desculpa de quê? A quem? Isso é mentira. Desculpa do quê? Qual era o tema para pedir desculpa?”, questionou.

Proença: “Temos de prestar a vénia a Cristiano Ronaldo”

Também à RTP, Pedro Proença recusou revelar o conteúdo das conversas entre o capitão e o selecionador.

“Esses esclarecimentos eu não vou dar, são conversas absolutamente normais entre treinadores e jogadores. É uma área técnica, um presidente da Federação não se envolve nestas questões. Estamos a falar do melhor jogador de todos os tempos, de um jogador que tem dado mais de duas décadas ao futebol português. Cristiano Ronaldo hoje representa o símbolo maior da portucalidade, temos de prestar a vénia a Cristiano Ronaldo”, afirmou.

O presidente da Federação Portuguesa de Futebol sustentou que a presença do avançado depende do mérito desportivo.

“Ele está na Seleção Nacional por mérito desportivo próprio e isso tem de ser absolutamente inquestionável. Ele fará sempre parte deste grupo de trabalho sempre que tecnicamente estiver capaz. O Cristiano sabe disso, sabe que esse é o sentimento. Sobre o tema em concreto deixe-me dizer que estamos perante um mal-entendido que tem de ser resolvido dentro de casa”, declarou.

Presidente destaca ligação dos jogadores ao capitão

Proença apontou as declarações dos internacionais como sinal da relação que mantêm com Ronaldo.

“Hoje os jogadores mostraram essa relação umbilical com o nosso atual capitão. Ronaldo faz parte da nossa Seleção, é a nossa bandeira, foi o capitão no primeiro destes quatro jogos e ainda há pouco o mister Jesus disse que conta com Cristiano se ele estiver em condições físicas. Isso acontece com todos os jogadores”, afirmou.

“Ronaldo é uma marca portuguesa, é um jogador absolutamente extraordinário que podia ter terminado a sua carreira no Campeonato do Mundo e não o quis fazer pelo amor que tem pela Seleção. Eu sou testemunha desta relação que o Ronaldo tem com o povo português e com a nossa Seleção”, acrescentou.

Sobre o silêncio dos últimos dias, explicou: “Era importante ter terminado com tranquilidade estes quatro jogos, porque o tema desportivo era o que nos guiava. Vamos ter tempo, tranquilidade para nos sentarmos todos e resolvermos aquilo que é um mal-entendido. Volto a reiterar: Cristiano Ronaldo faz parte do nosso património e estará cá sempre se o mister assim o quiser.”

Objetivo é reencontro em novembro

O dirigente rejeitou a ideia de falta de regras dentro da Seleção.

“De certeza que não está a ser uma casa sem regras. Estas dinâmicas acontecem dentro de um grupo de trabalho. A FPF, com toda a tranquilidade, resolve as situações dentro da sua própria casa”, garantiu.

“Volto a reiterar: felizmente existe uma relação muito forte entre Ronaldo e Jesus, eu sou testemunha disso, porque se assim não fosse… sejamos muito claros se calhar Ronaldo já tinha abandonado a Seleção. Não o faz por esta relação e respeito. Tudo o que vai acontecer nos próximos dias vão ser momentos de tranquilidade, de conversa, discussão e o que queremos é que em novembro possamos estar todos novamente com a nossa Seleção”, concluiu.

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