Ronaldo: Joana Latino e Zulmira Garrido criticam comunicado e Dolores pede calma, após toda a polémica.
O “Passadeira Vermelha” questionou os entendimentos descritos pelo capitão e a exposição do conflito com Jorge Jesus. No “V+ Fama”, a entrevista de Dolores Aveiro motivou uma análise centrada na preocupação da mãe do futebolista.
O comunicado de Cristiano Ronaldo voltou a dividir os espaços de comentário televisivo. No “Passadeira Vermelha”, Zulmira Garrido considerou que o texto não ajudou o jogador, enquanto Joana Latino criticou o papel que o capitão descreveu ter nas decisões da Seleção.
“Em relação ao comunicado, acho que o nosso querido Cristiano valia mais ter estado calado. Não sei quem escreveu isto. Claro que ele aprovou, mas quem escreveu, quer dizer, escreveu mal. E não abonou nada em defesa dele, em defesa do Cristiano, que era uma coisa que ele queria fazer. Ele quer redimir-se”, afirmou Zulmira no programa da SIC Caras.
A comentadora reconheceu os pedidos de desculpa, mas distinguiu-os da postura perante o selecionador.
“Embora exista quem consiga ver a humildade e os pedidos de desculpa. Sim, em relação aos portugueses, não em relação à federação e ao selecionador em si. Ele do selecionador exige. Acha que ele lhe peça desculpas porque lhe falhou, porque lhe mentiu, porque faltou à palavra, etc.”
Esta foi a interpretação de Zulmira. No comunicado, Ronaldo sustentou que as notas preparadas para a intervenção de Jesus não exigiam um pedido de desculpas.
Zulmira explica por que razão um treinador pode mudar de decisão
Recordando os anos em que acompanhou o futebol durante o casamento com Jesualdo Ferreira, Zulmira defendeu que um plano de utilização pode mudar durante uma partida.
“Naquilo que estou habituada e estive durante 33 anos ligada ao futebol por interposta pessoa… Quer dizer, um selecionador ou um treinador não tem palavra. O que isto quer dizer? Não quer dizer que ele não tenha palavra, não é, na verdade, a exceção da palavra, mas tudo tem a ver com o decorrer do desempenho do atleta, do jogo em si. Tudo pode mudar de um minuto para o outro. É muito difícil um treinador antecipar, seja o que for, em relação a um atleta.”
Liliana Campos questionou, por isso, a existência de compromissos tão específicos.
“E o Jorge Jesus já é treinador há tantos anos. Por que foi combinar uma coisa destas? Não o devia ter feito porque todos sabemos que é impossível para um treinador que adora futebol como… Com o selecionador, com uma pessoa que adora futebol, como o Jorge… Que adora futebol, mas que tem as suas próprias regras.”
“Não aceita regras de ninguém”, acrescentou Zulmira.
A apresentadora insistiu: “Por que combinou que ele ia entrar… Se fosse só uma coisa de apalavrado… Olha, agora, segundo as conversas do Ronaldo, parece que jurou a pés juntos.”
Zulmira considerou que a questão poderia envolver outras pessoas: “Mas isto aqui eu penso que não terá sido só com o selecionador. Eu penso que isto tem a ver também com o staff da federação.”
Joana Latino questiona o poder descrito no comunicado
Joana Latino centrou a intervenção no conteúdo das conversas tornadas públicas por Ronaldo.
“Eu acho que tu disseste esta frase-chave em relação a isto do Cristiano Ronaldo, que é este comunicado só revela coisas que não podiam acontecer e que, se eventualmente acontecem, nós não deveríamos saber que acontecem porque é eticamente errado, moralmente errado.”
A comentadora mostrou-se particularmente crítica da influência que interpretou no relato do jogador.
“Nem tenho o adjetivo para qualificar o que senti quando li o comunicado, porque, aparentemente, a escolha do selecionador depende da aprovação do Cristiano Ronaldo, o número de jogos e o tempo que ele joga depende do Cristiano Ronaldo e o Cristiano Ronaldo faz tudo bem e as pessoas é que têm que se moldar àquilo que ele acha que é a realidade certa para uma seleção.”
Joana considerou ainda que a análise do presente deve ser separada do reconhecimento pelo passado.
“Há alguém que, se calhar, não está a ter noção de que já não tem em campo o valor que tinha há dez anos, há cinco anos.”
E acrescentou: “É estar a dizer que, neste momento, face aos outros jogadores, às outras equipas, a tudo o que está em causa numa competição de futebol, o Ronaldo já não é um jogador extraordinário, porque se fosse, estava a jogar no Paris Saint-Germain, não estava a jogar no Al-Nassr.”
“A situação está toda partida ali dentro”
Joana Latino terminou criticando os pontos que Ronaldo disse ter validado para o esclarecimento do selecionador.
“Eu fico com muita vergonha deste comunicado e acho que cai até no ridículo quando aparecem frases como o selecionador tem que ir para a conferência de imprensa e dizer que eu sou o melhor do mundo, que sou o que tira mais selfies, que dá mais autógrafos, que sou o Pelé e o Maradona.”
Liliana Campos também censurou a exposição: “Só que o Ronaldo só nos mostra coisas que não podem acontecer. E também não deviam vir cá para fora. Muito menos deviam vir cá para fora. A pessoa vê este comunicado e fica com vergonha alheia.”
Zulmira antecipou dificuldades na recomposição das relações.
“A situação está toda partida ali dentro. Na federação, neste momento, vai ser muito difícil este puzzle voltar a juntar-se bem. Porque isto está cada peça para seu lado. E vai ser muito difícil, infelizmente, para nós.”
A comentadora associou ainda o conflito a interesses comerciais e alegou que patrocinadores, incluindo a Puma, tinham ameaçado sair. Na intervenção reproduzida não apresentou elementos que confirmassem essa afirmação.
Apesar das críticas, Zulmira acredita no regresso: “Se o final da carreira fosse realmente como deveria ser e como ele merecia acabar, porque ele merecia acabar de outra forma, não assim. Não desta maneira. Eu penso que ele vai voltar à seleção.”
Entrevista de Dolores emociona painel do V+ Fama
No “V+ Fama”, o debate partiu das declarações de Dolores Aveiro à TV 7 Dias. A mãe de Ronaldo falou da tristeza com o episódio e aconselhou o filho a “ter calma”.
Adriano Silva Martins destacou a importância desse testemunho: “É um testemunho que faltava, porque é a mãe de Cristiano Ronaldo, uma mulher que teve muita e que tem muita influência na vida do melhor do mundo.”
António Leal e Silva mostrou-se “encantado, sensibilizado com esta entrevista”.
“É a entrevista de uma mãe, de uma grande mãe, de uma mulher autêntica, verdadeira, honesta, que fala com o coração, sem filtros. Sem rodeios, sem tendência.”
O comentador insistiu na possibilidade de resolução: “Calma, isto tudo se vai resolver. Cristiano, tem calma. Houve, não correu bem, mas vai correr. Tudo tem remédio. Só uma coisa que não tem remédio é a morte.”
Cláudia Jacques destacou que Dolores “mostrou de facto a sua tristeza” e “chegou a chorar um bocadinho com esta situação toda”. Questionou, contudo, a ideia de falta de reconhecimento pelo jogador, defendendo que “Portugal em peso dá muito valor ao Cristiano”.
