Cláudia Jacques questiona regresso de Ronaldo: “Então e os outros, o que é que são?”

Cláudia Jacques questiona regresso de Ronaldo: “Então e os outros, o que é que são?”, afirmou no programa V+Fama.

As declarações de Elma Aveiro sobre uma alegada “traição” ao irmão dividiram o painel do “V+ Fama”. Enquanto Isabel Figueira e António Leal e Silva defenderam a posição da empresária e apelaram ao reconhecimento pelo percurso de Cristiano Ronaldo, Cláudia Jacques insistiu que uma eventual reconciliação com a Seleção também depende de Jorge Jesus.

O debate partiu de uma entrevista de Elma à TVI e à CNN Portugal, na qual a irmã do jogador mostrou dúvidas sobre o regresso do capitão. No estúdio do V+ TVI, a discussão passou da atitude de Ronaldo à forma como a família comunica publicamente sobre o conflito.

Elma Aveiro fala em “homens magoados”

Nas declarações exibidas pelo programa, Elma começou por lamentar o momento vivido pelo irmão: “Muito complicado ver o meu irmão passar por isto, porque ele, das pessoas que menos merecia, era o meu irmão.”

Questionada sobre a possibilidade de o avançado voltar à equipa nacional, mostrou-se pouco otimista.

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“Está mais que não do que sim. Ele disse porque tinha que dizer alguma coisa, mas o pensar é outro. Porque acho que são homens magoados. Isso foi uma situação que foram eles que viveram, não fui eu. Eu falo pelo meu irmão. E acho que está uma situação ali estancada. Vamos ver o que é que vai dar. A gente quando somos traídos, depois para voltar ao normal é complicado.”

Perante uma pergunta sobre a atuação de Jorge Jesus, acrescentou: “Então vocês não viram as coisas como é que foi? Acho que foi uma traição entre eles. O meu irmão ultrapassa sempre as coisas porque é grande.”

Isabel Figueira pede gratidão pelo percurso do jogador

Depois da entrevista, Adriano Silva Martins considerou que Elma tinha adotado uma postura mais contida do que aquela que por vezes demonstra nas redes sociais.

“Oxalá ela fosse assim contida sempre, porque nas redes sociais é com cada tiro. E aqui esteve bem, eu considero que aqui esteve muito bem”, afirmou.

Isabel Figueira concordou e defendeu que a proximidade familiar explica uma leitura diferente da situação.

“As declarações dela até foram simpáticas dentro daquilo que poderia ser e daquilo que ela realmente possa achar relativamente a este caso. Acho que qualquer familiar do Cristiano sente as coisas de maneira diferente de nós, que podemos ter pelo menos uma imparcialidade um bocadinho maior. O caso não é um caso fácil. Também acho que não é justo alguém que teve um percurso formidável e que elevou o nome de Portugal e que também elevou o nome de Portugal além-fronteiras terminar uma carreira desta maneira. Acho que todos nós também queremos ver, tal como Messi, ver o Cristiano Ronaldo a terminar em grande.”

Após António Leal e Silva afirmar que “ele merece isso”, Isabel acrescentou: “Merece também o nosso obrigado, merece a nossa gratidão. E que a Elma foi justa naquilo que acha, naquilo que pensa, foi simpática. Para ela é uma traição. Também não quis alongar muito mais porque pode haver aqui uma volta do irmão à seleção, e qualquer palavra que possa ser dita agora é chato se ele realmente voltar e terminar.”

“Não podemos ficar só presos ao passado”

Cláudia Jacques apresentou uma posição diferente, considerando que o reconhecimento pelo passado não impede a crítica a uma atitude presente.

“Mas não podemos ficar só presos ao passado, porque o presente existe e o que aconteceu foi agora. E uma coisa não impede a outra. A pessoa pode ter tido um passado fantástico, mas teve uma atitude reprovável agora. E da mesma maneira que tem que ser o Cristiano a decidir se quer voltar, o Jorge Jesus também tem que decidir se o quer de volta. Vamos só focar-nos no aspeto de se ele quer ou não? Estamos sempre a pôr o ónus no Cristiano. O Cristiano tem direito de sair quando quer, virar as costas, depois tem o direito de voltar quando quer, então e os outros, o que é que são? São os badamecos que andam ali e andam às ordens de Cristiano? Desculpa a minha franqueza.”

Sobre Elma, reconheceu uma mudança de tom: “E a Elma, ok, falou com alguma contenção, dado aquilo que estamos habituados a ver quando ela escreve nas redes sociais. Ainda bem que teve essa contenção, porque senão prejudica cada vez mais a imagem do irmão. Nota-se claramente que está em defesa do irmão, como sempre esteve.”

A possibilidade de uma reconciliação

Isabel Figueira manteve em aberto os dois cenários, defendendo que o tempo será determinante.

“O que eu acho é que da maneira como foi, independentemente, o irmão até pode, o Cristiano até pode ultrapassar e terminar a sua carreira ali em grande. Se é difícil, eu acho que é, pela maneira como saiu, pelas notícias que estão cá fora. Se é possível ele sair de vez, também é. Se é possível voltar, também. Eu acho que o tempo vai nos dar estas respostas todas que nós também queremos. Acho que nós queríamos e queremos todos ver o Cristiano pelo menos a terminar a sua carreira em grande, com a gratidão que merece. Acho que nós às vezes somos um bocadinho injustos na maneira como, e às vezes a Cláudia diz que não. Não sei, acho que às vezes é um escrutínio tão grande e acho que temos que ser mais agradecidos a quem realmente fez um trabalho formidável.”

Adriano Silva Martins respondeu: “Mas acho que todos somos agradecidos e todos querem o melhor.”

Cláudia critica a forma como Elma se explicou

Outro ponto de divergência foi a expressão usada por Elma ao afirmar que falava pelo irmão. Para Cláudia Jacques, a formulação pode confundir uma opinião pessoal com uma mensagem transmitida em nome de Ronaldo.

“É óbvio que a família vai sempre defender, e bem, porque é o papel da família, é tentar defender com os argumentos que pode. Também temos que ter cuidado, não cair totalmente no ridículo. Mas depois, como lhe fazem várias perguntas, ela não está bem preparada para manter a sua posição do princípio ao fim. Porque quando diz: ‘eu não estava lá, não fui eu que vivi essa situação, é com eles’. Mas depois diz: ‘eu vou falar e vou falar pelo meu irmão’.”

O apresentador interpretou a frase de outra forma: “Mas se está a falar, tem que falar por ela, não é pelo irmão. Eu acho que quando ela diz ‘vou falar pelo meu irmão’, eu acho que ela está-se a referir ao sentimento de irmã, não que está a falar pela boca do irmão. Está bem, certo, sim.”

Cláudia insistiu no efeito da escolha de palavras: “Acho que o problema de português faz uma má comunicação e uma má comunicação gera mais confusões.”

“Quanto menos falasse, melhor lhe ficava”

A comentadora reconheceu a contenção de Elma, mas considerou que a intervenção poderia ter sido ainda mais breve.

“Estamos a comentar o discurso dela. Também acho que é uma coisa, mas que disse, disse. Disse de uma maneira errada aquilo que queria dizer. Estamos a comentar que foi mais contida no sentido, não seja eu uma formada em letras, disse que realmente foi mais contida, não usou palavrões nem expressões mais grosseiras. Ainda assim não se soube explicar, expressar muito bem, porque diz-se e desdiz-se. Agora, fez o papel de uma irmã, é aquilo que estávamos a dizer. Acho que até quanto menos falasse, melhor lhe ficava. Eu acho que até devia ter falado menos ainda, porque qualquer coisa que diga agora era aquilo que estavas também tu a dizer, não é? Que possa depois ele querer voltar, as pessoas depois ficam cativas do que disseram. Algumas, outras não, não suportam nada, dizem hoje e amanhã fazem o contrário.”

Adriano relativizou o impacto da entrevista quando comparado com o comunicado do próprio jogador: “Mas os mísseis que enviou para a seleção e para o Jorge Jesus foram mísseis muito certeiros. E não sei se não são muito mais fortes do que estas declarações da Elma, que diz, ok, no seu entender, que é uma traição e que é muito difícil voltar-se a confiar quando há uma traição.”

Traição ou decisão do selecionador?

Cláudia Jacques recusou que a interpretação da família fosse apresentada como a única leitura possível do sucedido.

“Pronto, e há uns que não veem isto como uma traição, que veem isto como uma estratégia de jogo e que não está em questão o estar com o irmão. Então é a opinião da Elma. Para ela isto é uma traição porque vai corroborar com aquilo que o irmão pensa ou sente. Agora quem ouve pode concordar ou não. Uns veem como uma traição, outros não. Outros veem como uma decisão de um selecionador num jogo em que está a correr bem e que achou que estar a interromper o jogo para meter um elemento não era necessário.”

A comentadora também sublinhou que o próprio Ronaldo “não pôs fora de hipótese voltar”, apesar das críticas que dirigiu à situação.

António Leal e Silva defende a autenticidade de Elma

António Leal e Silva manifestou solidariedade com a empresária e considerou excessivo o peso dado à forma como se expressa.

“Em relação à Elma, eu estou totalmente em solidariedade com a Elma. Acho que a Elma esteve muito bem, acho que as declarações foram interessantes, até acrescentam um bocadinho, porque ela acaba por dizer que ela, enquanto irmã, e eu percebi o que a Cláudia disse, mas aqui há um problema de português, o que ela quer dizer é: ‘eu só posso falar enquanto irmã, e enquanto irmã eu acho que ele não volta’.”

O comentador prosseguiu: “Pronto, a Elma tem uma forma de falar muito própria, e eu acho às vezes até de mau gosto, não estou a dizer que tenha sido aqui, estou a falar de forma generalizada, aquelas críticas que eu oiço… Ela nunca teve pretensões a ser licenciada, nem doutorada em coisa nenhuma. É uma mulher que fala com verdade, com autenticidade e com o coração. E fala da boca para fora, sem filtros. Se funciona, se não funciona, é um problema dela. Pelo menos tem uma coisa que eu gosto: não é pretensiosa nem pseudointelectual. Que eu acho isso maravilhoso, que é o que há mais por aí, é gente pretensiosa armada ao pingarelho.”

“Eu acho que ele não volta”

Sobre o futuro de Ronaldo, António Leal e Silva mostrou-se pouco convencido de que exista um regresso: “Eu acho que ele não volta, é a minha opinião, porque ele para voltar não tinha feito aquele comunicado.”

Quanto a Elma, defendeu que deveria manter a sua forma de estar.

“Acho que ela esteve bem, foi a Elma a ser Elma e nós temos que deixar a Elma ser Elma. Porque no dia em que a Elma não queira ser a Elma e queira ser outra pessoa, vai perder a sua essência. A Elma é assim, diz, fala, sente, manda para fora. É assim que ela funciona e acho que funciona bem. Quem não gosta, temos pena.”

Para ilustrar essa personalidade, recordou uma resposta que lhe atribuiu nos Globos de Ouro, quando foi questionada sobre o vestido: “Eu ia na rua, olhei, gostei, podia comprar, comprei, e a mim tudo me fica bem.”

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