Tânia Laranjo questionou as transformações no Rossio e no centro de Lisboa, numa reflexão sobre rendas, comércio e salários publicada esta segunda-feira, 19 de outubro, no Facebook. A jornalista, que tem acompanhado os protestos pela habitação no local, partiu da proximidade entre uma loja de luxo e uma loja de recordações para levantar dúvidas sobre a economia daquela zona da cidade.
“Por causa da acampanada e das manifestações, tenho estado todos os dias no Rossio. E há uma coisa que não me sai da cabeça. Temos uma loja de luxo e, mesmo ao lado, uma loja de ímanes. Uma vende artigos que custam milhares de euros, a outra recordações para pôr no frigorífico. E as duas pagam renda no mesmo sítio. Ou não? É que desconfio de que o senhorio não aceita ímanes como pagamento”, escreveu.
Sem apresentar valores de rendas ou dados sobre os negócios, Tânia Laranjo usou o contraste entre os dois estabelecimentos como ponto de partida para uma reflexão mais ampla sobre o que observa durante as deslocações ao Rossio.
Salários e trabalho na restauração também levantam perguntas
A jornalista voltou depois a atenção para os restaurantes, questionando as condições oferecidas aos trabalhadores e os motivos para a presença de mão de obra estrangeira.
“Depois há os restaurantes. A maioria dos trabalhadores não é portuguesa. E aqui há duas hipóteses: ou não há portugueses disponíveis para estes empregos, ou há, mas os salários não chegam para convencer ninguém. Ou será que a mão de obra estrangeira fica mais barata?”
A observação foi apresentada como uma leitura pessoal da realidade que tem encontrado, acompanhada por perguntas sobre os salários praticados no setor.
Na mesma publicação, Tânia Laranjo criticou o rumo da transformação comercial e turística da capital.
“Entretanto, o centro de Lisboa transforma-se num cenário para turistas, as lojas tradicionais desaparecem e as rendas continuam a subir.”
“A maior manifestação devia ser contra as coisas que não batem certo”
O acompanhamento dos protestos pela habitação serviu também de contexto para o apelo final da jornalista, que defendeu a necessidade de explicações sobre o funcionamento da economia local.
“Estou todos os dias no Rossio a acompanhar os protestos e começo a achar que a maior manifestação devia ser contra as coisas que não batem certo. Porque há qualquer coisa nesta economia que alguém devia explicar. E não, não aceito ímanes como resposta.”
