Aldina Duarte criticou a intervenção policial nos protestos pela habitação e a forma como os manifestantes foram retratados. Numa publicação no Instagram, a fadista denunciou a falta de diálogo com os movimentos de cidadãos e partilhou uma imagem com a frase “Cheira a ditadura”.
Fotografia: Diogo Nora
A artista associou à publicação as contas dos movimentos Acampada de Lisboa e Acampada do Porto, deixando críticas ao poder político e ao discurso sobre a atuação das autoridades.
“Assim se reduz uma manifestação pacífica e justa de milhares de pessoas a um acontecimento de ‘arruaceiros’. Está normalizado o discurso da eficiência policial e da autoridade do poder político”, escreveu na legenda.
“Não há diálogo com os movimentos de cidadãos”
Aldina Duarte apontou o que considera ser uma diferença no tratamento dado às reivindicações dos manifestantes e às forças policiais.
“Não há diálogo com os movimentos de cidadãos, apenas com as forças de autoridade ao serviço do governo”, afirmou na mesma publicação.
Num tom irónico, a fadista condensou depois as respostas que critica perante as dificuldades no acesso à habitação e os baixos salários: “Querem casas emigrem ou deixem as faculdades e vão trabalhar. Ordenados baixos, aguentem-se.”
A legenda terminou com uma referência à retirada das tendas do Rossio: “Pronto, a praça do Rossio está pronta para a feira e a iluminação do natal, foi limpinha.”
Fadista critica também o relato sobre o Rossio
Além da imagem inicial, com a frase “Cheira a ditadura”, Aldina Duarte publicou outros dois textos sobre fundo negro.
Num deles, prolongou a crítica à distância entre governantes e manifestantes, recorrendo novamente à ironia: “Esta gente de segunda precisa de saber quem manda, ninguém desce do pedestal da governação para falar com esta malta que não quer trabalhar.”
Na última imagem, a artista centrou-se no discurso jornalístico sobre a intervenção policial: “A polícia foi muito paciente e eficiente, o Rossio está impecável, ninguém diria que houve aqui uma manifestação, diz o jornalista.”
A publicação não identifica o jornalista nem o órgão de comunicação a que se refere. A crítica de Aldina Duarte dirige-se à valorização da ordem reposta na praça, depois de um protesto cujas reivindicações considera justas.
