Ana Abrunhosa critica articulação do Governo após cheias em Coimbra e deixa alerta urgente

Ana Abrunhosa critica articulação do Governo após cheias em Coimbra e deixa alerta urgente, na entrevista de hoje.

Tempestades provocam danos graves no concelho

Ana Abrunhosa esteve esta manhã no programa Dois às 10, da TVI, à conversa com Cristina Ferreira. A autarca fez um ponto de situação sobre os efeitos do recente comboio de tempestades em Coimbra.

Entretanto, o concelho enfrentou o transbordo do rio Mondego. Além disso, registaram-se danos em infraestruturas, o colapso de parte da A1 e a evacuação de lares e habitações em risco.

Segundo explicou, acompanhou a crise no terreno. Ainda assim, sublinhou que os desafios permanecem, sobretudo para as populações mais afetadas.

Crítica à coordenação governamental

Por outro lado, Ana Abrunhosa deixou reparos à forma como foi conduzida a articulação governamental durante a emergência. Apesar de demonstrar consideração institucional, considerou que faltou coordenação prévia.

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“A senhora Ministra do Ambiente, sempre que vai, reúne connosco com tempo e depois, quando falamos à comunicação social, estamos completamente articulados, fala à comunicação social depois de nos ouvir. Mas, volto a dizer, considero muito o senhor Ministro, considero que deveria ter havido uma reunião previamente para nos ouvir, até para saber o que comunicar. A reunião houve depois, foi na inversão”, afirmou.

Assim, defendeu que, em momentos críticos, os autarcas devem ser ouvidos antes de qualquer comunicação pública. Para a presidente da câmara, essa articulação é essencial para garantir clareza e eficácia.

Apoio urgente aos agricultores afetados

Além das questões institucionais, a autarca alertou para o impacto económico das cheias. Em particular, destacou a situação dos agricultores que perderam o sustento.

“Portanto, a minha atitude foi para dizer, nós temos que ser ouvidos, as medidas têm que ser adequadas, nós estamos com agricultores que não vão poder reerguer-se nos próximos tempos e são situações muito, muito graves”, reforçou.

Dessa forma, insistiu na necessidade de respostas rápidas por parte do poder central. Para Ana Abrunhosa, reconhecer os prejuízos não é suficiente sem medidas concretas.

Da infância em Angola ao choque na Beira-Alta

Contudo, a entrevista não se ficou pela atualidade política. Cristina Ferreira quis conhecer o lado mais pessoal da convidada.

A presidente confirmou que a sua firmeza vem de cedo. Recordou a mudança de Angola para o interior da Beira-Alta, quando tinha apenas cinco anos.

“Nasci em África mas recordo muito pouco, vim com 5 anos. Portanto, eu recordo muito pouco, mas recordo o choque de chegar à Beira-Alta. Em primeiro lugar, desconhecia aquela realidade de animais nas ruas e eu assustava-me. Depois tive um ano para entrar em casa da minha avó, porque em África não havia lareiras e na Beira-Alta, na altura, as lareiras eram uns buracos ao fundo da cozinha, pretos”, partilhou.

Apesar do impacto inicial, guarda memórias felizes dessa fase.

“Então, lembro-me que eu não entrava em casa das minhas avós porque, estou a falar do interior da Beira-Alta. Mas fui muito feliz, porquê? Porque andava na rua, porque tinha uma liberdade que não tinha. Em crianças, não sentimos o frio. Íamos a pé para a escola, fazíamos cerca de dois quilómetros e tínhamos uma professora maravilhosa, muitas das vezes chegávamos completamente encharcados. Era o que era na Beira-Alta”, recordou.

Emancipação aos 15 anos

Por fim, Ana Abrunhosa falou da decisão de sair de casa ainda adolescente para continuar os estudos. A ambição levou-a para a Guarda numa fase exigente da vida.

“E que queria sair. E, portanto, saí aos 15 anos, também numa altura em que havia o antigo nono ano, saí para a Guarda, um município muito fechado, foi muito difícil. Sobrevivi, vivi sozinha a partir dos 15 anos. Sozinha. Sempre com o carinho muito grande da minha mãe, que é sempre a pessoa muito especial, todos temos uma pessoa muito especial da nossa vida”, concluiu.

Dessa entrevista ficou o retrato de uma autarca determinada. Entre a gestão da crise em Coimbra e as memórias de infância, Ana Abrunhosa mostrou firmeza e emoção em direto.

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