Texto de Luís Santos
É já amanhã que começa a prova rainha do ciclismo internacional, o 112º Tour de France, a prova decorre entre os dias 5 e 27 de julho, com o regresso de um traçado mais “tradicional” devido a este ser inteiramente em solo francês, algo invulgar nos últimos anos. Nas 21 etapas que se irão disputar serão percorridos 3320km.
A Grand Depart será em Lille (uma zona muito ventosa e com estradas expostas), com uma primeira etapa que terá os homens rápidos do pelotão como favoritos, o que significa uma rara oportunidade de um sprinter envergar a mítica camisola amarela, com Jasper Philipsen, Jonathan Milan e Tim Merlier a serem os favoritos à vitória de etapa. A primeira semana de competição será o sonho dos puncheurs e sprinters presentes, com diversas oportunidades para estes levarem pelo menos uma etapa para casa. A verdadeira montanha irá surgir só na etapa 12, pelo que até lá todas as etapas serão quase como uma clássica. Espera-se por isso um pelotão com algum nervosismo inicial sem grandes diferenças até à etapa 10.
Em suma, é uma Volta a França com um percurso para todos os gostos e com etapas que se espera que proporcionem um grande espetáculo. Com várias etapas de média montanha, um contra-relógio para os puro especialistas e com a alta montanha condensada na parte final do Tour, é aí que se espera todas as decisões. Contamos assim, com 6 etapas para os puros sprinters, um CRI plano, uma crono-escalada, 5 chegadas em alto na alta montanha e outra com um final um pouco mais acessível. As restantes 7 etapas parecem destinadas aos puncheurs ou então para a fuga.
Os Favoritos:
Red Bull – BORA – hansgrohe: Um bloco que revela pouca confiança em Primoz Roglic, provavelmente o “assumir” que não estão aqui a lutar pela vitória nem pelo pódio. Os dois supostos objetivos da equipa são a geral e os sprints, mas em 8 ciclistas apenas três se adaptam verdadeiramente à alta montanha, sendo que Roglic é o líder da equipa e Lipowitz está num excelente momento de forma, talvez apresentar-se-á melhor que o esloveno, apenas Vlasov ajudará estes dois. Apesar de tudo isto, o esloveno tem de ser sempre considerado um dos favoritos à vitória devido ao seu palmarés e passado em grandes voltas, apesar do seu “azar” no Tour. Talvez o Top 10 final já seja um bom resultado, visto que vem de queda no Giro.
Soudal Quick-Step: Remco Evenepoel é a jóia da coroa da Soudal, sendo que a equipa belga traz também Tim Merlier como um dos favoritos à classificação dos pontos, mas com um comboio curto. Remco traz uma equipa a pensar em si principalmente, vem com o objetivo de repetir o pódio do ano passado mas sempre a olhar para os dois primeiros lugares da classificação, aparenta mostrar menos fragilidade na alta montanha do que o ano passado, mas mesmo assim o pódio seria já um bom resultado para o belga.
Team Visma | Lease a Bike: Jonas Vingegaard comanda as “abelhas” neste Tour, o bicampeão terá de enfrentar Tadej Pogacar naquele que será o principal duelo destas 3 semanas, vem com melhor preparação que o ano passado e com a sua tendência para subir de forma ao longo da competição e a alta montanha concentrada nas últimas etapas, pode ser um percurso que o favoreça mas mesmo assim não será fácil. Aguarda-se espetáculo na luta pela vitória do Tour.
UAE Team Emirates – XRG: Um bloco fortíssimo em torno de Tadej Pogacar, o grande favorito à vitória e assim juntar um quarto Tour de France ao seu palmarés. Com a confiança em alta depois de derrotar os seus rivais diretos (com alguma facilidade) no Dauphiné e com uma temporada onde quase só sabe ganhar tem de ser assim considerado o principal favorito à vitória, será também provavelmente um dos nomes que dará mais espetáculo com o seu estilo ofensivo. Com João Almeida como seu principal escudeiro, no excelente momento que está depois de 3 vitórias em provas de 1 semana no World Tour, deverá também ter as suas oportunidades para tentar uma vitória de etapa, sendo que é também um dos candidatos ao pódio final.





