António Leal e Silva contesta acampamentos pela habitação: “Onde é que está o Estado?”

António Leal e Silva criticou nas redes sociais os acampamentos de protesto pela habitação e exigiu uma intervenção das autoridades. Num vídeo em que questiona a ocupação do espaço público, reconheceu o direito a reivindicar melhores condições de habitação, mas manifestou-se contra a permanência dos manifestantes em locais que, sublinhou, pertencem a todos.

“Estas pessoas ocupam um espaço que é público, que é de todos. Chamam isto de democracia. Como é que alguns podem ocupar o espaço de todos?”, perguntou.

A reação surge num fim de semana de mobilização pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida. Em Lisboa, manifestantes instalaram tendas no Rossio durante a tarde de sábado, 17 de outubro, e passaram a noite no local. No Porto, o protesto voltou a ocupar a Praça D. João I.

“Que raio de democracia é esta?”

No vídeo, António Leal e Silva distinguiu o direito de manifestação da forma de protesto escolhida, defendendo que as reivindicações devem decorrer de maneira ordeira e pacífica.

“Mas ocupar um espaço que é de todos não pode ser em democracia e em liberdade”, afirmou, antes de comparar a situação com as consequências que um cidadão enfrenta quando comete uma infração.

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“Se eu fizer alguma coisa fora da lei, sou multado. E estas pessoas podem fazer o que querem. Onde é que está o Estado, a Câmara Municipal? Está tudo maluco”, declarou.

A crítica prosseguiu com uma acusação de inação dirigida às autoridades: “Ninguém atua. Que raio de democracia é esta? Isto é protestar? Não. Isto não é nada.”

O comentário exprime a posição de António Leal e Silva sobre os acampamentos, sem apresentar uma decisão das autoridades que estabeleça a situação legal concreta dos protestos a que se refere.

Referências à Palestina e à comunidade LGBT também motivam críticas

António Leal e Silva questionou ainda a associação de diferentes causas às reivindicações sobre habitação.

“E o que é que o LGBT e a Palestina têm a ver com o problema da habitação? Porquê que juntam coisas que não têm a ver umas coisas com as outras? Isto está tudo maluco, está perdido”, afirmou.

No início da intervenção, tinha manifestado preocupação com o ambiente internacional, recorrendo à expressão “Paris a arder, Milão a arder, Madrid a arder, Lisboa espero que não arda”, sem identificar episódios concretos nessas cidades.

O vídeo terminou com um apelo direto: “Espero que não acabe mal e espero que o Estado atue já e rapidamente.”

O que reivindicam os manifestantes

Em Lisboa, a concentração pela habitação começou depois da manifestação convocada pela CGTP por melhores salários e contra a subida do custo de vida. Segundo a agência EFE, que cita dados policiais, pelo menos 2500 pessoas participaram na concentração durante a tarde, tendo o número diminuído ao longo da noite.

Os participantes instalaram dezenas de tendas no Rossio. Entre as reivindicações explicadas à EFE por João Veloso, um dos representantes do protesto, estão limites às rendas, a retirada da nova legislação sobre arrendamento e uma maior utilização de imóveis públicos para disponibilizar habitação acessível.

A iniciativa lisboeta foi convocada pelo movimento “Acampada de Lisboa pela Habitação”, que indicou como inspiração o protesto realizado na Puerta del Sol, em Madrid, e exigiu casas para viver e rendas comportáveis.

No Porto, os participantes decidiram em assembleia permanecer na Praça D. João I. Pelas 04h00 deste domingo, cerca de 300 pessoas continuavam no local, segundo uma porta-voz do movimento ouvida pela Lusa. A representante afirmou que pretendiam prosseguir com as atividades e manifestou preocupação com uma eventual intervenção policial.

É esta forma de mobilização, assente na permanência nas praças, que António Leal e Silva contesta na sua intervenção, enquanto os participantes defendem a continuidade do protesto para pressionar por respostas à crise da habitação.

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