António Leal e Silva voltou a defender José Castelo Branco no «V+ Fama», depois de Abel Dias reafirmar que nunca presenciou agressões físicas a Betty Grafstein. O comentador criticou o julgamento público do socialite e afirmou que também foi alvo de perseguição por relatar aquilo que testemunhou na convivência com o casal.
As declarações de Abel Dias no podcast «Aqui Que Ninguém Nos Ouve» estiveram no centro do debate do «V+ Fama», esta terça-feira, 20 de outubro. A conversa incidiu sobre o processo de violência doméstica em que José Castelo Branco é acusado, tendo Betty Grafstein como alegada vítima.
Abel Dias, testemunha ligada à norte-americana, voltou a afirmar que nunca viu o socialite agredi-la fisicamente. Essa declaração não equivale, porém, a afirmar que as agressões não aconteceram: refere-se ao que a testemunha diz ter presenciado. A apreciação dos depoimentos e das restantes provas cabe ao tribunal.
Abel Dias: “Eu nunca vi”
No podcast, Abel começou por recordar a amizade com Betty e as sugestões que recebia de alguns conhecidos para que casasse com ela.
“Há alguns amigos meus, daqueles muito engraçados, que me diziam: ‘Mas casa com ela, ela gosta tanto de ti e tudo dela’. Era verdade, nós sempre fomos grandes amigos, mas dar o golpe do baú não é bem o meu estilo. E ia perder a amizade que tinha por ela. Não lhe ia bater, com certeza”, afirmou.
Questionado sobre se acreditava que José Castelo Branco tinha agredido Betty, respondeu: “Eu nunca vi, porque se visse quem lhe batia ao José era eu. Mas, na verdade, o José sempre foi um brutamontes.”
Foi esta distinção entre o que Abel declarou ter visto e a avaliação que faz do temperamento do socialite que motivou parte da discussão no programa apresentado por Adriano Silva Martins.
António separa desavenças pessoais de acusações judiciais
Em estúdio, António Leal e Silva explicou que conhece Abel Dias há muitos anos e que ambos já esclareceram divergências, ficando “muito bem entendidos e resolvidos” após conversas ao telefone, encontros pessoais e jantares organizados por Cláudia Jacques.
Sobre o processo, defendeu que não se devem confundir conflitos pessoais com acusações de natureza criminal.
“Em relação a esta história, eu acho isto uma história muito complicada, porque uma coisa são fait-divers entre pessoas que não gostam umas das outras, outra coisa é justiça e tribunal. Acusar uma pessoa, que é isto que às vezes me custa e me dói e me magoa, e fico irritado.”
Adriano Silva Martins considerou que “foram dois anos de linchamento público”, uma leitura que o comentador acompanhou.
“É isto que me custa muito e magoa-me, porque eu não gosto que façam aos outros aquilo que eu não gostava que me fizessem a mim. Acusar uma pessoa de violência doméstica é uma coisa gravíssima, é um crime hediondo, gravíssimo! E as pessoas não podem, por questões de todos os géneros, porque não gostam, porque odeiam, porque não engraçam, porque querem audiências, porque querem isto, querem aquilo, cair em cima de uma pessoa e fazer uma acusação desta gravidade.”
“Há uma diferença substancial”
António Leal e Silva sugeriu que Abel pode ter associado o temperamento de José Castelo Branco à suspeita de agressões.
“A relação entre o José e a Betty não era perfeita, não há casamentos perfeitos, mas alguma coisa havia e as provas estão lá. As pessoas não os conheciam. Como é que falam desta forma? Eu acho que o Abel é capaz de se ter baralhado e de ter juntado aquilo a que eles chamam o mau feitio de uma pessoa com bater. Há uma diferença substancial.”
O comentador rejeitou também a hipótese de violência psicológica, apresentando a sua perceção da relação entre os dois.
“Depois as pessoas dizem: ‘Ai, mas também já existe a violência doméstica psicológica’. Não havia. A pressão era da Betty para o Zé. A Betty era uma mulher altiva, amorosa, que eu amava e amo, que ainda cá está, graças a Deus. Adoro, e é minha amiga com quem privei muito. Mas a Betty era uma mulher altiva, senhora do seu nariz, fazia o que queria quando queria.”
Na mesma intervenção, acrescentou: “Ela não falava com os empregados, ela não dava confiança a toda a gente. Era uma pessoa que aparecia, tinha sempre um sorriso, era amorosa, mas ela falava para o Zé de uma forma às vezes muito complicada, muito complexa. Mas o Zé sempre a tratou bem, qualquer pessoa confirma.”
Estas afirmações traduzem a versão do comentador sobre a convivência que acompanhou, não uma conclusão judicial sobre o processo.
Adriano recorda julgamento público
O apresentador ressalvou que compete ao juiz ouvir as partes e determinar o que aconteceu, mas criticou a forma como o caso foi discutido publicamente.
“Houve um linchamento público durante dois, quase três anos ao José, em que nos estúdios de televisão, não é a primeira vez que o Abel Dias fala desta situação, se deu a entender por muita gente que toda a gente sabia que havia. E agora, de repente, chega-se à hora H e temos o Abel Dias.”
António insistiu na leitura que faz das declarações da testemunha: “O Abel Dias já diz que nunca viu bater, diz que ele é agressivo, mas nunca viu bater. Se ele nunca viu bater, de que tipo de violência doméstica é que estamos a falar? Eu tenho muita dificuldade em falar sobre este tema, isto arrasta-se, como tu disseste muito bem, há três anos.”
“Estou do lado da justiça”
O comentador afirmou ainda que sofreu consequências por ter relatado a sua própria experiência com o casal.
“Eu de início também fui muito perseguido, porque fui talvez a única pessoa que sempre esteve a dizer a verdade, não é do lado do Zé ou da Betty, porque eu estou do lado da justiça, mas que disse aquilo que vi. E quando eu disse aquilo que vi (…) fui linchado em praça pública, perseguido até hoje. Mas eu não tenho medo, porque eu quando digo a verdade, digo a verdade.”
Na reta final, António considerou que Abel “se precipitou”, enquanto Adriano interpretou a intervenção como “dar o dito por não dito”.
António terminou contestando outras alegações sobre a relação: “Está a dizer que afinal não bateu. Se não bateu, não bateu. Depois começaram a dizer que obrigava a calçar sapatos e que obrigava a vestir roupa. Não obrigava nada, que a Betty só fazia o que queria, era o que mais faltava. As pessoas não os conheciam.”
Apesar dessa interpretação em estúdio, Abel afirmou não ter assistido a agressões, sem declarar que estas não ocorreram.
