
Está a ser filmado em Buenos Aires um documentário sobre a vida do cônsul Aristides de Sousa Mendes, que em plena II Guerra Mundial conseguiu salvar a vida de milhares de judeus através dos salvos-condutos que fizeram com que estes conseguissem fugir para Portugal e daqui partir para, na sua maioria, o continente Americano.
Sousa Mendes é um dos quatro portugueses declarado “Justo entre as nações” por ter salvado milhares de pessoas perseguidas pelos nazisndurante o holocausto, enquanto os argentinos filmam o documentário na cidade de Buenos Aires, o Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa anuncia em Nova Iorque que vai condecorar a Aristides de Sousa Mendes com a “Grande Cruz da Ordem da Liberdade” e reconhece que “hoje lhe devemos muito mais do que sabíamos até agora”.
“Aristides era um homem como qualquer outro simplesmente que num desses cruzamentos que nos sabe pôr a vida não reagiu como a maioria” começa por dizer Victor Lopes,um argentino com nacionalidade portuguesa que confessa “assim como alguns portugueses me dão vergonha e pelo qual peço desculpa ao mundo inteiro, há também outros, como Aristides de Sousa Mendes que é o orgulho de um Portugal moderno e vigoroso que respeita os direitos humanos e rejeita qualquer tipo de autoritarismo e ditadura”.
Portugal teve uma ditadura de mais de quarenta anos e teve que aprender o significado da palavra tolerância, o que tornou Aristides de Sousa Mendes alguém muito “à frente do seu tempo”.
É preciso não esquecer que depois de ter salvo 30000 vidas de judeus, o antigo cônsul em Bordéus foi afastado do cargo por Salazar e acabou por viver o resto da sua vida na miséria.
O documentário, para além de abordar a vida de Sousa Mendes, deixa em aberto algumas questões como cada um reagiria a uma situação dessas e o que fariam os nossos actuais Embaixadores de Portugal ao redor do mundo?
É o eterno conflito gerado entre ” o dever e a conciência que não sempre se põem de acordo” diz Lopes, enquanto nos faz lembrar daquele soldado da obra de Javier Cercas que pudendo matar a um Sanchez Mazas indefeso decidiu não o fazer durante a tragédia que foi a Guerra Civil Espanhola
Levar ao ecrã do público americano a história de Sousa Mendes é um dos objectivos do realizador que compôs uma equipa que junta nomes como: Paula Fossatti, Ramiro Klement, Melissa Zwanck e Nahuel Vec. Foram entrevistados, em diversos lugares do mundo, familiares, amigos e ferventes seguidores da causa Sousa Mendes.
A estreia do documentário “Aristides, um homem bom” está previsto para o fim do ano e marcará presença no Festival Internacional dos Direitos Humanos.
