
O Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém acolheu ontem os Virgem Suta que fizeram uma festa cheia de música, cor e alegria que agradou sobremaneira a um público de diferentes faixas etárias que não se cansou de cantar e aplaudir a banda de Jorge Benvinda e Nuno Figueiredo.
Os Virgem Suta não são uma banda mainstream. Não escrevem nem compõem a pensar no sucesso fácil, mas sim numa menagem que pretendam transmitir e isto em Portugal é difícil. O público adora música fast food e por vezes ignora a qualidade e o bom gosto. Ontem, no CCB, os Virgem Suta mostraram como um alinhamento bem construído, um domínio de todos os tempos de um espectáculo, um desenho de luz de grande qualidade e uma energia contagiante podem durante hora e meia mudar a vida das pessoas.
O duo de Beja tem na sua música influências que ultrapassam qualquer fronteira territorial, porque o universo de Virgem Suta é um mundo à parte. Quase como um bom vinho alentejano: nem todos têm capacidade de valorizá-lo.

“Boa noite família” foi o cumprimento de Jorge Benvinda ao público antes de abrirem espectáculo com “Viva o Povo”. Povo a quem questionou de seguida, “então e essa vidinha como vai? Vai indo…Está como a nossa”, servindo de introdução ao segundo tema da noite, “Vidinha”.
O sentido de humor e de oportunidade de Jorge Benvinda continuava a mostrar qualidades e eis que sai mais uma frase que dizemos ser uma constatação de facto: “isto é uma coisa boa que temos aqui, mas cuidado com a ressaca”, que serviu de introdução ao tema seguinte, “Ressaca”.

Nesta altura do concerto já estaria quase todo o público viciado na música dos Virgem Suta e com fortes desejos de ouvir mais e mais e mais… E a festa lá continuou em tom crescente e com o sentido de humor alentejano a dar cartas em conjunto com a qualidade musical.
“Não sou deste lugar” é um tema que explica bem a essência do grupo de Beja, mas “Se deus quiser” continuarão a mostrar a sua qualidade por esses palcos fora e a aumentar a crescente legião de fãs viciados na sua música.
A escrita de Nuno Figueiredo ganha expressão e uma vida muito própria na intensidade e expressividade interpretativa de Benvinda e no CCB conseguiram um alinhamento que bem sequenciado agarrou o público que em muitos dos temas acompanhou a palmas ou trauteando o refrão como em “Dança do Balcão”.

“Exporto Tristeza” é algo que “Regra Geral”, os Virgem Suta fazem nos seus espectáculo, optando e bem por importar alegria e boa disposição aos espaços onde actuam.
Não faltou “Gente Bestial, o tema que foi este ano ao festival da canção, e “Playback” houve apenas quando recordámos Carlos Paião. Mas o público queria mais e os Virgem Suta ofereceram mais cinco temas no encore: “Amiga da minha mulher”, “Cantar até cair” que integra o disco do Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento, “Mula da Agonia”, “Vovó Joaquina” e “Tomo conta desta tua casa”, com algum público já em cima do palco a convite de Jorge Benvinda. A festa foi bonita e os Virgem Suta continuam a trilar o seu caminho difícil mas prazeroso para quem ouve.

Como último destaque, mencionamos Vítor Cravo, responsável por um extraordinário, festivo e bem conseguido desenho de luz.










