Terras sem Sombra levou Barba-Azul em formato concerto a Castro Verde

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O Castelo de Barba-Azul é originalmente uma ópera da autoria de Béla Bartók e conta com apenas um acto, tendo sido composta no ano de 1911, após o seu amigo e também húngaro, Béla Balázs ter escrito o libreto, buscando inspiração no conto Barba-Azul da autoria de Charles Perrault.

 

 

 

Esta ópera tem na sua ideia original apenas um acto e caracteriza-se por ser imponente no que a aspectos simbolistas se refere. Em palco costuma ser interpretada por duas vozes acompanhadas de orquestra. A sua estreia ocorreu no ano de 1918, com Oszkár Kálmán e Olga Haselbeck nos papéis de Barba-Azul e Judite, respectivamente.

 

 

 

Reza a história que após a conhecida revolução de 1919, Bartók foi obrigado pelo governo húngaro da altura a retirar o nome de Balázs da ópera, após este ter fugido para a Áustria, onde ficou exilado. Esta obra apenas regressou a palco passados 28 anos, em 1936.

 

 

Esta ópera conta a história no interior de um castelo com os já acima referidos Barba-Azul e Judite, sendo que em cena surgem normalmente as três primeiras mulheres de Barba-Azul, embora não falem.

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O Festival Terras sem Sombra teve o seu quarto concerto desta edição na Basílica Real em Castro Verde, apresentando “O Duque Barba Azul” em formato concerto.

 

A lenda do Barba Azul retrata a história de um Duque bem apessoado e de boas maneiras que procura uma jovem bela para desposar. Encontra-a e decidem viver juntos no castelo. Posteriormente o Duque ausenta-se para tratar de negócios e deixa as chaves do castelo á sua companheira para que ela possa explorar o castelo, fazendo apenas o pedido que não abra a sétima porta, pois caso o faça, algo de mau acontecerá.

 

 

O sete representa a perfeição e é a partir deste ponto que a lenda conta com vários desfechos. O que acontece à duquesa? O que esconde tal porta?

 

 

Segundo o escritor Charles Perrault, quando a noiva abre a porta, encontra os cadáveres das antigas mulheres do Duque, sendo que a fecha rapidamente, contudo o sangue fica agarrado á chave, o que a denuncia no regresso do seu noivo.

 

 

Mas tal como esta existem várias versões e desfechos para a mesma lenda, tentando todos eles que o sejam positivos à excepção de um, o libreto de Maeterlinck para a ópera de Paul Dukas, datada de 1907 e intitulada “Ariane et Barbe- Bleue”.

 

 

No concerto desta noite, a Academia de Música de Liszt apresentou-se com a meio-soprano Apollónia Szolnoki, Antal Cseh como baixo-barítono e András Rákai no piano. Com uma interpretação adequada ao espaço, conseguiram momentos de interpretação vocal absolutamente brilhantes, embora algumas falhas fossem também notadas. A linguagem corporal da meio-soprano ajudou a perceber a intensidade e emoções do personagem Judit, pecou apenas por em alguns momentos optar por um grito-gritado ao invés de um grito-cantado que faria, na nossa opinião mais sentido. Antal Cseh pecou pela neutral linguagem corporal, arrefecendo o calor que a sua voz transmitia. O pianista esteve excelente. É uma obra difícil de ser interpretada, ainda para mais sem qualquer pausa, e a verdade é que o fez com excelência e virtuosismo. O seu dedilhar foi transformado em paixão que nos acertou em cheio, no coração e na alma.

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