
César Cardoso edita “Dice of Tenors” dia 17 de Abril, mas antes concedeu entrevista ao Infocul.pt para falar sobre o disco e o que pretende transmitir através deste trabalho discográfico.
“Dice of Tenors” resulta da intenção do seu mentor, César Cardoso, de procurar novas abordagens, caminhos e ideias de composição e arranjo, através de uma formação alargada. Esta formação é constituída por 8 elementos, distribuídos por sopros – saxofone tenor, saxofone alto, trompete e trombone – e secção rítmica – vibrafone, piano, contrabaixo e bateria.
Para este disco, César Cardoso escolheu 8 temas, 6 dos quais são Standards do Jazz celebrizados por alguns dos maiores saxofonistas tenores e compôs ainda 2 temas a completar o disco.
César, quando começou a pensar neste disco?
Comecei em finais de 2018, depois de lançar o disco “Interchange”, surgiu-me a ideia de criar um disco diferente dos anteriores, com uma formação maior e com um complexo de composição diferente do que tinha usado até então.
Da ideia original até à concretização do disco, alterou algo?
Comecei os arranjos no início de 2019 e fomos para estúdio em Outubro 2019. Foram bastantes meses a pensar como realizar os arranjos e como criar algo diferente e de como poderia conjugar todas as ideias num disco só de maneira a torna-lo um disco completo e diversificado. Desde a ideia original até à concretização não fiz grandes alterações, o objectivo inicial manteve-se intacto e foi cumprido.
8 temas: 6 clássicos e 2 compostos por si. Como foi esta escolha, qual o critério e o objectivo?
A ideia deste disco foi a de homenagear alguns dos maiores saxofonistas tenores que me influenciaram no meu percurso académico. Foram saxofonistas dos quais transcrevi muitos solos e dos quais me identifico musicalmente. A escolha foi natural, e cheguei 6 saxofonistas que realmente foram importantes para mim, havendo muitos outros naturalmente, estes foram marcantes. A juntar a estes clássicos do Jazz achei que seria muito importante também compor música original de modo completar o disco e a torna-lo o mais completo possível.
A escolha dos clássicos foi difícil?
A escolha não foi muito difícil. A ideia era pegar num tema que fosse original, ou um standard, associado a cada um dos saxofonistas. Naturalmente haviam muitas possibilidades de temas, mas tentar pegar nos que eu mais gostava e que fossem logo associados a cada um dos saxofonistas em questão.
Quem são as suas referências musicais?
Naturalmente que todos estes 6 saxofonistas (Hank Mobley, Dexter Gordon, John Coltrane, Sonny Rollins, Joe Henderson e Benny Golson) foram e são referencias para mim, mas há outras referências de músicos mais antigos ou mais recentes. Uma das minhas referências musicais do momento é o Miguel Zenón que já havia gravado o meu último disco e que aceitou o desafio de gravar este novo, não apenas participando em algumas faixas mas sim o disco completo. É um músico incrível e inspirador que é para mim o melhor músico de jazz da atualidade.
Neste disco quais foram os maiores desafios?
Foram vários, a começar pela dificuldade de conjugar agendas e disponibilidades de tantos músicos (somos 8 elementos) e ainda por cima com vários músicos estrangeiros. Outra das dificuldades foi a nível de escrita e composição dos temas. Nunca tinha escrito para este tipo de formação, o que me obrigou a uma pesquisa grande, mas que, por outro lado, me permitiu evoluir enquanto compositor.
Num mercado musical fervilhante, o que distingue este disco?
É sempre complicado falar dos nossos projectos, mas honestamente penso que é um disco único no panorama jazzístico Português. O tipo de formação e sobretudo o tipo de composição é algo que vemos noutros músicos lá fora mas que cá nunca foi desenvolvido nem pensado a um ponto elevado. Penso que é um disco único em que a maioria dos detalhes presentes no disco não serão perceptíveis à primeiro nem à quinta vez.
Quais os músicos que o acompanham neste disco?
Os músicos que me acompanham são o americano Jason Palmer (trompete), Miguel Zenón (sax alto), Massimo Morganti (trombone), Jeffery Davis (vibrafone), Óscar Graça (piano), Demian Cabaud (contrabaixo) e Marcos Cavaleiro (bateria).
Já há espectáculos agendados para a apresentação do disco?
Sim, será no Festival de Jazz do Barreiro no dia 27 de Junho às 19:00.
Onde poderão as pessoas aceder ao disco?
Os discos estarão disponíveis nas lojas, nos locais dos concertos e também nas plataformas digitais.
E interagir consigo?
Podem enviar comentário e mensagens através da minha página facebook, instagram ou através do meu site.
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