Matt Wright: “Os grandes felinos costumavam marcar uma árvore com arranhões e xixi, então eu marcava a árvore ao lado deles da mesma maneira”

Matt walking with bow and arrow.

 

 

 

No passado dia 8 de Janeiro, estreou ‘Aventura à Flor da Pele XL’ no Discovery Channel. A série retrata um desafio de sobrevivência em que 13 veteranos enfrentam o calor extremo da Bacia do Selati, em África, na esperança de aguentarem 40 dias e 40 noites. Este desafio tem levado a resistência humana ao limite e sobreviver num dos locais mais remotos do planeta. Matt Wright, um dos participantes, concedeu entrevista exclusiva ao Infocul sobre a sua participação, algumas curiosidades da série e ainda do que retém da experiência.

 

 

Neste desafio, os concorrentes enfrentam predadores esfomeados – são perseguidos por leões e hienas e postos em risco por crocodilos. São largados na savana em grupos, têm que dominar o ambiente e, para alguns, enfrentar os seus medos mais profundos.

Matt tenta ensinar aos outros a lei da sobrevivência e leva os desafios ao limite. Na entrevista que se segue, dá conta disso mesmo.

Quais são os maiores desafios para preparar-se para este desafio?

O maior obstáculo que enfrentei para me preparar para esse desafio é preparar meus pés para andar descalço. Eu uso botas para o trabalho todos os dias, por isso, fazer com que meus pés sejam duros o suficiente para andar descalço é muito trabalho duro.

No programa é um personagem ou a realidade?

O que vê no programa é 100% o verdadeiro eu. Eu gosto de praticar a sobrevivência primitiva, bem como ensinar aos outros a arte da sobrevivência como parte do meu negócio. Estou sempre disposto a partilhar a minha vida quotidiana, por isso gostei de partilhar a minha recompensa de carne com os outros.

Como foi a interacção com os animais?

Como reagi aos animais em meu redor (risos)? Bem, eu aprendi que você nunca pode lutar contra a natureza, você tem que se tornar uma parte disso. Então eu fiz exactamente isso. Eu tornei-me parte da cadeia alimentar. Estabeleci-me como um predador de topo e comecei a marcar o meu território, com cada colheita de um grande animal de caça senti como se os leopardos e leões me respeitassem como um deles e deixassem a minha área em paz. Os grandes felinos costumavam marcar uma árvore com arranhões e xixi, então eu marcava a árvore ao lado da deles da mesma maneira até que estabelecemos as nossas áreas.

Qual a principal mensagem que esta série transmite?

Acho que a principal mensagem que a série retrata é que, se alguém se esforça o suficiente e nunca desiste, pode realizar coisas incríveis.

Fisicamente e psicologicamente quais foram os principais desafios que enfrentou durante o programa?

Fisicamente, a parte mais difícil do desafio foi a caça de cada animal de caça. A quantidade de trabalho depois de caçar um animal grande é muito pouco apreciável. Requer mais trabalho e energia naquele dia do que a que usa numa semana. Apenas carregando a colheita de volta e preparando a carne, cortar a pele é uma tarefa incrível de se fazer sozinho. O mais difícil mentalmente era o isolamento de ficar sozinho por tanto tempo.

Foi mais fácil trabalhar em grupo ou individualmente?

Estar em grupo é muito menos trabalho físico, porque há mais pessoas a ajudar. No entanto, a dinâmica do grupo pode dificultar outros aspectos da sobrevivência, se você não trabalhar em conjunto. Algumas pessoas ficam com ciúmes ou chateadas com as menores coisas e em pouco tempo o grupo está muito tenso. É mais complicado com toda a conversa e movimento.

Quão difícil foi decidir se deveria participar ou não no programa?

Quando me perguntaram se eu poderia ir sozinho para África, não foi difícil decidir se faria. Eu não hesitei e sabia que seria um desafio difícil, mas também seria uma bela experiência no final. A minha esposa até me deu força antes mesmo de eu desligar o telefone com a produção, porque ela sabia que eu queria ir.

De Portugal, o que conhece? Já nos visitou?

Eu sei que Portugal é um lugar lindo. Eu ainda não visitei mas espero ter a oportunidade no futuro próximo.

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

A mensagem que eu gostaria de deixar para os leitores é: Que na vida, às vezes, temos que deixar todos os nossos bens para trás para encontrar o nosso gosto pela vida. Sair sozinho nu e prosperar foi uma das experiências mais incríveis da minha vida e ensinou-me que tudo é possível se eu continuar a aprender e nunca desistir. Que mesmo sem nada , podes fazer alguma coisa. E no final, para viver a sua vida para cada nascer e pôr do sol, como há sempre um belo momento para lembrar, às vezes você só tem que caçá-lo.


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