Captain Boy: “Ainda que tenha algumas memórias alegres, penso que as memórias mais tristes me marcaram mais(…)”

 

‘Memories and Bad Photographs’ é o segundo disco de Captain Boy e conta com oito faixas e todas elas referentes a uma memória do músico, estando, nós, assim perante um disco biográfico.

Captain Boy é o projecto artístico de Pedro Ribeiro e que edita, agora, o seu segundo disco, ‘Memories and Bad Photographs’, que serviu de base à entrevista que concedeu ao Infocul.pt.

Este disco sai dois anos e alguns meses após o disco de estreia. Foi uma opção pensada ou algo que aconteceu naturalmente?

No disco e EP anteriores usei personagens fictícias para contar histórias, algo que decidi não utilizar neste disco. Nestes 2 anos, fui pensando que gostaria de criar um disco conceptual e o disco começou a ser construído depois dessa ideia estar bem definida.

Decidi escrever sobre memórias pessoais minhas – “Memories” – e ilustrar cada memória com uma fotografia. Como não sou fotógrafo, decidi chamar a esta parte “Bad Photographs”.

Este é um disco biográfico?

Sim, é totalmente biográfico. Todas as memórias foram situações que me marcaram de algum modo e tiveram peso na minha vida. Numa fase inicial, fiz alguma meditação e fui apontando os momentos que me marcaram mais. Este foi o ponto de partida que serviu de fio condutor ao disco.

Na sua opinião demonstra um lado mais triste ou alegre?

Ainda que tenha algumas memórias alegres, penso que as memórias mais tristes me marcaram mais e preciso de as exprimir para que possa seguir. Mesmo as memórias alegres têm sempre um pouco de saudade adjacente, mas penso que é algo que está inevitavelmente associado às memórias quando os momentos são bons.

O processo criativo também mudou neste disco. O que aconteceu e porque motivo puxou a si a produção dos temas e a vontade de tocar todos os instrumentos?

Logo no início da pré-produção do disco, estive uma semana no meu estúdio dedicado a fazer rascunhos de como seriam as músicas e decidi que o desafio seria ainda maior se gravasse todos os instrumentos. O processo foi mais lento – gravei teclados, solos, percussões – mas fez com que o resultado fosse o mais fiel possível àquilo que se estava a passar na minha cabeça.

Quem o acompanhou neste disco em termos de produção e masterização?

No final desta pré-produção e quando achei que tinha algo mais sólido para mostrar, reuni-me com o Giliano Boucinha – que já me acompanha na produção e em concertos há algum tempo – e ele próprio também me disse que achava que devia ter um papel mais de conselheiro mas que o caminho do disco, sendo tão pessoal, deveria ser eu a traçá-lo.

Depois de terminarmos esta fase, eu, o Giliano e o Tiago Correia fomos para o Palácio do Sobralinho, em Vila Franca de Xira, onde estivemos uma semana a gravar todas as pistas finais dos instrumentos. Decidimos utilizar este local porque a acústica era incrível. A masterização foi feita pelo Timothy Stollenwerk, que trabalhou com artistas que são uma grande inspiração para mim, como é o caso dos Morphine.

Em termos de espectáculos de apresentação, o que já pode revelar?

Tentei que este novo trabalho fosse uma experiência, desde o disco com as fotografias das memórias, até ao espectáculo ao vivo com cor e luzes. A ideia é que o espectáculo ao vivo replique o imaginário pessoal que tento partilhar com o disco.

O segundo disco é sempre uma grande responsabilidade porque espera-se uma evolução perante o primeiro. Neste, acha que isso acontece?

Penso que existe sempre essa expectativa pela parte de quem ouve um segundo disco e neste trabalho tive tempo suficiente para tomar decisões com calma. O facto de gravar em casa a primeira parte do trabalho fez com que não existisse a pressa de estar num estúdio com o tempo contado. Sinto que este disco passa exactamente aquilo que eu queria, gostei muito do resultado da gravação e da masterização.

Em termos de redes sociais, onde pode o público interagir consigo?

No facebook – www.facebook.com/captainboymusic

No instagram – www.instagram.com/yosoycaptainboy

No Spotify – É só pesquisar por Captain Boy

E no meu site – www.captainboymusic.com

Dedica muito tempo às redes sociais?

Penso que não dedico o tempo que deveria, mas é algo que prometo mudar com este novo disco. Falo mais por mensagens com quem vai seguindo a página e gosto de o fazer, faz-me sentir mais perto de quem ouve o meu trabalho.

Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?

Espero que gostem deste novo disco, foi um processo de aventura e descoberta, gravar e fotografar. Procurem-me pelas redes sociais e estejam à vontade para trocarmos algumas ideias. Muito obrigado pela entrevista!

Alinhamento do disco

1. Song to my dog

2. Rusty smiles

3. I left my shoes outside

4. Running friend

5. Carminda

6. Treehouses

7. Miss guilt

8. Balloons and melodies

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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