
























António Vasco Moraes actuou ontem no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (CCB), num espectáculo inserido no ciclo Há Fado no Cais e que tinha como base a apresentação do seu segundo disco, “Silêncio”.
Perante um auditório muito bem composto António Vasco Moraes subiu a palco pouco passava das 21:10, logo após os seus músicos o terem feito. Acompanharam António Vasco Moraes, Dinis Lavos na guitarra portuguesa, Jaime Santos na viola e Francisco Gaspar na viola baixo.
Abriu espectáculo interpretando “O tempo não passa” e “Saudades de Lisboa”, dois temas com letra sua. O segundo, escreveu-o no Aeroporto de Londres, segundo contou ontem em palco. E com fados cuja letra é da sua autoria continuou a brindar o público com boas interpretações, primeiro num tema em que abordava as lembranças e o segundo intitulado “Sombras Negras”, com uma letra muito bonita.
Nestes primeiros quatro temas acaba-se por notar que António Vasco Moraes tem qualquer coisa de especial no seu canto. Apesar de em alguns momentos lhe faltar a pose fadista, consegue tocar-nos com o seu canto, correcto, afinado e com intensidade nas palavras. Em palco não é indiferente e capta a atenção do espectador. Na sua voz viajamos do Fado tradicional às Marchas, dos compositores antigos aos contemporâneos, sendo que a voz leva-nos para outros lugares como por exemplo os boleros.
A sua actuação continuou com um “fado que cantámos num teatro musicado, escrito por Tiago Torres da Silva” disse antes de cantar Fado Lisboeta. “Não volto a fazer as pazes” é “um fado muito antigo, mais antigo que todos nós juntos” disse o fadista antes de o interpretar e de acrescentar que “podem dizer isto quando se chatearem com o namorado, namorada, mulher ou marido”, soltando gargalhadas na plateia.
Neste espectáculo o fadista contou com alguns convidados. Com Maria Ana Bobone, que o acompanhou ao piano, em “algumas palavras de Amália Rodrigues e João Villaret” e depois em “Vai, Não digas Nada”, um tema absolutamente extraordinário, com letra do jornalista Augusto Madureira. Saiu do palco e podemos assistir a outro grande momento. Maria Ana Bobone ao piano e Dinis Lavos na guitarra portuguesa, interpretaram “Auto-retrato”, com composição musical de Maria Ana Bobone e letra de Rodrigo Serrão.
A habitual guitarrada não faltou, sendo muito bem interpretada, seguindo-se nova viagem pelos fados tradicionais na voz de António Vasco Moraes. Depois assistiu-se a um desfiar de letras absolutamente lindíssimas, escritas por letristas que dispensam apresentações: “Promessas de Amor” de Ricardo Rosa, “Saudades do Futuro” de José Correia Tavares, “Pressentimentos” de Tiago Torres da Silva ou “Ventura Maior” de António Rocha (também ele fadista).
O segundo convidado chamado a palco foi Silvestre Fonseca acompanhado por Ricardo Fonseca na viola, Litas Oliveira no baixo e Urbano Oliveira na percussão com o qual interpretou um bolero de Roberto Cantoral. De seguida e saindo de palco, ouviu ser-lhe dedicado “Nem as paredes confesso” magistralmente interpretado pelos instrumentistas.
Destaque ainda para “Cidade Garrida”, uma marcha que fez o público trautear o refrão, num espectáculo muito bem cantado, tocado e preparado. Não podemos deixar de fazer referência a Luís Santos, responsável pelas luzes. O jogo de luzes foi de grande qualidade a engrandeceu o espectáculo.
Depois de uma bem-sucedida campanha de crowdfunding, António Vasco Moraes prepara-se para apresentar “Silêncio”, disco que sairá em breve. Depois do concerto de ontem, a expectativa aumentou para acompanhar o trabalho de um fadista que tem realmente algo de especial.

