
O São Luiz Teatro Municipal acolheu esta segunda-feira, 27 de Março, o espectáculo “Vida” com a fadista Cristina Nóbrega.
No Dia Mundial do Teatro, houve uma excessiva preocupação com a encenação deste espectáculo que o essencial, o fado, ficou em segundo plano. Cristina Nóbrega tem uma presença muito bonita em palco, sabe comunicar, tem potencial vocal mas conta com limitações que impedem o brilho na interpretação e o êxito do espectáculo.
O espectáculo iniciou-se com sons de uma lisboa antiga a ecoarem pelo São Luiz, como pregões ou amoladores. Seguiu-se uma introdução instrumental ao som do cajon, antes de se abrirem as cortinas do palco, onde Cristina Nóbrega estava acompanhada pelos músicos.
Em termos de alinhamento foi inteligente e mostrou ter uma grande sensibilidade em termos de coerência e construção de um espectáculo, contando uma história em vários actos, numa viagem que tinha como ponto de partida Lisboa mas que abraçou o mundo. Desde as sonoridades até ao idioma cantado.
“Duas lágrimas de orvalho”, “Zanguei-me com o meu amor”, “Malmequer Pequenino” foram alguns dos temas que antecederam algumas interpretações em castelhano: “Maria la Portuguesa” ou “Rosa y Clavel”.
A anteceder a habitual guitarrada (brilhantemente interpretada), houve um momento de flamenco ao som do cajon e da bailarina convidada, Sofia Abraços. João Roque, fadista e que acaba de lançar um disco, foi também convidado deste espectáculo e mostrou qualidade vocal, interpretação correcta, dicção a preceito e uma garra que prende o ouvinte.

Até ao final do espectáculo manteve-se o nível interpretativo acima referido. Houve cinco instrumentistas num plano de grande qualidade: Luís Pedro no cajon, João Penedo no contrabaixo, Miguel Gonçalves na viola de fado e ainda Luís e David Ribeiro na guitarra portuguesa.
Destaque para as imagens de Lisboa projectadas na tela que se encontrava em palco, dando beleza às melodias ouvidas. Em termos vocais, pouco mais há a dizer, num espectáculo com decibéis acima do que seria aconselhado, uma afinação que necessita ser melhorada e ainda uma alma e sentimento que devem ser transmitidos absorvendo interiormente a mensagem dos poetas. Os melismas quando usados em excesso tendem a não correr bem, ontem ficou provado.
O Teatro São Luiz não encheu para este espectáculo, vendo-se várias cadeiras vazias.
