
O Festival Terras sem Sombras estreia no Alentejo a Ópera “Onheama”, inspirada na Amazónia, nos dias 21 e 22 de Maio.
O Festival valoriza os recursos naturais e dá a conhecer um território que sobressai pelos valores ambientais, culturais e paisagísticos e que apresenta um dos melhores índices de preservação na Europa. Nesta comunhão de valores, introduziu no seu programa para 2016, uma ópera infanto-juvenil com uma mensagem ecológica, tendo como pano de fundo a temática amazónica. “Onheama” é contada em três actos e tem texto de João Guilherme Ripper( um dos autores brasileiros mais conhecidos da actualidade). A encenação está a cargo do argentino Claudio Hochmann. Os figurinos e a cenografia são de Miguel Costa Cabral. Os primeiros são elaborados, em Serpa, pela Oficina do Traje, uma academia sénior que já produziu os trajes para o corso histórico e etnográfico da cidade.
Esta sobe a cena no Cineteatro Nicolau Breyner, em Serpa, nos dias 21 e 22 de Maio, pelas 21:30 e 16 horas, respectivamente e a entrada é livre. Em cena estarão mais de uma centena de pessoas, incluindo dispositivos do Coro do Teatro Nacional de São Carlos, do Coro Juvenil do Instituto Gregoriano de Lisboa e da Orquestra Sinfónica Portuguesa, a que se juntam crianças e jovens das escolas de Serpa.
Inspirada no poema “A Infância de Um Guerreiro” ,de Max Carphentier, “Onheama”,significa eclipse em tupi. A mitologia indígena interpreta o eclipse como a acção maléfica de Xivi, a terrível onça celeste, que devora Guaraci, o Sol, e depois sai à caça das estrelas e de Jaci, a Lua. O dia em que Xivi conseguir engolir tudo o que reluz no céu e saciar a sua fome tremenda, o mundo acabará. Somente um guerreiro corajoso e de coração puro como Iporangaba poderá salvar a Amazónia e a Terra do terrível monstro. Triunfa a luz numa perspectiva infantil; triunfa, afinal, a vida. Trata-se de uma ópera dos nossos dias, com um alcance sociológico notável, ao integrar o público infantil entre os possíveis espectadores e, evidentemente, ao promover a criação de novos públicos. A parceria, na realização do espectáculo com o Teatro Nacional de São Carlos, realça ainda mais o repto desta aventura artística. Serpa abre as portas do seu teatro (que correu, o risco de ser fechado e transformado num centro de negócios, e ao qual esta iniciativa deu um passaporte para sobreviver) a uma experiência, no mínimo, surpreendente.
“Onheama” estreou em 2014, no Festival Amazonas, de Manaus, com grande êxito, e foi reposta no ano seguinte, atingindo, de novo, enorme sucesso.
Do imaginário universal da Amazónia parte-se, na manhã de domingo, para uma acção de salvaguarda da biodiversidade dirigida à Serra de Serpa, ao microclima de Limas e ao acidente geológico do Pulo do Lobo, no Parque Natural do Vale do Guadiana. São duas as metas fundamentais desta iniciativa do Terras sem Sombra, em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza, o Município de Serpa e o Laboratório Nacional de Energia e Geologia: a interpretação geomorfológica dos locais visitados e a busca de vestígios milenares da presença humana gravados na rocha e de crustáceos contemporâneos dos dinossauros.
Nas margens do vale antigo do rio, encontramos os segmentos de habitat menos tocados do Parque Natural do Vale do Guadiana: o Matagal mediterrânico. Percorrendo uma paisagem única, vão ser observados vestígios de cheias antigas e, no céu, as espécies de aves emblemáticas da área protegida: cegonha-preta, águia-real e águia-de-bonelli.
