
O Grande Auditório do Centro Cultural de Belém recebeu este sábado o espectáculo de Fado com Hélder Moutinho, que ali apresentou o seu mais recente disco, “O Manual do Coração”.
Perante uma plateia muito bem composta no Grande Auditório do CCB, Hélder Moutinho subiu a palco acompanhado por Ricardo Parreira na guitarra portuguesa, André Ramos na viola de fado e Ciro Bertini no baixo acústico.
Num alinhamento extenso e com alguns erros na sua construção, Helder Moutinho não deixou créditos por mãos alheias. Voz bem colocada, postura sóbria e uma interpretação excelente fizeram o público aplaudir cada tema.

Neste espectáculo, que servia a apresentação de “O Manual do Coração”, houve dois destaques: Ricardo Parreira e André Ramos. Foram deles os melhores momentos musicais deste espectáculo e ambos constituíram também importantes pilares que permitiu a Helder Moutinho brilhar na interpretação. Ciro Bertini mostrou também o seu virtuosismo embora com menor destaque.
Helder Moutinho recriou, ou tentou, apresentar no CCB, o ambiente de uma casa de fados. O fadista que tem por mérito próprio o estatuto de um dos melhores da sua geração, pecou apenas num alinhamento demasiado denso até meio do concerto e longo na quantidade de temas apresentado. Uma viagem pelo mundo do fado que foi também uma viagem pelos sentimentos vividos por cada um de nós no dia-a-dia. Este Manual do Coração é um conjunto de estórias com as quais o ouvinte se identifica facilmente. A escrita de João Monge é sublime, as composições metódicas e de qualidade superior e a interpretação dada por Helder Moutinho é de um realismo tremendo. Helder canta com verdade e é a verdade do seu canto que conquista quem o ouve.
O fadista não deixou também de relembrar a sua discografia anterior como foi o caso do disco “1987” com o tema “O que sobrou foi amor”, relembrar os grandes compositores de outrora como Francisco Carvalhinho na habitual guitarrada, recordou uma grande amiga sua e até “professora” nesta vida de cantigas com o tema “Vielas de Alfama” e ainda Alfredo Marceneiro com “Fado Bailado”.

O público obrigou o fadista e os seus músicos a um encore, no qual o fadista brindou o público com dois temas. Um término de grande qualidade num espectáculo que decorreu em crescendo.
