
Os Insch surgem em 2014, pela mão de três amigos de longa data. Da sala de ensaios avistam-se as ondas da Ericeira que rebentam organicamente nas canções dos Insch em ecos de Nirvana, Deftones, Nine Inch Nails, Bush ou Incubus. Em entrevista ao Infocul.pt a banda falou da concepção do disco, do percurso que fizeram até criarem a banda e também das influencias de musicais dos elementos da banda.
O trio da Ericeira (Manel Gomes (baixo), Miguel Rodrigues (bateria) e Tiago Duarte (guitarra e voz) apresenta o álbum de estreia, “Safe Haven” com a gravação a ficar entregue a António Côrte-Real (UHF) e Wilson Silva (More Than A Thousand), com participação de Pedro Lousada (Blasted Mechanism). A banda irá apresentar o álbum ao vivo dia 12 de Maio na sala Estúdio Time Out em Lisboa.
Fique de seguida com a entrevista na integra à banda natural da Ericeira.
Quando surgiu a ideia de criarem a banda?
Não houve exactamente um momento “bora criar uma banda!” mas antes um processo longo, que começou muitos anos antes e percorreu várias outras bandas, com mais amigos. A primeira banda que partilhámos foi em 2006 e ao longo dos anos seguintes tocámos com mais pessoas mas sempre com o fio comum de estarmos os três juntos. Entre entradas e saídas, chegámos a estar completamente parados quase dois anos (2012-2014) até que as saudades falaram mais alto e no início de 2014 voltámos timidamente aos ensaios, pela primeira vez como um trio.
Quando pensaram em formar a banda quais os foram os vossos objectivos iniciais?
O único objectivo era mesmo voltamos a tocar juntos, de voltar a ter aquele feeling que só tens quando comungas algo com amigos próximos e do qual tínhamos saudades. Não traçámos metas nem compromissos, aliás na nossa cabeça nunca planeámos que as músicas chegassem a sair da sala de ensaios.
Sendo vocês da Ericeira, o mar será certamente uma fonte de inspiração. Onde vão buscar a inspiração para os vossos temas?
Todos nós fizemos surf na adolescência (entretanto menos) e não há surfista que não tenha uma relação especial com o mar, naturalmente. As nossas músicas são todas biográficas, falam dos nossos amores e desamores, das nossas cicatrizes e incertezas, de episódios que nos moldaram a ser quem somos hoje. Tendo esta relação de tanta intimidade com cada uma das músicas, é sempre intenso quando as tocamos, nunca é “apenas mais uma vez”. A nossa música funciona como uma terapia.
Quais as vossas referências a nível musical?
O mais curioso é que se perguntares a cada um o que está a ouvir num dado momento, tirando o nosso álbum, é muito raro estarmos alinhados [risos]. Todos nós fomos adolescentes dos 90s mas naquilo que consideramos as nossas referências, o Manel (baixo) puxa muito ao indie e alternativo (BRMC, NIN, Tool), o Miguel (baterista) tem muito vincada uma cena mais pop e ska (Dave Mathews Band, Jamiroquai, Mad Caddies) e o Tiago (voz e guitarra) puxa ao grunge e nu-metal (Alice In Chains, Incubus, Deftones). Mas influências aparte, o que acontece muitas vezes numa banda é que os originais são criados por uma ou duas pessoas, soando mais ou menos numa linha. Nós esforçamo-nos para que cada música tenha a participação dos três e temos vários originais que nasceram de uma batida ou de uma linha de baixo.
Tendo a banda surgido em 2014, quando começou a ser pensado e concebido o disco de estreia “Safe Haven”?
Com toda a honestidade, a ideia de gravar um álbum só surgiu muito depois de quase todas as músicas que o integram já estarem praticamente terminadas e de já termos dado vários concertos. Nunca nos preocupámos muito com o ponto de vista “comercial” da nossa música mas antes se a música transmitia o que queríamos. Acho que já íamos bem a meio de 2015 quando a conversa “álbum” surgiu, de forma muito natural e já como um passo lógico.
Qual a principal mensagem que tentam transmitir com os temas deste novo disco?
O disco não tem exactamente um tema, ao ser biográfico, e ao mesmo tempo é composta à volta do tema mais transversal de todos: a vida. Ao longo das dez músicas do álbum falamos de separações amorosas que deixaram marca, de saudades, de despedida, de frustração com a vida, do nascimento de um filho, etc.. Não pretendemos ser porta-voz de uma mensagem em particular mas temos tido a felicidade das pessoas se reverem na nossa história, nos nossos amores e desamores.
O ano de 2015 foi de reconhecimento do vosso valor e trabalho. Como foi ao final de um ano de banda, começarem a ter o reconhecimento da crítica ao vosso trabalho?
Com toda a sinceridade possível, foi inesperado mas muito saboroso. Apesar de compormos primeiramente sobre nós e para nós, ficámos muito orgulhosos com a maior parte das coisas que fomos lendo sobre a nossa música. Mas sabemos que o caminho é muito longo e que ainda estamos só a raspar na superfície do que é “ser músico” e estar nesta indústria, portanto procuramos sempre ter os pés na terra. O sentimento geral tem sido de muita surpresa e gratidão, globalmente, nunca nos passou pela cabeça chegar onde já chegámos e tocar onde já tocámos.
O que está a ser preparado para o concerto de apresentação do disco?
Estamos a preparar um concerto totalmente diferente do que temos feito até aqui, em termos técnicos e musicais. Se, por um lado, o Estúdio TimeOut no Mercado da Ribeira nos vai permitir adicionar alguns layers de espectáculo visual à música, por outro lado, estamos a trabalhar muito para que o que colocarmos em palco seja o mais próximo possível do que se ouve no álbum, o que nem sempre é fácil para um power trio.
Quais as próximas datas que podem já anunciar?
Temos estado de tal maneira focados a fazer acontecer o álbum e tudo o que o materializa (artwork, videoclip, espectáculo de lançamento, etc.) que o que nos apetecia mesmo era tirar um mesinho de férias! [risos] Mas falando a sério, o melhor é acompanharem a agenda no site ou nas redes sociais, vamos andar de norte a sul e talvez nalguns festivais.
