
José Alberto Reis celebra 30 anos de carreira e acaba de lançar ‘O Melhor de 30’, o disco no qual conta com 17 temas que marcaram o seu percurso, mas com novos arranjos.
Os arranjos de Luís Reis, o filho do cantor, dão assim nova roupagem a temas por todos conhecidos como “Setembro”, ”Alma rebelde”, “Amo-te”, “Eterna melodia do amor” ou “Confia em mim”.
O cantor concedeu entrevista ao Infocul na qual falou sobre o seu percurso, o novo disco, o melhor e pior de 30 anos de canções, os sonhos, os fãs e até o lado mais pessoal.

O que mais destaca nestes 30 anos?
A experiência duma profissão onde podemos crescer em criação e dádiva, onde temos a possibilidade de abraçar tanta gente que nos quer ouvir e ver, a expectativa dum tema , o sonho persistente de alcançar mais e mais gente que goste do nosso trabalho.
É possível revelar qual o melhor e o pior período ao longo desta carreira?
O melhor sem dúvida foi o culminar e abraçar o sonho de ser um cantor, as primeiras gravações nervosas em estúdio , a expectativa. O pior é a angústia de ter meses à frente e não saber se vamos ter trabalho, de trabalhar horas a fio a compor e depois perceber que poucos ligaram ao teu trabalho tão inspirado.
Existiu algum momento em que tenha pensado desistir?
Nunca. Nem sei se alguma vez me vai passar isso pela cabeça.
Qual o maior desafio e que lhe permite estar há 30 anos no activo e com um público que continua a segui-lo?
Dar mais e mais e melhor , inovar, fazer surpreender tanto nos temas como na empatia, sermos um só, ‘unos’, com o público.
Como é a sua relação com o seu público? Aposta em estar próximo deles?
Quanto mais próximo melhor, fisicamente e espiritualmente. Adoro cantar em locais onde isso seja permitido.
Dedica muito tempo às redes sociais?
Um pouco, confesso que essa dependência me assusta , é uma espécie de proximidade fácil e falsa, gosto mais do palpável mas é o mundo a aproximar-se na sua forma actual.
Este disco ‘O Melhor de 30’ é uma espécie de balanço?
É um ciclo novo onde se actualiza o velho com o novo e onde se lembra ao público o que se construiu , o melhor que cantei em estrada e em tantos anos.
Qual o tema que lamente não estar aqui?
‘Vieste ao mundo para seres feliz’, mas não tem forma de se renovar porque as vozes dos bebés mudaram e porque só pode ter a emoção daquele tempo. Canto nos concertos e vou buscar a emoção mas não é igual.
Conta com arranjos do seu filho. Como surgiu esta ideia e o que trouxe o seu filho de novo aos temas celebrizados durante anos?
O Luís veio para ser um excelente músico , nasceu no berço certo, ele já fez dois álbuns comigo e é muito expressivo e sensível . Eclético, faz fusões que me agradam e na área da electrónica ( Stevie Krash ) será uma estrela mundial pois já tem tocado lá fora e os ‘gigantes’ passam os temas dele porque adoram o seu trabalho. É o meu orgulho!
Em termos de espectáculos para celebrar os 30 anos de carreira, o que está previsto?
Celebrei nos Paços dos Duques de Bragança onde dei um concerto. Foi uma alegria cantar perto do local onde nasci. Guimarães será sempre o ponto de partida.
Alguma grande sala já alinhavada e que queira desvendar?
Ainda não cheguei lá, tenho uns anos até concretizar isso! Fiz os coliseus e falta isso.
Alguma vez sentiu que a sua música fosse encarada como ‘pimba’? E se sim, como reage?
A minha música tem notas musicais como tem a música clássica e a música ‘pimba’. A diferença está na atitude e na alma da própria música, porque as notas são as mesmas , o cozinhado é diferente.
O José é um homem romântico fora da música?
Fui sempre, procurei os argumentos que permitem que a vida de dois amados fosse sempre mais sonhada e com mais brilho.
O que gosta de fazer além da música?
Nadar, ler, caminhar e meditar com música do oriente.
Qual a mensagem que deixa aos nossos leitores?
A vida é bela e o que mais conta é a experiência. Acreditem que há sempre uma luz ao fundo, embora na maioria das vezes não a vejamos mas ela está lá.

