
Como já aqui demos conta, o Brejão recebeu, ontem, um espectáculo de homenagem a Amália Rodrigues.
José Gonçalez foi um dos cantores que integrou o elenco e também quem idealizou o espectáculo, tendo prestado declarações ao Infocul.pt antes do concerto iniciar.
Explicou que a melhor forma de homenagear Amália é “cantando-a e ao estares a cantá-la, estás a celebrá-la. Há um filme que gosto particularmente, um filme de animação que é o Coco, que se baseia, e tem por filosofia, que enquanto alguém se lembrar de nós e enquanto alguém tiver uma fotografia nossa numa prateleira, não morrerás. Enquanto uma pessoa se lembrar de ti, continuas vivo. Neste caso, claro que há milhares de pessoas no mundo inteiro que continuam a celebrar e a manter Amália viva, e a melhor forma é esta“.
Realçou que “às vezes era bom que se parasse um bocadinho para se pensar: Amália foi das maiores artistas e das melhores vozes do mundo, de sempre! Mas foi também uma das artistas mais à frente do seu tempo. Hoje vamos ter aqui um espectáculo com 28 temas, apenas da Amália, e todos eles estão actuais. Podiam ter sido feitos hoje! E muitos deles já têm muitos anos, porque há aqui temas dos anos 40, 50, 60.. Portanto temos de olhar para Amália em toda a sua dimensão. Algumas pessoas têm tido esse problema de não olhar para Amália em toda a sua dimensão. Amália era uma artista maior, que cantava todas as músicas, de todos os géneros, uma fadista impressionante, a melhor de sempre sem dúvida. Mas era uma cantora de todos os outros estilos, de todas as músicas. Era uma artista sem nenhum tipo de censura: estética, filosófica, ideológica. Era uma pessoa aberta a todos os tipos de arte, era preciso era ser arte. E é assim que devemos olhar para Amália: não como uma cantora de fado, que o foi e brilhante, mas como uma mulher da cultura do mundo inteiro e de todas as artes“.
Disse-nos ainda que “este espectáculo foi proposto por mim, é uma ideia minha. Estávamos a fazer o ‘Em Casa d’Amália’, na Rua de São Bento, em Lisboa, e quando percebemos que a primeira série ia terminar perto do verão, fazia todo o sentido e foi isso que propus à RTP e à fundação: ‘Por que não fechar este ciclo, desta forma extraordinária?’. 100 anos da maior referência de sempre da cultura portuguesa e em vez de ser na sua casa em Lisboa, ser na sua casa de campo, de verão. E essa foi a ideia, trazer as pessoas aqui ao Brejão e o resultado é que o espectáculo está esgotado há dois dias“.
Recordar que José Gonçalez tem apresentado semanalmente o programa “Em Casa D’Amália’, na RTP1, no qual recria as famosas tertúlias da fadista.
