Katia Guerreiro: Amália “conseguiu chegar a todo o lado, numa altura em que não havia internet”

Fotografia: Diogo Nora

Katia Guerreiro actuou, ontem, na homenagem a Amália Rodrigues, realizada no Brejão, em Odemira, no Alentejo.

A fadista revelou ao Infocul que “é uma grande honra para mim fazer parte desta comemoração que me emociona”.

Disse que “na verdade, eu nunca a conheci, nunca a vi nem de perto nem de longe, mas sinto-me muito ligada a ela, efectivamente”.

Desvendou que “foi ela quem me fez prestar atenção ao fado, quando era pequenina, foi ela que me acompanhou nas minhas solidões da adolescência. Eu tenho e gosto muito das minhas solidões. Nos meus silêncios e recolhimentos foi Amália quem me ajudou a viver esses momentos próprios da adolescência. Foi nessa altura que percebi o poder da palavra, a capacidade de Amália em extrair a melodia que as palavras na grande poesia portuguesa têm. Sem dar conta fui absorvida por aquela capacidade estranha e misteriosa que Amália tinha de nos provocar no mais íntimo de nós”.

Por isso, valorizou o facto de “vir aqui hoje, estar aqui nesta casa, partilhar o palco com artistas tão extraordinários, que foram bem escolhidos porque todos nutrem uma grande consideração por Amália, todos entendem Amália como eu entendo e portanto estamos aqui num espírito de comunhão muito bonito, e às vezes, raro”.

Questionada sobre Amália ter o devido reconhecimento, disse que “agora sim. Mas não foi sempre assim. Amália foi injustamente, um bocadinho, maltratada, por este país que não soube reconhecer o devido valor. É preciso viajar e ir ao outro lado do mundo para reconhecer a pegada que ela deixou ao nível de uma identidade cultural que é tão nossa e que marcou gente em todo o mundo. Na Nova Caledónia, onde fui há muitos, muitos anos, eu vi um chefe de uma tribo, quando soube que eu era portuguesa, falar-me da Amália. É extraordinário. Ela conseguiu chegar a todo o lado, numa altura em que não havia internet”.


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