
O Montepio Fado Cascais encerrou com chave de ouro: Camané continua indestronável, é ele o melhor dos melhores no fado, actualmente, e se o fado fosse uma monarquia, então era actualmente o Rei! Fábia Rebordão esteve muito bem na primeira parte.
Após um instrumental, brilhantemente interpretado pelos músicos que a acompanharam, Fábia subiu a palco para declamar “Lisboa Cidade”, rematando apenas com o seu canto no final do tema, no qual alterou a letra para ‘Minha Cidade’, fazendo-o bem e meritoriamente.
Em palco esteve acompanhada por Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa, João Domingos na viola de fado, José Ganchinho no baixo e Ivo Martins na bateria, que com ela percorreram um alinhamento do qual constaram: Alice, Retorno, Quem vai ao fado, Foi Deus, Limão, Tirana, Falem Agora, entre outros, que agradaram e muito a um público que aplaudiu e cantou Fábia Rebordão.
Fábia Rebordão deixou de ser promessa e é já uma certeza no panorama musical português, tem uma voz poderosa, que sabe usar muito bem, as suspensões são feitas correctamente e de forma exuberante, sabe entender o perfeito momento de atacar ou prolongar as notas, e tem uma presença em palco muito bonita e de constante interacção com a plateia.
Camané esteve perfeito. É indiscutivelmente o melhor, actualmente, na arte de cantar e interpretar o fado, respeitando-se obviamente os diferentes estilos interpretativos dos restantes fadistas. Mas com Camané tudo parece tão simples: não precisa da bateria e percussão, não precisa de melismas, não precisas de pedir ‘palminhas’, não precisa de ser exageradamente efusivo. A sua voz, a sua interpretação, a timidez corporal que é arrebatada por uma voz segura, por uma dicção perfeita e por um sentimento vulcânico, acabam por arrebatar o público.
“Menos é mais” parece ser o lema deste fadista que, ontem, em Cascais, prendeu o público desde o primeiro fado até ao último. “A cantar”, “Ela tinha uma amiga”, “Mote”, “Lume”, “Medalhinha”, “A correr”, “Marcha do Bairro Alto”, “Sei de um rio”, “Triste Sorte” ou “Saudades Trago comigo” integraram um alinhamento que contou ainda com “Casa da Mariquinhas” de Alfredo Marceneiro e que sairá no próximo disco de Camané.

