Opinião: “Duetos” de Paulo de Carvalho

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Com 55 anos de carreira e vários discos editados, Paulo de Carvalho apresenta o seu mais recente trabalho, “Duetos”. Este é um cd de celebração onde o conhecido músico apresenta alguns dos seus temas mais conhecidos, como “Flor sem tempo” ou “10 Anos”, ao lado de vários cantores conhecidos dos portugueses, como é o caso de Diogo Piçarra e Aurea. 

 

 

“Duetos”, de Paulo de Carvalho, começa com o tema “Flor sem Tempo”. Esta canção é cantada em dueto com o cantor algarvio Diogo Piçarra. Não poderia haver melhor canção para abrir este disco. Esta é uma música sem tempo cantada por duas gerações que se unem na música e na defesa da língua portuguesa.

 

 

“Maria Vida Fria” conta com a participação de Rita Guerra, que para além de ser uma excelente cantora é uma exímia pianista. Esta é uma canção que fala de ilusões e enganos, duma esperança que é roubada pelo tempo que não perdoa. Aqui a voz poderosa de Paulo de Carvalho casa na perfeição com a voz pura de Rita Guerra.

 

 

Segue-se “10 Anos”. Aqui Paulo de Carvalho junta-se a Rui Veloso para um tema que tem algo de rock que agrada a todos.

 

 

“Abracadabra” é um dueto com Aurea. É uma canção com um instrumental bastante divertido. É uma canção mágica, tal como as vozes dos dois cantores. É sempre bom ouvir a Aurea cantar em português.

 

 

Em “Executivo” encontramos a participação de Tatanka, a voz dos The Black Mamba. Nesta canção poderosa, que é perfeitamente acompanhada por uma banda irrepreensível, Paulo de Carvalho dá tudo de si e retirar o melhor de todos os que o acompanham. Esta é uma música algo jocosa que sintetiza na perfeição a realidade portuguesa onde todos pensam que são os melhores e que competem entre para ver quem vai passar primeiro a perna em quem.

 

 

Camané junta-se a Paulo de Carvalho para cantar “Os Putos”. Neste tema as guitarras portuguesas transportam-nos para um ambiente mais afadistado, local onde Paulo de Carvalho se apresenta muito bem e onde Camané se sente mais do que em casa.

 

 

Raquel Tavares é outra das vozes do fado que pode ser ouvida neste disco, mais precisamente no tema “O homem das castanhas”. Este tema já foi cantado por Carlos do Carmo ou Martinho da Vila e fala sobre uma das figuras mais típicas da eterna cidade de Lisboa, o homem das castanhas que nos delicia a todos, tal como esta música e a conjunção entre a voz rouca de Raquel Tavares e a personalidade magnética que a voz de Paulo de Carvalho transmite.

 

 

Possivelmente uma das canções mais icónicas de sempre, “Lisboa Menina e Moça” traz Carlos do Carmo e o seu compositor, Paulo de Carvalho. Este é um tema que já deve ter sido ouvido um milhar de vezes mas sabe sempre bem ouvir mais uma, muito mais nesta versão que traz os dois responsáveis por este sucesso do cancioneiro nacional.

 

 

Tozé Brito é um dos nomes mais influentes na indústria musical portuguesa e partilha o microfone com o amigo em “Olá, então como vais?”. É uma canção de dois amigos que falam um para o outro e um pelo outro, que falam do que deixaram e do que é necessário fazer para voltar a sorrir.

 

 

Mafalda Sacchetti junta-se ao pai para cantar “Um beijo à lua”. Esta canção funciona como um beijo quente que nos faz esquecer o frio das noites. É uma música prazerosa de ouvir e de cantar. Temos vontade de nos intrometermos no meio deste dueto familiar e transforma-lo num divertido trio.

 

 

Agir, que também é o produtor deste disco, pode ser ouvido em “O meu mundo inteiro”. Pai e filho cantam esta ternurenta música que é outro dos grandes sucessos do músico, chegando a ter sido banda sonora de algumas produções televisivas. Paulo de Carvalho sempre esteve aqui, afinal são 55 anos de carreira, mas Agir promete ficar aqui e perpetuar a sua genética musical.

 

 

Matias Damásio, um dos mais conhecidos cantores angolanos, junta-se a Paulo de Carvalho para cantar “Mãe Negra”. Uma música que nos leva para outros ritmos mais quentes e uma forma de ser diferente, uma ternura que é cantada em cada estrofe desta canção que une Portugal a Angola.

 

 

“Balada para uma boneca de capelista” traz Miguel Araújo. Esta é uma canção que quase é cantada à capella, pelo menos no seu inicio. Este dueto é dedicado a todas as meninas bonitas deste mundo e é apropriado por baixo de uma sacada de uma varanda qualquer apenas acompanhado por um assobiar.

 

 

António Zambujo canta com Paulo de Carvalho o tema “Os meninos de Huambo”, outro dos temas mais conhecidos do conhecido músico. O toar desta música é dado pela guitarra portuguesa e pela viola. A entrada da voz de António Zambujo nesta composição faz com que esta seja apresentada de uma forma diferente da original mas é bastante agradável.

 

 

Ivan Lins e Nuno Markl são os convidados para juntarem-se ao tema “Gostava de vos ver aqui” e eles podem mesmo ser vistos, neste caso é mais ouvidos, aqui. Nuno Markl apresenta “O Cantor”. Os cantores Paulo de Carvalho e Ivan Lins fazem uma ponte que atravessa o Atlântico e é feita de todas as notas que compõe a escala musical.

 

 

O penúltimo tema de “Duetos” é “Nini dos meus 15 anos”, que traz ao lado de Paulo de Carvalho outro dos ícones da música portuguesa, José Cid. Eles relembram-nos da nossa conhecida e muito amada Nini que volta a dançar em pleno 2017. Esta é uma música de celebração não de uma mas de duas grandes carreiras musicais.

 

 

“E depois do adeus” é uma das senhas da revolução e fecha este disco com as actuações de Paulo de Carvalho e Mariza Liz, a vocalista dos “Amor Electro”. Ouvir esta música provoca arrepios a qualquer um, mesmo a quem conheça esta música por causa do que aprendeu na escola ou dos vídeos que fazem a retrospectiva das participações anteriores de Portugal no Festival da Canção. Mariza Liz é uma excelente adição para esta música que é e será para sempre recordada.

 

 

Este álbum é composto por 17 canções.