Opinião: “Vestida de Nit” de Sílvia Pérez Cruz

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Sílvia Pérez Cruz é uma artista espanhola com influências no jazz e no flamenco e é considerada uma das vozes revelação da Península Ibérica e tem impressionado a América Latina. “Vestida de Nit” é o mais recente álbum da cantora que conta na sua discografia com três discos editados e já recebeu inúmeros prémios.

 

 

O primeiro tema deste álbum, que é composto por 11 canções, é “Tonada de Luna Llena”. A voz de Sílvia Pérez Cruz aqui traz algumas influências da música árabe mas sem nunca esquecer o flamenco e a paixão e tragédia fatalista que é tão associada aos povos Ibéricos no particular e aos latinos no geral.

 

 

Segue-se “Mechita”. Esta canção é muito delicada e elegante, uma trova inteligente que fala sobre a esperança de amor. Os instrumentos de corda utilizados ajudam a criar a atmosfera sedutora que podemos encontrar nesta composição.

 

 

“La Lambada (Chorando se foi)” traz inspirações da lambada brasileira e da bossa nova mas vista de uma diferente perspectiva, uma perspectiva mais clássica e jazzística. Nesta canção Sílvia canta em português, algo que repete um pouco mais para a frente neste trabalho.

 

 

Em “Loca” sentimos toda a força do flamenco intemporal que está presente na voz da cantora espanhola. O contrabaixo presente nesta composição cria um ambiente mais sombrio e profundo, algo que encontramos frequentemente neste disco.

 

 

A portugalidade chega em “Estranha forma de vida”, música que foi imortalizada pela diva dos portugueses, Amália Rodrigues. Esta canção fica muito bem na voz da artista espanhola que tem algumas influências no flamenco e os dois géneros musicais tem a mesma origem e cantam a história o destino dos povos Ibéricos, dos latinos de coração forte e impetuoso.

 

 

“Vestida de Nit” é o tema que dá título a este disco. Esta canção tem a presença de uma boa secção de cordas que introduz a música e a artista que é dona de uma voz angelical e poética. Esta música é um dos pontos altos deste disco e de outra forma não poderia ser, afinal dá título ao mesmo e resumo o que a artista quer passar ao longo das inúmeras composições que compõe este trabalho.

 

 

“Ai,Ai,Ai” é uma música bem ritmada e é cantada em inglês. Esta canção é de 2017 mas poderia facilmente ter sido criada nos anos 30/40 e ter feito parte de alguma banda sonora de Hollywood, de um filme protagonizado por Carmen Miranda ou Rita Hayworth.

 

 

A oitava música é “Gallo Rojo, Gallo Negro”. Nesta música a cantora transporta-nos para as calles (ruas) de alguma cidade espanhola onde as janelas estão abertas e ouvem-se músicas de um outro tempo que são passadas dos mais velhos para os mais novos como se de tradições orais há muito tempo propagandas se tratassem.

 

 

“Não sei” é um tema que Sílvia volta a cantar em português, um português agradavelmente açucarado. Esta é uma música calma sem qualquer tique de querer ser aquilo que não é. É apenas uma canção que canta as saudades de um “coração feito de papel”.

 

 

O penúltimo tema deste trabalho é “Corrandes D’Exili”. Esta música é profunda e melancólica. O contrabaixo é o primeiro instrumento a aparecer e é quem acompanha a cantora que canta sem precisar de muito. Apenas um palco, um microfone e o seu público.

 

 

“Vestida de Nit” finaliza-se com uma nova versão de “Hallelujah”. Tal como na música celebrada por Leonard Cohan, Sílvia Pérez Cruz pede a paz para todos e por todos. É uma oração sentida e há muito tempo cantada.


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