
Em tarde/noite na qual choveu em Lisboa, a espaços, a Avenida da Liberdade e zona envolvente receberam, esta sexta-feira, o primeiro dia/noite de Super Bock em Stock 2020.
Na Casa do Alentejo, actuou o projecto Rua das Pretas, encabeçado por Pierre Aderne, e que tem promovido e divulgado a música lusófona.
Tertúlias musicais regadas com vinho e conversa é o que Pierre Aderne levou do Príncipe Real, onde semanalmente realizam-se, para a Casa do Alentejo, situada na Rua das Portas de Santo Antão.
Antes de subir a palco falou com o Infocul, explicando que “a gente vai fazer uma síntese destes dois últimos anos de encontros e hoje em especial temos a estreia de uma cantora gaúcha que chegou hoje para viver em Portugal, chama-se Nani Medeiros”.
Sobre esta convidada disse ainda de que “apesar de ser gaúcha, e ter uma voz que lembra o legado de Elis Regina, já fazia concertos de fado em Porto Alegre”, tendo conhecido-a “através de uma publicação no Instagram e hoje vai ser aqui a estreia dela. É um novo elemento que estamos a trazer para o festival e que nunca tocou aqui, na Rua das Pretas”.
Mas as novidades não se ficaram por aqui, pois “a outra novidade é um guitarrista angolano que se chama Ricardo Quinteira, que toca guitarra acústica e um instrumento chamado Tres, um instrumento cubano e que da forma que toca lembra muito a malha da guitarra portuguesa”.
Confidenciou-nos ainda de que “hoje estreio, também, duas músicas novas. Uma é uma parceria com Gastão Villeroy, contrabaixista do Milton Nascimento, que se chama ‘Fado Sexta-Feira’. E como hoje é sexta-feira, achei que era um bom dia para estrear e a Nani canta comigo. A outra canção chama-se ‘Meu Maracanã’, uma parceria com Gabriel Moura”.
Em palco, esteve acompanhado por Walter Areia no contrabaixo, Nilson Dourado na percussão/clarinete/viola caipira, Ricardo Quinteira no violão/Tres Cubano, a jovem fadista Joana Almeida e a estreia de Nani Medeiros. Participação de Junior Pita
Num ambiente descontraído e rodeado da beleza impactante do salão nobre da Casa do Alentejo, Pierre e os seus convidados/amigos levaram a cabo um espectáculo com temas conhecidos de todos (Estranha Forma de Vida, Guia, Saudades do Brasil em Portugal, entre outros), destacando-se as vozes de Nani e Joana (estilos distintos, concepções artísticas distintas, interpretações de qualidade) e o lado de cantador de histórias por parte de Pierre Aderne, com bom acompanhamento instrumental, por parte de seus pares.
O afamado calor brasileiro encontrou a chuva lusitana, mostrando, cada um, a sua beleza num clima de festa e partilha!
Como nos confidenciava, antes do espectáculo, foi uma noite em que Lisboa foi a Capital da Música de Língua Portuguesa.
Texto e Entrevista: Rui Lavrador
Fotografias: Alfredo Matos
