Tété Alhinho: “gosto de partilhar com as pessoas o mundo que eu tenho dentro de mim”

tete alhinho

 

Tété Alhinho tem novo disco e em plena fase de promoção em Portugal concedeu uma entrevista ao Infocul para falar sobre este novo trabalho.

 

 

Após uma bem sucedida campanha de crowdfunding, Tété Alhinho, incentivada por Mónica Jardim, volta a gravar um disco, algo que não acontecia desde 2008. É das vozes mais apaixonantes de Cabo-Verde e Portugal também já se rendeu ao seu talento.

 

 

Este disco já está pensado há muitos anos. Desde 2008 que eu não editava um disco completo, apenas fiz um EP, e o disco surge a partir de um concerto que eu fiz há muitos anos atrás. Tinha dois projectos, este e outro, e quando a Mónica [Jardim] me ligou e chamou, interessando-se pela minha carreira e tendo estado em Cabo Verde, decidimos então avançar. Ela foi a grande impulsionadora deste projecto” começa por nos dizer, quando questionada sobre como surgiu a ideia para este disco.

 

 

Eu costumo dizer que este é um disco de afectos. Eu penso que nós fazemos as coisas espelhando-nos um pouco nelas. Depois de ver o trabalho, é um disco que trata de afectos, tem amor pela terra, pelos pais, pelos filhos… e depois estou numa idade em que o afecto é uma coisa muito importante porque temos tempo para pensar nele, para dá-lo e recebe-lo na totalidade”, acrescenta sobre as mensagens que tenta transmitir neste trabalho.

 

 

Neste disco, Tété Alhinho contou com Carlos Matos, Ricardo de Deus e Victor Zamora ao piano, Carlos Barreto e Francelino Silva no contrabaixo, N’Du Carlos, Paulo Charneca e Rob Leonardo nas percussões, Jon Luz no cavaquinho, António Barbosa no violino e Americo “Meca” Lima na guitarra. A produção executiva esteve a cargo de Mónica Jardim e a direcção artística a cargo de Tété Alhinho e Ricardo de Deus.

 

 

Eu acredito que todas as pessoas, quando são artistas, reflectem aquilo que são. Queiram ou não queiram”, diz-nos quando questionada se este disco revela um pouco da mulher por detrás da artista.

 

 

O meu pai é português, portanto independentemente da ligação que Cabo Verde tinha e continua a ter com Portugal, portanto a língua, a cultura, a música, ele nunca nos impôs a sua cultura mas facultou-nos. E convivi com ela porque ele também não poderia renegar a ela. Ele foi um português que ‘caboverdianizou-se’, digamos assim. A primeira vez que aqui vim, tinha 10 anos, era inverno, acabei até por ver neve em Coimbra, pois tinha lá uma irmã a estudar, sendo a primeira vez que tive contacto com a neve. A partir dai vinha cá sempre de férias, acabei por ficar cá um ano para entrar na universidade, não aconteceu porque boicotaram os exames, acabei por ir para Cuba, estive 10 anos entre Cuba e México”, desvenda-nos sobre a sua ligação a Portugal, antes de acrescentar que aqui “a gente sente-se em casa”.

 

 

 

“O público cabo-verdiano varia de ilha para ilha, embora agora esteja muito mais participativo, já se consegue puxar por ele. O público português é mais reservado embora tenha alterado nos últimos tempos, já está mais aberto. Eu gosto muito de andar de metro, e de transportes públicos, para observar a cara das pessoas e as suas reacções. E aí apercebo-me que as pessoas já mudaram, apesar das dificuldades que todo o mundo tem vivido. O povo português está mais aberto, menos sério, mais divertido… Talvez por Lisboa se ter tornado cosmopolita e receber pessoas de várias latitudes”, remata, quando convidada a comparar o público português com o público cabo-verdiano.  

 

 

 

Sabe o que é já me apercebi? Que a mensagem que passo é de muito afecto e muita alma. Eu sou uma pessoa que gosta de entregar inteira às coisas que eu faço, gosto de partilhar com as pessoas o mundo que eu tenho dentro de mim”, diz-nos, vincando, a principal mensagem que tenta transmitir neste disco.

 

 

O disco conta com 10 faixas e é distribuído pela Sony Music.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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