
O Wilson fez parte dos alunos que tinha através de um serviço social, e onde dei aulas de música durante muitos anos, mas só neste último conheci o conheci, quando entrou para a actividade musical do serviço social.Mantemo-nos em contacto, apesar de já não ter aulas comigo.
Diz, ele, que eu fui muito importante para o crescimento e aprendizagem musical. Acredito, pois todos nós quando gostamos muito de termos alguém que nos incetiva a ir mais longe, porque existe essa capacidade. Sentimo-nos encorajados, acolhidos, suportados por esse alguém que caminha connosco e acredita em nós e nos ajuda a avançar.
Wilson não se interessou logo pela música, ou seja, não foi “desde pequenino que torceu o pepino”, como diz o ditado popular. Esmiuçando, não foi algo que desde pequeno sentiu. Mas aos poucos, ouvindo o pai a tocar com os amigos foi interessando-se.
Começou por sua iniciativa a ir ao piano e a tirar as músicas de ouvido. Diz que aos 12 anos foi quando começou. Pouco mais de 1 ano atrás…
A técnica de tocar era como lhe dava jeito reproduzir fisicamente o que o ouvido lhe dizia. Aos poucos foi desenvolvendo o gosto do piano e da música clássica.
Quando tinha dúvidas do que ouvia, ia ao youtube e verificava como tocar uma ou várias partes em específico.
Demorava algumas horas até ter a música feita, executada como lhe dava jeito mas na perfeição do que o ouvido lhe dizia, juntamente com a confirmação da ajuda das tecnologias dos vídeos no Youtube.
Wilson, não tem dinheiro para aprender piano e através da instituição social que ajuda a família, esta conseguiu que tivesse aulas de piano numa escola com a qual a mesma trabalha e que tem a sua própria escola de música.
De tal maneira é notório a sua capacidade musical, que sentiram que deveriam realmente proporcionar estudos de piano a este pequeno prodígio
A música para ele, diz “Não sei bem explicar, mas é a mellhor amiga/o quando estou triste ou contente”. É a sua companheira infalível. E como o compreendo. Vejo no trajecto do Wilson, um pouco do meu.
Também não senti logo, desde nova, o interesse pelo instrumento em si, mas pela música sim.
Depois das aulas, em vez de estudar, passava horas no meu quarto a ouvir música, a desenhar, a olhar para o infinito, a sonhar, a cantar, a fazer um concerto imaginário para milhares de fãs, apenas no meu quarto.
A minha avó foi professora de piano e nunca me forçou a aprender piano, ou qualquer outro instrumento. Foi também aos 12 anos que de repente quis aprender piano.
De repente qualquer bichinho despertou em mim a curiosidade e a vontade de aprender aquele instrumento em específico. Poderia ser outro, mas talvez pelos serões musicais que havia em casa, com a minha avó a tocar piano, e às vezes os filhos (5, a quem ensinou todos a tocar), também eu senti a grandiosidade do piano.
Lá comecei os primeiros passos da aprendizagem do piano com a minha avó. Diz outro ditado que “Santos de casa, não fazem milagres”, mas esta minha santa avó (literalmente) fez, e de que maneira.
Vivia eu numa casa antiga, com tectos pintados e trabalhados, com várias divisões (Sala de jantar, salinha de estar, sala do piano, dispensa, quarto de hóspedes etc..) e a divisão que era a sala do piano ficava mesmo ao lado do meu quarto. Quantas vezes pedi à minha querida avó que me acordasse ao som do piano, com ela a tocar.
Ainda hoje tenho na memória esses acordares únicos e cheios de amor da minha avó para mim.
Aos poucos comecei então a estudar piano com ela, mas depressa a minha criatividade me levava para fugir do estudo e começar eu própria a criar música no piano.
Percebi mais tarde que tinha de facto uma veia criativa, de melodia, com ritmos, com acordes etc. Uma veia também para o Jazz, Pop, Rock, que eram no fundo as músicas que eu ouvia no meu quarto.

Depois de 25 anos ligada à música, pretendo com a crónica deste mês referir a riqueza que é termos alguém que nos indique e nos ajude no caminho da música.
Que saiba orientar-nos para um instrumento e ver a nossa capacidade de evolução.
Acreditar sempre no aluno, na pessoa que está a aprender.
Acreditar na sua resiliência.
Acreditar no amor que tem para dar ao mundo através da música.
Acreditarmos, no fundo, uns nos outros. Saber valorizar, saber aceitar, saber avançar.
Claro que nem tudo são rosas, mas “Não há rosas, sem espinhos”.
Parabéns Wilson e que continues sempre resiliente na tua aprendizagem do piano e da música em geral.
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