Sexta-feira, Outubro 22, 2021

Badajoz: Inspiração de Ferrera e Juanito a fazer os portugueses sonhar

Badajoz: Inspiração de Ferrera e Juanito a fazer os portugueses sonhar

A Praça de Touros de Badajoz recebeu, esta quinta-feira, a primeira corrida da Feira de São João.

Destaque para a presença do matador de touros português, João Silva ‘Juanito’, ao lado de António Ferrera e Morante de la Puebla. Lidou-se um curro de touros da ganadaria de Zalduendo.

O primeiro touro da ganadaria Zalduendo teve uma saída apática à arena, denotando ainda pouca força, contudo mostrando condições para uma boa faena de Ferrera. No capote, Ferrera esteve regular, esforçando-se por fixar o touro, numa altura em que o oponente se mostrava distraído. O tércio de bandarilhas foi executado pelos seus bandarilheiros, com eficiência. Na muleta, Ferrera puxou dos galões e demonstrou classe, temple e conseguiu duas séries de grande qualidade pela direita. Uma boa faena, prejudicada pela estocada final. Estocada executada com êxito à segunda tentativa, sendo ovacionado pelo público.

Morante de la Puebla teve por diante um oponente com investida pouco franca, sonsa até, não permitindo sequência ao matador, quer no capote, quer na muleta. O matador andaluz pouco ou nada pôde fazer, destacando-se apenas duas ‘tandas‘, na muleta. Morante esteve péssimo com a espada, sendo silenciado pelo público extremenho. O touro foi assobiado no arraste. No tércio de bandarilhas, estiveram mal os bandarilheiros de Morante.

Juanito recebeu o terceiro touro da corrida, o primeiro do seu lote, à porta gaiola e de joelhos em terra. Não correu bem, mas rapidamente Juanito emendou com o capote, desenhando um bom tércio. Nas bandarilhas, mal os seus bandarilheiros. Mas na muleta, senhores, Juanito esteve soberbo. Arriscou tudo, colocou-se sempre muito na cara do oponente e sacou várias séries de excelente qualidade, levando o público a gritar Olé por várias vezes. Com o público entregue e rendido ao seu talento, Juanito esteve excelente com a espada, concretizando à primeira tentativa, conquistando o corte de duas orelhas. O touro foi bravo, pese ter vindo de mais a menos durante a actuação do jovem lusitano.

Após o triunfo de Juanito, António Ferrera esteve soberbo na faena que desenhou frente ao quarto touro da tarde.

No capote, começou por mostrar que estava com sede de triunfo e esteve artístico, estético e com classe. Os seus bandarilheiros estiveram muito eficientes no tércio de bandarilhas e ‘desmonteraram‘, sendo aplaudidos pelo conclave.

Na muleta, Ferrera esteve numa tarde de sonho. Tudo saiu bem, frente a um touro de grande qualidade, com investida franca, que humilhava e que permitiu várias séries de excelente nota artística ao extremenho. O público começou a pedir o indulto do touro, Ferrera esticou a actuação mas a presidência da corrida não cedeu à pressão e Ferrera teve mesmo de estocar o oponente. Fê-lo com uma soberba classe e cortou duas orelhas e rabo. Actuação de sonho de Ferrera, António Ferrera.

Destacar a classe deste touro, que merecia indulto e voltar ao campo, contudo tal não foi possível devido a um presidente da corrida demasiado inflexível, sem qualquer justificação, perante o que se passou na arena. Maioral chamado à arena, dando volta com Ferrera.

Morante de la Puebla encurtou a segunda actuação, perante um touro de poucas opções e que não permitiu grandes hipóteses de brilho ao andaluz. Tentou, ainda, pelo piton direito mas sem grande sucesso, piorou quando tentou pelo piton contrário.

Uma passagem sem história de Morante por Badajoz. Silenciado novamente, com o touro a ser assobiado no arraste.

Juanito fechou as actuações já noite, com luzes da praça acessas, e voltou a estar em grande nível. Foi na muleta que mais se destacou, levando o oponente a investir e a humilhar na investida, com séries desenhadas por baixo e com profundidade. No capote já tinha dado pinceladas de arte. O tércio de bandarilhas foi executado de forma regular pelos seus bandarilheiros.

Em resumo, Ferrera esteve estupendo perante o quarto touro da corrida, o segundo do seu lote, e Juanito esteve arrojado, guerreiro, poderoso e a afirmar-se frente a duas figuras do toureio mundial. Contem com ele, João Silva está cá para ombrear com os melhores.

Os touros de Zalduendo estavam bem apresentados, pecando por falta de força na maioria deles, sendo que o quarto touro foi claramente o melhor e o que mais qualidades apresentou no que ao comportamento diz respeito, com classe e bravura.

O tauródromo estremenho registou excelente casa, cerca de ¾ dentro da lotação permitida, dadas as contingências impostas pela pandemia.

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Rute Nunes e Carlos Pedroso

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