Barack Obama defende em Lisboa líderes que reconheçam uma “humanidade comum”, na noite de ontem na MEO Arena.
No encerramento do Game Changers Forum, o antigo presidente dos Estados Unidos apelou à defesa da democracia e da igualdade. Criticou também a nostalgia de uma “América real” associada à exclusão de negros e mulheres.
Barack Obama defendeu, este sábado, 10 de outubro, em Lisboa, uma liderança política capaz de conciliar a representação dos interesses nacionais com o reconhecimento das aspirações de outros povos. Perante uma plateia de dez mil pessoas, segundo a organização, o antigo presidente norte-americano colocou a democracia, a igualdade e a cooperação internacional no centro da sua intervenção.
Obama falou no encerramento da sexta edição do Game Changers Forum, na MEO Arena, onde também questionou a visão de uma identidade americana assente no regresso a hierarquias sociais do passado.
Representar um país sem esquecer os outros
Na intervenção, citada pelo JN/Agências, o antigo chefe de Estado explicou que valorizar a história e a cultura de um país deve ser compatível com compreender quem vive fora das suas fronteiras:
“O que precisamos agora é [de líderes] que representem o seu próprio povo e apreciem as tradições, cultura e história, mas também que vejam que quem está noutro país também tem esperanças e sonhos, que temos uma humanidade comum, mais do que desconfiança.”
“É o tipo de liderança de que precisamos no palco internacional”, insistiu.
A crítica à nostalgia da “América real”
Ao abordar o contexto norte-americano, Obama criticou a recuperação de uma ideia de país que, na sua leitura, remete para um tempo de menor participação e liberdade para negros e mulheres.
Nos Estados Unidos, afirmou, “tem havido um esforço de dizer que há uma América real, uma nostalgia de quando as pessoas negras eram silenciosas e não estavam na Casa Branca e as mulheres sabiam o seu lugar, na cozinha e em casa”. As palavras foram recebidas com fortes aplausos.
Em alternativa, defendeu dirigentes que encarem a igualdade como uma ambição coletiva:
“O que precisamos agora é de líderes suficientemente confiantes que digam: ‘eu quero viver num mundo onde as minhas filhas têm as mesmas oportunidades que os meus filhos, onde o meu vizinho não me ameaça e eu não sinto que tenha de ser superior’.”
Democracia com capacidade de dar respostas
O antigo presidente associou a defesa desses princípios à necessidade de instituições capazes de responder às dificuldades das populações.
“Precisamos desse impulso democrático na nossa liderança e de líderes que compreendem os valores da democracia e da igualdade”, salientou.
Acrescentou que são necessárias “novas instituições que possam mover-se mais depressa para realmente entregar resultados às pessoas”, ligando os valores democráticos à capacidade de produzir mudanças concretas.
Referência à decisão de iniciar uma guerra
Durante a passagem por Lisboa, Obama abordou ainda os limites do poder presidencial na decisão de entrar num conflito militar.
“Tecnicamente, um presidente não pode começar uma guerra sem aprovação do Parlamento”, afirmou, numa passagem igualmente aplaudida pela audiência.
O antigo governante não mencionou explicitamente Donald Trump nessa declaração. Obama presidiu aos Estados Unidos entre 2009 e 2017, ao longo de dois mandatos, e recebeu o Prémio Nobel da Paz em 2009.
