Bernardo: O single de avanço do disco de estreia, o sonho de ser cineasta e o espírito britânico e português

Bernardo: O single de avanço do disco de estreia, o sonho de ser cineasta e o espírito britânico e português, abordados na entrevista ao Infocul.pt.

What, If Not The Family?” é o primeiro single que antecipa o seu álbum de estreia “Secrets of Six-Figure Women”, previsto para setembro.  

Este tema, escrito e produzido por Sónia Bernardo e co-produzido por Dave Maclean, dos Django Django, explora a complexidade das relações familiares e a construção da identidade pessoal.

Assim, a artista abordou o single e falou também sobre o seu percurso, os sonhos e ainda do esperar do disco.

Bernardo: “O meu álbum (Secrets Of Six-Figure Women) será uma mistura de música alternativa, fado, indie, alt-soul e mais uma série de géneros”

Começo por questionar como tem sido a reação das pessoas ao tema What, If Not The Family? 

Muito boa. Eu tenho sempre um pouco de medo quando lanço uma nova música – esta sendo do meu primeiro álbum fiquei com muito medo. Mas tem sido tão bem recebida e agora acho que estou a consolidar mais quem os meus fãs são. As pessoas que acham o que eu faço muito estranho abandonaram aqui a viagem comigo, mas as pessoas que gostam e que querem ouvir mais já compraram bilhete e embarcaram comigo nesta aventura. [sorri] Foi por isso que escolhi este tema, talvez porque sabia que seria divisivo.

Escreveu e produziu este tema. Nesse sentido questiono qual a principal mensagem que tenta passar? 

A mensagem é bastante abstrata, e gosto pouco de dizer o que as mensagens são porque cada um que escuta terá uma interpretação diferente. Eu quando escrevi queria passar a mensagem sobre as pressões sociais, especialmente como mulher e artista, e como isso choca com o querer ser algo diferente que não se encaixa nesses moldes. Mas tem vários significados.

Este single antecipa o seu álbum de estreia. O que podemos esperar desse disco, que à partida será o seu cartão de apresentação? 

O meu álbum (Secrets Of Six-Figure Women) será uma mistura de música alternativa, fado, indie, alt-soul e mais uma série de géneros. Canções cantadas em português e inglês. Tudo se contradiz e tudo faz sentido – acho que é o álbum perfeito para ser o meu cartão de apresentação porque as pessoas que ouvirem e entenderem vão entender-me a mim. Objetivamente, talvez seja um álbum estranho quando ouvido pela primeira vez, mas  à  segunda volta acho que o ouvinte vai conseguir ter-me a mim e  às minhas ideias por completo.

Bernardo: “nunca consegui viver só de música, então tenho um trabalho fixo durante o dia”

A música foi sempre a sua primeira escolha profissional ou existiram outras ideias? 

Sempre foi a primeira escolha, mas nunca consegui viver só de música, então tenho um trabalho fixo durante o dia. Também gostava de ser cineasta – e tenho esperança que talvez um dia…

Questiono também quem é a artista Bernardo e quem é a mulher Sónia Bernardo e onde é que a artista e a mulher se encontram? 

Bernardo a artista é muito mais corajosa e aberta. Não tem medo de se atirar e de dizer as coisas que sente. A Sónia é muito mais tímida e cheia de medos e ansiedades. O encontro acontece no desejo de se exprimir e criar – usar as vivências para ajudar uma à outra.

Nasceu em Londres, mas veio para Portugal aos 8 anos. Agora o que há em si do espírito britânico e do espírito português? 

Hmmm, pergunto-me sempre. Eu acho que do espírito britânico tenho a liberdade de expressão sem me preocupar muito com o que os outros pensam. Do meu espírito português vem a minha coragem, toda ela é portuguesa, a minha força de andar para a frente, mesmo quando está tudo a correr mal. Eu cresci na Beira Alta, e ficou em mim este espírito de continuação – de fazer, mesmo que se tenha medo. A minha mãe diz muitas vezes ‘o que tem de ser tem muita força’ e isso é quase o meu lema de vida.

Já colaborou com nomes como Phil Manzanera (Roxy Music), Django Django, Skinny Pelembe e Sean O’Hagan. O que lhe trouxeram em termos artísticos? 

Trabalhar com outros artistas é uma honra enorme porque criar música/arte é uma atividade tão mágica, quase divina. Eu diria divina mesmo. Então quando trabalho com estes artistas nós partilhamos essa magia, eu aprendo como eles chegam ao coração das coisas e eles veem como eu escrevo – e é uma simbiose incrível. Eu já aprendi tanto com o Phil, os Django Django (com quem partilho o estúdio) e muitos outros. Não sei se respondi à pergunta.

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Rui Lavrador
Rui Lavradorhttp://www.infocul.pt
Jornalista e Director Infocul.pt

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