Casas de classe energética A custam mais 81% do que as de classe F nos anúncios do Imovirtual

Casas de classe energética A custam mais 81% do que as de classe F nos anúncios do Imovirtual, segundo foi revelado.

A diferença chega aos 195 mil euros: entre janeiro e setembro de 2026, os apartamentos e moradias de classe energética A ou A+ anunciados no Imovirtual apresentaram um preço médio de 435 mil euros, enquanto os de classe F ficaram nos 240 mil euros. Os imóveis mais eficientes tiveram, assim, preços anunciados cerca de 81% superiores, segundo uma análise divulgada pela plataforma em comunicado de imprensa esta quinta-feira, 15 de outubro.

O levantamento mostra também que as classificações A e A+ ganharam peso na oferta. Contudo, o próprio Imovirtual ressalva que a eficiência energética não explica, isoladamente, as diferenças de preço entre as habitações.

“Os dados mostram uma associação entre classificação energética e preço, mas não permitem atribuir exclusivamente à eficiência energética as diferenças observadas”, esclarece a plataforma no comunicado.

Classe B apresenta o preço médio mais elevado

Apesar da associação entre melhor desempenho energético e preços mais altos, a relação não é totalmente linear. A classe B registou o valor médio mais elevado, de 449 mil euros, acima dos 435 mil euros apresentados pelas classes A+, A e B-.

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Na classe C, o preço médio anunciado foi de 340 mil euros, descendo para 305 mil euros na D, 290 mil euros na E e 240 mil euros na F.

A localização, a dimensão, a idade, o estado de conservação e o tipo de imóvel também influenciam os valores pedidos. Por isso, a diferença entre classes não corresponde necessariamente ao montante que um comprador pagaria a mais apenas por uma habitação ser energeticamente mais eficiente.

Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, defende que a análise deve incluir os encargos de utilização da casa.

“A eficiência energética é hoje um fator cada vez mais relevante na avaliação de um imóvel, sobretudo quando consideramos os custos associados à sua utilização ao longo do tempo. Mais do que olhar apenas para o preço de compra, importa perceber também o que uma habitação pode representar em termos de consumo energético e conforto. Os dados mostram diferenças expressivas entre classificações, mas também reforçam a importância de avaliar cada imóvel no seu conjunto”, afirma, citada no comunicado.

Mais de um terço da oferta tem classificação A ou A+

As duas classificações superiores representam já 34,9% da oferta analisada, contra 31,6% em 2025, numa subida de 3,3 pontos percentuais.

“Mais de 1 em cada 3 imóveis anunciados em 2026 apresenta classificação A ou A+”, destaca o Imovirtual na nota enviada à imprensa.

O crescimento foi sobretudo impulsionado pela classe A, cujo peso passou de 21,2% para 24,4%. A classe A+ manteve uma presença praticamente estável, com uma evolução de 10,4% para 10,5%.

A escala energética vai de A+, a classificação mais eficiente, até F, a menos eficiente. Segundo o enquadramento apresentado pela plataforma, as classes superiores estão geralmente associadas a características como melhor isolamento térmico, janelas eficientes ou utilização de energias renováveis. As classes E e F correspondem, habitualmente, a maiores necessidades de energia para aquecimento, arrefecimento e águas quentes sanitárias.

Apartamentos dominam na classe A e moradias na classe F

O tipo de habitação varia significativamente entre os extremos da classificação. Em 2026, os apartamentos representam 79,8% dos imóveis de classe A, enquanto as moradias correspondem a 72,9% dos imóveis de classe F.

Esta diferença ajuda a perceber por que razão os preços não devem ser comparados apenas com base no certificado energético.

“A composição da oferta ajuda-nos também a perceber que estamos perante segmentos diferentes do mercado. Os apartamentos têm um peso muito elevado nas classificações energéticas superiores, enquanto as moradias predominam nas classes mais baixas. É mais uma razão para não olharmos para a classe energética de forma isolada, mas também mostra como o perfil da oferta disponível varia significativamente consoante o desempenho energético dos imóveis”, acrescenta Sylvia Bozzo.

Classes menos eficientes tiveram as maiores subidas de preço

Na comparação entre 2025 e 2026, os preços anunciados aumentaram em praticamente todas as classificações energéticas. As maiores subidas ocorreram precisamente nas classes E e F, ambas com um crescimento de 11,6%.

Nas classificações superiores, os aumentos foram mais moderados: 3,6% na classe A+ e 3% na classe A.

O estudo mostra, assim, que os imóveis menos eficientes continuam a apresentar preços médios inferiores, mas registaram um encarecimento percentual mais expressivo no período analisado.

Melhor classificação não significa menos tempo em anúncio

A análise inclui ainda dados de 2025 sobre a permanência dos anúncios na plataforma, que não apontam para uma relação direta entre maior eficiência e menor tempo de exposição.

“Uma classificação energética superior também não está necessariamente associada a um menor tempo de permanência dos anúncios”, assinala o comunicado.

Os imóveis de classe A permaneceram anunciados, em média, durante 95 dias, enquanto os de classe A+ registaram 70 dias. Os períodos mais curtos foram observados nas classes C e D, ambas com 61 dias.

Estes valores medem o tempo de permanência dos anúncios, não permitindo concluir, por si só, em quanto tempo os imóveis foram vendidos.

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